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Roteiro Prático para Compreender Guerras

I: Introdução

Ainda que possa, à primeira vista, parecer difícil fazer uma análise sobre conflitos, e é claro que a análise tem seu grau de dificuldade, a questão é que existem critérios e abordagens técnicas que nos permitem, ao menos, nos nortear e nos orientar sobre a questão e suas perspectivas, pelo menos macro. Em linhas gerais, uma guerra, o que aqui pode ser estendido para qualquer conflito armado, incluindo guerras civis, ocorre por questões recorrentes, são elas:

1: Busca de controle geográfico
2: Obtenção de recursos naturais
3: Imposição cultural
4: Obter supremacia ou controle político
5: Obter vantagens, ou até mesmo supremacia econômica
6: Disputas por desavenças religiosas e/ou ideológicas

Nisso conseguimos já delinear uma ideia inicial sobre o conflito em si. E nesta lógica seguimos e avançamos em nossas análises. Uma análise criteriosa, desenvolvida e feita a partir de um roteiro, ajuda obter e levantar dados e delinear aspectos que compõem o conflito.

Esse é o objetivo deste artigo. Buscamos apresentar um roteiro que nos permita iniciar uma análise sobre qualquer conflito. Basta termos um caderno aberto e começarmos escrever nele na página à esquerda para nos dar uma visão simultânea de todos os pormenores, ou ter duas folhas em separado para que tenhamos a mesma visão. A ideia é ter uma visão única e simultânea de todos os dados para que tenhamos uma análise mais acertada e aguçada. Vamos apresentar a marcha de nosso roteiro.

Além disso é importante que se tenha um atlas (não um mapa) geopolítico completo e conhecimento sobre a cultura e os recursos de cada um dos envolvidos. Também conhecer o histórico entre esses Estados ou atores. Esse é o material essencial mínimo. Para cada etapa, são necessárias respostas e comentários. Desta forma o roteiro ganha sentido. A resposta deve ser direta e o comentário é texto complementar de importância e relevância.

II: Roteiro

O Roteiro para análise conta com a seguinte sequência:

PARTE I – ANÁLISE PRELIMINAR
1: Identificar os Atores Envolvidos
2: Motivação ou Justificativa Oficial dos Atores Iniciais para o Conflito

PARTE II – ANÁLISE CONTEXTUAL
3: Vantagens e Desvantagens de Recursos dos Atores Iniciais
4: Contexto Cultural e Histórico entre os Atores Iniciais
5: Alianças e Estratégias Iniciais ao Conflito

PARTE III – ANÁLISE DEDICADA
6: Desenvolvimento do Conflito
7: Impactos Geopolíticos, Econômicos, Sociais, Culturais, Humanitários e sobre o Meio Ambiente
8: Desfecho
9: Consequências e Legado Histórico

Segue o roteiro e comentários pertinentes.

PARTE I – ANÁLISE PRELIMINAR

Nesta parte inicial vamos levantar os primeiros dados que nos permitam alavancar nossa análise. São dados introdutórios e elementares, sem grandes novidades. Estes dados são fáceis de serem reconhecidos e a interpretação não é parte essencial das análises.

1: Identificar os Atores Envolvidos

Atores na Ciência Política se refere a quem faz parte de determinado cenário político, econômico, social, cultural, institucional ou geopolítico. Podem ser pessoas, instituições ou Estados. Entretanto, em termos de análise de guerras isso deve ir além. Existem três atores:

a: Atores Iniciais
b: Atores Ex Post
c: Organizações Internacionais

O primeiro ponto a identificar são os ATORES INICIAIS. Estes são aqueles que desencadearam o início do conflito. Vamos considerar a Segunda Guerra Mundial para fins de exemplo. Devemos fazer a seguinte pergunta:

1: Quais eram os Atores Iniciais?
Resposta: Alemanha e Polônia.
Comentário: A Alemanha invadiu a Polônia em 1º de setembro de 1939.

