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Reconstrução da Destruição de Automóveis

1: Autoria e cronologia

Este experimento foi realizado de duas formas diferentes e em momentos diferentes. Eles foram idealizados e realizados pela psicóloga estadunidense Elizabeth Fishman LOFTUS (EUA; 1944 – …) e por John C. PALMER (nome expandido, dados de nascimento e formação acadêmica, não encontrados). Os experimentos ocorreram no ano de 1974.

Elizabeth Fishman Loftus do experimento do acidente de carro
Elizabeth Fishman Loftus

2: Objetivo

Foram dois experimentos, para cada qual havia um objetivo. Para o experimento 1; o estudo tinha foco a fraseologia e sua influência na descrição testemunhal de acidentes veiculares, expandido a outras possibilidades de eventos, tanto a testemunhas como a vítimas.

Já para o experimento 2; estudar a fraseologia como fonte de influência e manipulação para direcionar e sugerir respostas, de forma a alterar a realidade observável, impondo, de forma inconsciente, verdades a outrem, que não existem. Estes eram os objetivos dos experimentos.

3: O Cenário do experimento

O experimento foi realizado em um Laboratório na cidade de Washington.

4: Metodologia

EXPERIMENTO 1: Acidente de automóvel

Foram selecionados 45 estudantes da Universidade de Washington os quais foram selecionados em grupos. Eles assistiram a 7 filmes, entre 5 a 30 segundos que envolvia acidentes com automóveis. Na sequência foi solicitado a cada participante descrever o ocorrido, como se tivessem disso testemunhas presenciais. Por fim, foi solicitado para que cada um estimasse a velocidade do veículo a partir do que tinham assistido.

Para isso foram usados 5 verbos diferentes no mesmo contexto, a saber:

VERBO 1: Smashed → About how fast were the cars going when they smashed each other?
VERBO 2: Collided → About how fast were the cars going when they collided each other?
VERBO 3: Bumped → About how fast were the cars going when they bumped each other?
VERBO 4: Hit → About how fast were the cars going when they hit each other?
VERBO 5: Contacted → About how fast were the cars going when they contacted each other?

Em versão portuguesa, para o Brasil, temos, de forma aproximada, as seguintes sentenças:

VERBO 1: Smashed = Esmagado → Qual era a velocidade dos carros quando eles se esmagaram?
VERBO 2: Collided = Colidido → Qual era a velocidade dos carros quando eles colidiram entre si?
VERBO 3: Bumped = Batido → Qual era a velocidade dos carros quando eles se bateram?
VERBO 4: Hit = Atingido → Qual era a velocidade dos carros quando eles, entre si, se atingiram?
VERBO 5: Contacted = Entrar em contato → Qual era a velocidade dos carros quando eles entraram em contato entre si?

Cada grupo e cada voluntário respondeu conforme sua percepção. Esta foi a metodologia do experimento 1.

EXPERIMENTO 2: Manipulação do vidro quebrado

Para 150 alunos foi apresentado um vídeo de um automóvel transitando por um campo e, na sequência desse mesmo vídeo, cenas de duração de 4 segundos de um acidente envolvendo múltiplos automóveis. Feito isso os alunos foram divididos em 3 grupos de 50 indivíduos.

Ao GRUPO 1 foi perguntado: How fast were the car going when they hit each other? (Qual a velocidade do carro quando eles se atingiram entre si?)
Ao GRUPO 2 foi perguntado: How fast were the cars going when they smashed each other? (Qual a velocidade do carro quando eles se esmagaram?)
Ao GRUPO 3 nada foi perguntado, ou seja, era o Grupo de Controle.

Uma semana depois os voluntários voltaram. Era momento de medir a variável de controle. Sem assistir ao filme todos responderam 10 perguntas atinentes ao vídeo e, de forma aleatória, no questionário constava a seguinte pergunta: Did you see any broken glass? Yes or no? (Você viu algum vidro quebrado? Sim ou não?)

No vídeo apresentado uma semana antes não havia vidros quebrado.

5: Resultados

EXPERIMENTO 1: Acidente de automóvel

Os pesquisadores verificaram que a velocidade estimada foi alterada pelo verbo utilizado na sentença. Os voluntários que receberam como verbo da pergunta “smashed” (esmagado) apontaram maior velocidade aos que tinham como verbo “hit” (atingido). Em valores médios, temos, em ordem decrescente de milhas por hora (mph):

SMASHED (AMASSADO): 40,8 mph (= 65,6 Km/h)
COLLIDED (COLIDIDO): 39,3 mph (= 63,2 Km/h)
BUMPED (BATIDO): 38,1 mph (= 61,3 Km/h)
HIT (ATINGIDO): 34,0 mph (= 54,7 Km/h)
CONTACTED (ENTRAR EM CONTATO): 31,8 mph (= 51,1 Km/h)

O gráfico abaixo, conforme https://www.simplypsychology.org/loftus-palmer.html ilustra o resultado obtido.

Resultado do Experimento do acidente de carro
Resultados do Experimento 1

EXPERIMENTO 2

Os resultados obtidos quando foi perguntado, aos voluntários que participaram do experimento, se viram vidro quebrado é apresentado na tabela a seguir:

Resultado do experimento do acidente de carro
Resultados do Experimento 2

Estes foram os resultados dos Experimentos.

6: Conclusões

EXPERIMENTO 1

Os verbos utilizados transmitiram aos voluntários impressões sobre suas experiências. Eles se permitiram, de forma passiva e inconsciente, aceitar essas impressões, as adicionando às suas experiências, o que fez com que elas tivessem sido alteradas da realidade constatada.

Em outras palavras, o depoimento de testemunhas oculares pode ser alterado, ou, conforme terminologia usada pelos investigadores, tendencioso, em função de como as perguntas são realizadas e como o interrogatório é conduzido. Diante disso os pesquisadores apresentaram duas possíveis respostas a isso.

Resposta 1 – Fatores de viés da resposta: As respostas dadas pelos voluntários foram em função do verbo utilizado, mas não em virtude de uma falsa lembrança. O uso do verbo crítico influenciou ou distorceu a resposta dada.

Resposta 2 – A memória tem sua representação alterada: O verbo utilizado na sentença altera a percepção da pessoa sobre o acidente e sua realidade. Isso faz com que falsas realidades sejam aceitas como realidades pelos voluntários.

Em função dessa segunda resposta, os pesquisadores realizaram o Experimento 2.

EXPERIMENTO 2: Manipulação do vidro quebrado

Neste experimento ficou comprovado que a manipulação, o que a pesquisadora chamou de perda no shopping, pode alterar, de forma sensível, a lembrança dos fatos, agregando a eles eventos que não ocorreram. A adição de memória falsa a um evento chama-se confabulação e sua técnica é o que ela chamou de perda no shopping.