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Experimento da Prisão de Stanford

1: Autoria e cronologia

O experimento da Prisão de Stanford foi conduzida e realizada pelo psicólogo e etólogo estadunidense John Bumpass CALHOUN (EUA; 11 de maio de 1917 – 07 de setembro de 1995; EUA). Ele foi realizado no ano de 1971 e era previsto para durar duas semanas. Entretanto, a situação saiu do controle e teve de ser encerrado com 6 dias de experimento.

Dr. Philip Bumpass Calhoun e o experimento da prisão de Stanford
Calhoun aos 69 anos

Esse experimento foi realizado em local reservado do Instituto de Psicologia da universidade de Stanford, em Palo Alto, na Califórnia. O experimento é reconhecido, muitas vezes por sua sigla SPE, do inglês: Stanford Prision Experimente.

2: Objetivo

O estudo buscava compreender como o ambiente prisional afetava ou alterava o comportamento, em especial, atitudes abusivas. O estudo foi patrocinado pela Marinha estadunidense que buscava compreender os motivos que levavam a conflitos o sistema prisional da própria corporação.

Zimbardo fundamentou seu estudo a partir do estudo do francês Gustave Le Bon e sua teoria da desindividualização. Ela afirma, em suma, que um indivíduo, junto a um grupo coeso, tende a (i) – perder sua identidade; (ii) – deixar de exercer sua consciência individual; (iii) – não mais agir com senso de responsabilidade; o que faz (iv) – alimentar atitudes físicas e impulsos psicológicos de cunho antissocial.

3: O Cenário do experimento

O experimento ocorreu em um local reservado, mais precisamente, no subsolo do Instituto de Psicologia da universidade de Stanford. Neste local foi construída uma réplica fiel de uma prisão.

Foto do experimento da Prisão de Stanford
Placa original do experimento
Foto do ambiente do experimento da Prisão de Stanford
Ambiente do experimento e alguns voluntários

4: Metodologia

Foi feito um anúncio em jornal onde, a partir dele, 70 voluntários se inscreveram e 24 foram selecionados considerando boa saúde física e equilíbrio psicológico. Cada um ganharia US$ 15,00 por dia. Em sua maioria, os selecionados eram homens, da raça branca, oriundos da classe média.

Foto experimento da prisão de Stanford
Recorte do jornal convocando voluntários para o experimento

Por meio de um sorteio de cara-ou-coroa os voluntários foram divididos em dois grupos: guardas e prisioneiros. A seleção foi necessária porque a maioria queria ser prisioneiro, uma forma de criticar a guerra do Vietnã que estava acontecendo à época. Os dois grupos tinham o mesmo número de voluntários sorteados, ou seja, 12 em cada grupo.

A partir deste ponto vamos chamar os voluntários simplesmente a partir do papel que eles cumpriram no experimento. Aos voluntários que atuaram como guardas vamos nominá-los apenas como guardas. O mesmo serve para os voluntários que atuaram como prisioneiros.

GUARDAS: Eles optaram por si mesmos, em uma roupa bege, ao estilo militar. Receberam cacetetes de madeira e óculos escuro espelhado para evitar contato visual. Eles desempenhariam seus papéis e fariam isso na forma de turno, podendo retornar para suas casas e retornar no outro dia, tal qual um emprego.

Eles foram instruídos, no dia anterior que não era permitido o uso de violência física. Foi-lhes dito ainda que a responsabilidade para o bom funcionamento da prisão era deles e que podiam utilizar qualquer meio para isso. Em seu discurso original, extraído do inglês, temos o seguinte trecho traduzido:

Vocês podem gerar nos prisioneiros sentimentos de tédio, de medo até certo ponto, transmitir-lhes uma noção de arbitrariedade e de que suas vidas são totalmente controladas por nós, pelo sistema, por vocês e por mim, e não terão privacidade alguma (…) Nós vamos privá-los de sua individualidade de diversas maneiras. De um modo geral, isso fará com que eles se sintam impotentes. Isto é, nesta situação nós vamos ter todo o poder e eles nenhum.”

FONTE: Do vídeo “The Stanford Prison Study“, citado por Haslam & Reicher, 2003.