A próxima etapa é apontar quem era o Polo Ativo, ou seja, quem iniciou o movimento de guerra e quem é o Polo Passivo, ou seja, quem foi invadido, provocado. Assim, temos a seguinte pergunta:

2: Quem era o Polo Ativo e o Polo Passivo?
Resposta: Polo Ativo, a Alemanha; Polo Passivo, a Polônia.
Comentário: A Alemanha invadiu a Polônia.

Na sequência vamos analisar quem estavam por trás liderando isso. Ou seja, saber e conhecer as pessoas humanas por trás dos Estados nos permite, no decorrer da análise, identificar intenções sobre o conflito. Neste caso, devemos fazer a seguinte pergunta:

3: Quem estava liderando (Chefe de Estado e/ou Comandante militar) esses Atores Iniciais?
Resposta: Adolf Hitler liderou tropas da Alemanha. A Polônia estava sem presidente.
Comentário: O ex-presidente da Polônia Ignacy Mościcki, fugiu para a Romênia pouco depois da invasão alemã. Não houve um substituto imediato. Quem liderou a resistência polonesa foi o marechal Edward Rydz-Śmigły. Hitler era o governante da Alemanha.

O próximo passo é identificar os ATORES EX POST. Estes são aqueles que ingressam no conflito após eclodir o evento inicial. A pergunta a ser respondida é:

4: Quais os Atores Ex Post?
Resposta: Inicialmente, França e Grã-Bretanha.
Comentário: França e Grã-Bretanha declararam guerra contra a Alemanha em 3 de setembro de 1939.

A última etapa deste primeiro momento é destacar qual ou quais organizações internacionais participaram deste evento? ONU? OTAN? A pergunta a fazer é:

5: Quais Organizações Internacionais se envolveram no conflito?
Resposta: A Grande Aliança Aliada, um consórcio bélico militar internacional, constituída de Grã-Bretanha, Estados Unidos e União Soviética.
Comentário: Se uniram para juntos fazer oposição à Alemanha.

RESUMO DESTE MOMENTO
Este primeiro momento levantou os seguintes questionamentos:

1: Quais eram os Atores Iniciais?
2: Quem era o Polo Ativo e o Polo Passivo?
3: Quem estava liderando (Chefe de Estado e/ou Comandante militar) esses Atores Iniciais?
4: Quais os Atores Ex Post?
5: Quais Organizações Internacionais se envolveram no conflito?

2: Motivação ou Justificativa Oficial dos Atores Iniciais para o Conflito

O segundo momento de nossa análise é levantar os primeiros dados sobre os atores iniciais. Devemos ter claro que uma invasão tem um porquê. A análise levanta dados e os interpreta. Logo, uma invasão é motivada e/ou justificada pelo polo ativo e essa informação, mesmo que falaciosa, serve como análise inicial, mesmo que depois seja descartada. Assim, a primeira pergunta a fazer é:

6: Qual a motivação ou justificativa oficial do Polo Ativo para o conflito?
Resposta: Ofensiva alemã à Polônia.
Comentário: Segundo discurso alemão, soldados poloneses atacaram a estação de rádio Gleiwitz, à época, na Alemanha. Essa é a justificativa oficial. NOTA: Sabe-se que na verdade soldados alemães, disfarçados de soldados poloneses, atacaram a estação de rádio para justificar uma invasão à Polônia.

Para fins didáticos, ainda que a resposta seja óbvia, fazemos pergunta análoga ao Polo Passivo. A pergunta a fazer é:

7: Qual a motivação ou justificativa oficial do Polo Passivo para continuar o conflito?
Resposta: Defesa de sua Soberania, em especial ao seu território.
Comentário: A resposta pode variar em termos, mas sempre se relaciona na defesa à provocação, ou, revidar à provocação.

RESUMO DESTE MOMENTO
Este segundo momento levantou os seguintes questionamentos:

6: Qual a motivação ou justificativa oficial do Polo Ativo para o conflito?
7: Qual a motivação ou justificativa oficial do Polo Passivo para continuar o conflito?

PARTE II – ANÁLISE CONTEXTUAL

Nesta parte vamos fazer um estudo das prováveis causas reais do conflito. Separamos em dois momentos. O primeiro referente aos recursos do país nomeado como Polo Passivo. Aqui vamos elencar uma série de itens que possam interessar e motivar a empreitada do Polo Ativo em direção ao Polo Passivo.

Em um segundo momento elencamos aspectos culturais que possam explicar o conflito entre os Atores Iniciais. Também abordamos aspectos históricos na relação entre os Atores Iniciais.

3: Vantagens e Desvantagens de Recursos dos Atores Iniciais

Este terceiro momento é crucial porque levanta dados para compor o quinto momento, o que também é composto com a ajuda do quarto momento, o que ao fim permite responder de fato qual a motivação real, e não aparente, para o conflito.

Com relação às vantagens e desvantagens temos que fazer uma lista de verificação. Após a pergunta apresentamos os itens e os comentários pertinentes a cada item. A pergunta a fazer é:

8: Qual dos seguintes recursos o Polo Passivo tem e pode interessar ao Polo Ativo?

I – TERRAS
A: Commodities: São bens primários, geralmente de origem agrícola ou mineral, produzidos em larga escala, com pouca diferenciação entre produtores e destinados ao comércio internacional. Exemplos petróleo, gás natural, minérios (ferro, cobre, ouro), café, cerais (trigo e soja, por exemplo). Por terem valor estratégico e serem essenciais para a economia global, as commodities estão no centro de inúmeros conflitos. Exemplo marcante é o petróleo no Oriente Médio, que esteve na raiz da Guerra do Golfo (1991), quando o Iraque invadiu o Kuwait em parte pela sua produção petrolífera e pelo acesso a reservas estratégicas. Outro caso é a disputa por diamantes e coltan na República Democrática do Congo durante a Segunda Guerra do Congo (1998–2003), onde milícias e governos vizinhos exploravam esses recursos para financiar a guerra. Já em tempos mais recentes, o gás natural tem alimentado tensões na Europa, principalmente pelo controle dos gasodutos russos que passam pela Ucrânia.

B: Território em localização estratégica: Necessária uma localização estratégica para as rotas comerciais e extração de recursos. Exemplo conhecido é do Oriente Médio, em especial o Golfo Pérsico, onde há constantes guerras e intervenções (como a Guerra Irã-Iraque e a Guerra do Golfo em 1991) devido à sua posição estratégica no comércio de petróleo. Sabe-se que o Havaí é território estadunidense porque está estrategicamente localizado no Oceano Pacífico.

C: Território extenso: Ponto fundamental para um Estado desenvolver suas atividades industriais e econômicas. É exemplo a conquista do Oeste nos Estados Unidos (século XIX) que levou a inúmeros conflitos contra povos indígenas e o México, resultando na incorporação, aos Estados Unidos de vastas áreas férteis e ricas em recursos naturais.

D: Terras para plantio: A agricultura é essencial para qualquer civilização. A expansão alemã na Segunda Guerra Mundial foi justificada pelo conceito de Lebensraum (espaço vital), ou seja, a busca de terras férteis no Leste Europeu para sustentar a população e produção agrícola.

E: Flora
A extração vegetal é fonte de riqueza; portanto, pode causar discórdias e lutas por isso. São exemplos os conflitos na Amazônia entre populações locais, madeireiros e até forças paramilitares os quais estão ligados à exploração ilegal de madeira e biodiversidade. Historicamente, a Guerra do Congo (1998–2003) também envolveu exploração de recursos florestais.

II – ÁGUAS
F: Recurso hídrico: Recurso essencial a qualquer civilização. A disputa pelo rio Jordão foi um dos fatores que alimentaram as tensões árabe-israelenses nas décadas de 1950 e 1960; já a questão do Nilo envolve Egito, Sudão e Etiópia até hoje, com tensões pela construção da Represa da Renascença.