PRISIONEIROS: Usaram uma túnica longa, ao estilo da etnia árabe, sem uso de peças íntimas e calçando chinelos de borracha. A ideia era causar um desconforto psicológico e uma desorientação em suas atitudes e análises, desde o início. Junto a isso receberam a colocação de meias-calças em suas cabeças para simular que seus cabelos foram raspados. Seus tornozelos foram acorrentados e usavam um número preso em sua roupa para identificação no lugar de serem reconhecidos por seus nomes.

No dia anterior foi dito a eles para que aguardassem em casa o início do experimento. Nada mais foi dito.

O INÍCIO DO EXPERIMENTO: No dia do experimento, os prisioneiros receberam a visita da polícia local de Palo Alto que colaborou com o experimento. Eles foram acusados de roubo à mão armada e, em sequência, levados para a delegacia onde registraram suas digitais e foram tiradas suas fotos, como a praxe policial recomenda. Feito isso foram levados ao local do experimento.

Foto  experimento da prisão de Satanford
Foto real do experimento – detenção dos prisioneiros

No local do experimento foram recebidos, revistados, higienizados e credenciados pelo número de identificação.

Foto do experimento da prisão de Stanford
Prisioneiros a caráter – foto real do experimento

5: Resultados

O primeiro dia do experimento foi tranquilo, sem incidente algum. Entretanto, já no segundo dia houve um princípio de rebelião. Alguns presos se rebelaram contra a autoridade dos guardas. Estes, na ausência da equipe de pesquisa, utilizaram os jatos dos extintores de incêndio para acalmar os ânimos dos prisioneiros.

Como forma de apaziguar a situação os guardas separaram os prisioneiros em dois grupos, em duas celas, a cela dos bons e a cela dos maus. Começaram a insinuar comentários maldosos e atribuindo estes a algum preso como forma de criar inimizade entre eles. Alguns guardas se voluntariaram para, em vez de irem para casa, ficar, mesmo sem receber, para combater o motim iniciado.

Esse foi só o início do caos. De forma recorrente os prisioneiros passaram a ser humilhados pelos guardas. Os prisioneiros aceitavam a humilhação de forma passiva, sem reclamar. As humilhações passaram a conter sadismo por parte dos guardas e, não raro, os prisioneiros passaram a apresentar transtornos emocionais.

Havia muitos atos vexatórios aos prisioneiros. Os guardas obrigavam aos prisioneiros a levantar peso e realizar atividades físicas. O uso do banheiro passou a ser controlado pelos guardas que, na maioria das vezes, negavam o uso por parte dos prisioneiros. Alguns prisioneiros eram obrigados a dormir nus sobre o chão frio porque seus colchões migraram para a cela dos prisioneiros bons. Não raro negava-se alimento aos prisioneiros, como meio de controle e punição.

O cenário ficou tétrico e rumores de uma fuga em massa começou a ecoar no local. Temeroso com isso, Zimbardo solicitou à polícia local de Palo Alto, para transferir o experimento para um ambiente prisional, o que lhe foi negado.

As ações sádicas cresciam na linha do tempo e aumentavam em intensidade durante a noite quando pensava-se que as câmeras estivessem desligadas. O sadismo e as humilhações levou um prisioneiro a realizar greve de fome. Choro e desconsolo era comum, a tal ponto que dois prisioneiros tiveram que ser substituídos. Aos prisioneiros foi dada a possibilidade de liberdade condicional, em troca, não receberia pelos dias que estivessem fora, somente pelos dias que ficaram na prisão. A maioria dos prisioneiros aceitou. Entretanto a liberdade condicional foi negada e alguns prisioneiros passaram mal por isso, entrando em desespero ao saber que não poderia sair.

Foto do experimento da prisão de Stanford
Audiência de liberdade condicional – foto real do experimento

Por conta dessas situações o experimento foi encerrado no sexto dia.

6: Conclusões

Psicólogos avaliaram que 1/3 dos guardas apresentaram tendências sádicas. Os guardas demonstraram, no geral, descontentamento ao saberem que o experimento iria acabar no sexto dia, e que não teria continuidade até finalizar duas semanas.

Quando em meio coletivo a pessoa tende a perder sua própria identidade e a se comportar como o grupo. Ou seja, em um grupo passamos a agir como todos agem e esquecemos de nossos valores e crenças. Os mecanismos de controle social, fundamentados na ética, no respeito, no sentimento de culpa, na vergonha e no medo de punição, em meio ao coletivo, some no indivíduo.