G: Saída para o oceano: Essencial para uma economia mais forte e competitiva. É exemplo a Guerra Russo-Ucraniana (2022–) que tem entre seus fatores a busca da Rússia por manter influência sobre o acesso ao Mar Negro e ao porto estratégico de Sebastopol, na Crimeia.

H: Recursos marítimos: Importante recurso e fonte de renda, o que pode gerar conflitos. Além da saída ao oceano, a exploração pesqueira ou reservas submarinas de petróleo e gás já causaram disputas, a exemplo, a Guerra do Bacalhau entre o Reino Unido e a Islândia.

III – AR
I: Espaço aéreo: Importante para defesa e estratégias de ataque. Durante a Guerra Fria, crises como a dos mísseis de Cuba (1962) mostraram a importância do controle aéreo e da proximidade territorial para lançar e interceptar ataques. Hoje, disputas no Mar do Sul da China também envolvem a vigilância e controle do espaço aéreo regional.

IV – GEOGRAFIA
J: Clima favorável: Importante para um bom desenvolvimento da agricultura e da própria sociedade. O colonialismo europeu nas Américas e África foi impulsionado pela busca de regiões de clima propício ao cultivo de açúcar, algodão e café; casos do Caribe e do Brasil.

K: Relevo favorável: É elemento de defesa natural. O Afeganistão tem sido palco de guerras em parte devido ao seu relevo montanhoso, que torna o território estratégico para defesa e difícil de ser controlado, fator que complicou a invasão soviética (1979–1989) e a ocupação dos EUA (2001–2021).

V – SOCIEDADE
L: Energia (além de petróleo e gás): Fonte de maior riqueza do mundo. A busca por urânio, carvão ou lítio tem impulsionado disputas, já que são essenciais para energia nuclear, eletricidade ou baterias modernas.

M: Mão de obra/população: Aumento/incorporação de população tem uma série de vantagens, entre elas mão de obra barata. Guerras já foram travadas pela incorporação de povos, seja para ter mão de obra mais barata, seja para aumentar a base tributária, seja para dispor de maior contingência de soldados. O Império Romano, por exemplo, expandia também por esse motivo.

N: Rotas comerciais: Importante fator econômico. Controlar corredores logísticos sempre foi estratégico. Ex.: a disputa pelo Canal de Suez (1956) ou hoje pelo Mar do Sul da China.

Devemos construir uma Tabela com três colunas. Na coluna da esquerda colocamos os elementos que corresponda a “Sem interesse do Polo Ativo”; na coluna do meio colocamos os elementos que não temos certeza, com o título “Provável interesse” e na terceira e última coluna, colocamos os elementos que o Polo Ativo “Sim, tem interesse”. No nosso caso de estudo, temos:

Sem interesse do Polo AtivoProvável interesse do Polo Ativo Sim, Polo Ativo tem interesse
FloraCommoditiesTerras para plantio
Recurso hídricoSaída para o oceanoTerritório em localização estratégica
Recursos marítimosEspaço aéreoTerritório extenso
Clima favorávelEnergia (além de petróleo e gás)Mão de obra/população
Relevo favorávelRotas comerciais

RESUMO DESTE MOMENTO
Este segundo momento levantou os seguintes questionamentos:

8: Quais dos seguintes recursos o Polo Passivo tem e pode interessar ao Polo Ativo?

4: Contexto Cultural e Histórico entre os Atores Iniciais

Este quarto momento é igualmente crucial porque nos permite obter informações que podem ser relevantes para uma análise mais apurada a ser feita no momento 5. Alguns conflitos se explicam por questões culturais e outros por questões de historicidade. Vamos começar com a seguinte pergunta:

9: Quais dos seguintes aspectos culturais podem ter motivado a ação do Polo Ativo quanto ao conflito?

O: Identidade nacional/autodeterminação: Lutar pela própria liberdade é motivo histórico de conflitos. Confirmar e manter sua língua em detrimento de língua estrangeira pode causar conflitos. É exemplo a resistência dos povos bálticos à rusificação durante a dominação soviética. Não apenas ideologia, mas a defesa de um povo em ter seu Estado próprio, caso da Guerra de Independência da Argélia contra a França, ou os atuais conflitos ligados ao Curdistão.

P: Expansão e anexação de território por semelhança cultural: Um país que tenha cultura semelhante a outros países pode ter interesse em realizar uma anexação territorial. É o caso da a anexação dos Sudetos pela Alemanha nazista em 1938, sob o argumento de “proteger os alemães étnicos”.

Q: Diferenças Étnicas: Diferenças entre etnias é motivo para conflitos. Exemplo clássico é a Guerra da Ex-Iugoslávia, país que tinha 6 etnias.

R: Tradição Religiosa: Diferenças religiosas são motivos de grandes conflitos. Exemplo são as cruzadas.

Devemos construir uma Tabela com três colunas. Na coluna da esquerda colocamos os elementos que corresponda a “Não há essa influência”; na coluna do meio colocamos os elementos que não temos certeza, com o título “Provável influência” e na terceira e última coluna, colocamos os elementos que o Polo Ativo “Influência certa”. No nosso caso de estudo, temos:

Não há essa influênciaProvável influênciaInfluência certa
Tradição religiosaIdentidade nacional/autodeterminaçãoExpansão e anexação de território por semelhança cultural
Diferenças étnicas

NOTAS:
Tradição religiosa: Não foi um fator cultural de motivação para a invasão.
Identidade nacional/autodeterminação: A Alemanha usava o discurso de “reunir todos os alemães” em um só Estado, mas como justificativa política, não como necessidade real de autodeterminação, por isso está em “provável”.
Diferenças étnicas: A presença de minorias alemãs na Polônia foi explorada como argumento, mas era secundário frente ao expansionismo.
Expansão e anexação por semelhança cultural: Este foi o núcleo da motivação cultural nazista, assim como antes na Áustria (Anschluss) e nos Sudetos (1938).

Completado o ciclo cultural, vamos para o ciclo histórico. A seguinte pergunta deve ser feita:

10: Quais dos seguintes aspectos históricos podem ter motivado a ação do Polo Ativo quanto ao conflito?

S: Rancor Histórico: Mágoas históricas podem motivar um conflito, uma tentativa simultânea de vingança e reparação. Exemplo disso é a Alemanha na 2º Guerra Mundial. Neste ponto devemos considerar se o rancor é decorrente de episódio antigo (mais de 200 anos), de média temporalidade (entre 100-200 anos) ou recente (menos de 100 anos). Também devemos considerar se esse rancor é transmitido entre gerações ou ficou como uma recordação histórica.

T: Constrangimento Histórico: Uma humilhação mundial pode motivar um sentimento de vingança e querer mostrar superioridade. O exemplo anterior é cabível aqui, a Alemanha na 2º Guerra Mundial.

Devemos construir uma Tabela com três colunas. Na coluna da esquerda colocamos os elementos que corresponda a “Não há essa influência”; na coluna do meio colocamos os elementos que não temos certeza, com o título “Provável influência” e na terceira e última coluna, colocamos os elementos que o Polo Ativo “Influência certa”. Em cada caso vamos colocar sinais de “+” para identificar o grau. Três sinais de “+” indicam maior intensidade; dois sinais, indicam intensidade moderada, um sinal indica intensidade baixa e o sinal de “0” indica que não há presença desse parâmetro nos dias de hoje. No nosso caso de estudo, temos:

Não há essa influênciaProvável influênciaInfluência certa
Rancor histórico antigo (anteriores a 200 anos) → 0Rancor histórico de média duração (unificações e disputas germânicas do séc. XIX) → +Constrangimento histórico (Tratado de Versalhes, perda de territórios, imposições após 1918) → +++
Rancor histórico recente (humilhação pós-Primeira Guerra, “corredor polonês”, Danzig) → ++


NOTAS:
Rancor antigo: Sem relevância direta.
Rancor médio (séc. XIX): Tinha algum peso no nacionalismo, mas não foi o principal.
Constrangimento histórico: Fator central. A Alemanha foi profundamente humilhada após a Primeira Guerra e usou isso como combustível político.
Rancor recente: Igualmente forte, pois a devolução de Danzig e do “corredor polonês” eram reivindicações explícitas de Hitler.

RESUMO DESTE MOMENTO
Este quarto momento levantou os seguintes questionamentos:

9: Quais dos seguintes aspectos culturais podem ter motivado a ação do Polo Ativo quanto ao conflito?
10: Quais dos seguintes aspectos históricos podem ter motivado a ação do Polo Ativo quanto ao conflito?

5: Alianças e Estratégias Iniciais ao Conflito

Neste momento vamos identificar a entrada dos ATORES EX POST no conflito. Estes são aqueles que ingressam no conflito após eclodir o evento inicial. Devemos fazer algumas análises aqui. A primeira delas é analisar o tempo de resposta destes atores. Ou seja, quanto mais rápida a participação dos atores Ex Post, obviamente, maior é o interesse deles quanto ao rumo que o conflito vai tomar. Isso nos faz entender que o tempo de resposta dos atores Ex Post marca o grau de interesse no conflito e o destino que este vai tomar.

Outro ponto de relevância total é apontar de qual lado cada ator Ex Post está se posicionando. Devemos saber destacar se o fato de um ator estar apoiando um dos lados significa apoio a esse lado ou oposição ao lado contrário. Isso são coisas diferentes porque partem de motivações diferentes e essas análises nos ajudam a compor o cenário geopolítico.

Por fim, devemos ver que tipo de apoio é dado. Por exemplo, supondo que a ONU existisse nessa época (a ONU surgiu somente em 1945), qual seria seu papel? Obviamente de apaziguar ânimos. E outros atores EX Post, quais foram seus papéis? Formar alianças? Criar um grupo de ajuda bélica com outros atores Ex Post a algum dos atores iniciais, enviando armamentos? Criar um grupo de ajuda humanitária com outros atores Ex Post para amparar as consequências deste conflito, independentemente dos lados? Fazer uma aliança e operar belicamente junto a um dos atores iniciais? Todos estes pontos possuem sua relevância. A pergunta a ser respondida é:

11: Qual a motivação de entrada dos Atores Ex Post ao conflito? Apoiar uma das partes ou se opor a uma delas?
Resposta: França e Grã-Bretanha ingressaram ao conflito para se opor à Alemanha.
Comentário: França e Grã-Bretanha ingressaram ao lado da Polônia, não para protegê-la, mas sim para conter a Alemanha em sua expansão no continente europeu.

Por fim, uma última pergunta de relevância sobre o tempo de resposta destes países quanto à entrada no conflito. Quanto mais rápida a entrada maior o interesse no desenrolar do conflito. A pergunta a ser feita é:

12: Qual o tempo de resposta dos Atores Ex Post? A entrada foi (i) – imediata; (ii) – rápida; (iii) – ao longo do processo, em um momento ainda inicial ou (iv) – ao longo do processo já no transcurso deste, de forma tardia?
Resposta: França e Grã-Bretanha ingressaram de forma imediata.
Comentário: O ingresso imediato demonstra que o interesse desses países no desenrolar do conflito era muito grande.
Motivação: Oposição à Alemanha.

OUTROS ATORES EX POST
União Soviética: Ingressou em 17 de setembro de 1939, um ingresso rápido. Invadiu a Polônia para conter a expansão territorial e ocupar o território que lhe cabia conforme o pacto Molotov–Ribbentrop.
Motivação: Conter a expansão territorial

Itália: Ingressou em 10 de junho de 1940, ao lado da Alemanha, com o processo já em transcurso. Quando se entra em um confronto, de forma tardia, para apoiar quem está ganhando, o objetivo é obter alguma benesse. No caso da Itália sua pretensão era expansão territorial.
Motivação: Expansão territorial

Japão: Ingressou em 27 de setembro de 1940, ao lado da Alemanha, com o processo já em transcurso. De forma semelhante à Itália. Seu objetivo em apoiar a Alemanha era expansão territorial na Ásia e no Pacífico.
Motivação: Expansão territorial

Estados Unidos: Ingressou em 7 de dezembro de 1941, após ataque japonês a Pearl Harbor. Obviamente apoiou França, Grã-Bretanha e União Soviética (Rússia).
Motivação: Resposta direta.

Com estes dados vamos montar uma tabela com duas colunas onde no cabeçalho da primeira coluna vamos colocar o Polo Ativo, no caso, a Alemanha. No cabeçalho da segunda coluna o Polo Passivo, no caso a Polônia. Abaixo, em cada linha, vamos colocar os Atores Ex Post, um por linha. Para cada um destes Atores vamos colocar as seguintes informações:

1: Tempo de ingresso; se imediata: +++++; se rápida: ++++; se ao longo do processo, em um momento ainda inicial: +++; se ao longo do processo já no transcurso deste, de forma tardia: ++; se ao longo do processo já no transcurso deste, de forma tardia, em resposta a um ataque: +.
2: Registrar a motivação de cada um dos Atores.
3: Registrar a data de ingresso.

Neste caso, temos a Tabela que segue:

Polo Ativo – AlemanhaPolo Passivo – Polônia
Itália: Tempo: ++ (tardio)
Data: 10/06/1940
Motivação: Expansão territorial
França: Tempo: +++++ (imediato)
Data: 03/09/1939
Motivação: Oposição à Alemanha
Japão: Tempo: ++ (tardio)
Data: 27/09/1940
Motivação: Expansão territorial (Ásia e Pacífico)
Grã-Bretanha: Tempo: +++++ (imediato)
Data: 03/09/1939
Motivação: Oposição à Alemanha
União Soviética: Tempo: ++++ (rápido)
Data: 17/09/1939
Motivação: Conter expansão territorial e ocupar sua parte no território
Estados Unidos → Tempo: + (tardio)
Data: 07/12/1941
Motivação: Resposta direta ao Japão

Até este ponto é possível fazer uma análise na forma de previsão e expectativas iniciais do conflito. Os próximos pontos se referem já ao transcurso e consequências do conflito.

RESUMO DESTE MOMENTO
Este quinto momento levantou os seguintes questionamentos:

11: Qual a motivação de entrada dos Atores Ex Post ao conflito? Apoiar uma das partes ou se opor a uma delas?
12: Qual o tempo de resposta dos Atores Ex Post? A entrada foi (i) – imediata; (ii) – rápida; (iii) – ao longo do processo, em um momento ainda inicial ou (iv) – ao longo do processo já no transcurso deste, de forma tardia?

PARTE III – ANÁLISE DEDICADA

Nesta parte vamos analisar o caso em perspectiva. Já temos os dados iniciais e os dados contextuais e vamos afinar nossa análise fazendo as devidas interpretações a partir de premissas que ajudam, mas não necessariamente completam a análise. Vamos apresentar somente de forma sumária cada item.

6: Desenvolvimento do Conflito

Aqui, no caso de análise em tempo real, anotar os eventos de maior relevância e buscar fazer uma análise que concorde com a análise feita até então. Quanto mais detalhes, melhor.

7: Impactos Geopolíticos, Econômicos, Sociais, Culturais, Humanitários e sobre o Meio Ambiente

De forma semelhante ao momento anterior, devemos anotar os impactos causados pelo conflito.

8: Desfecho

Este é o momento que marca o fim do conflito. Anotar os pontos de relevância, considerando, análise em tempo real.

9: Consequências e Legado Histórico

Anotar as consequências do conflito e o que se aprendeu com isso, não somente em questões éticas, mas aspectos que se remetam à tecnologia e à biomedicina.

10: Infográfico

Infográfico: Roteiro Prático para Compreender Guerras
Infográfico: Roteiro Prático para Compreender Guerras