USD: R$ 5,23
BTC: R$ 377.532,15
EUR: R$ 6,08
GBP: R$ 7,00

Mahatma Gandhi

Mahatma Gandhi
Mahatma Gandhi

1: Apresentação

Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido mundialmente como Mahatma Gandhi, em sânscrito significa “Grande Alma”, nasceu em 2 de outubro de 1869, em Porbandar, na região de Gujarat, na Índia. Filho de uma família tradicional, estudou Direito em Londres, na University College London, e tornou-se advogado. Trabalhou na África do Sul, onde enfrentou a discriminação racial e iniciou sua trajetória política e filosófica, desenvolvendo os princípios da ahimsa (não-violência) e da satyagraha (força da verdade).

De volta à Índia, tornou-se o principal líder da luta pela independência contra o domínio britânico, organizando campanhas de desobediência civil, boicotes e marchas pacíficas, como a célebre Marcha do Sal em 1930. Pregava a resistência sem violência, a harmonia entre religiões e a simplicidade de vida. Foi assassinado em 30 de janeiro de 1948, em Nova Délhi, por um extremista Hindu. Sua vida e pensamento marcaram o século XX e continuam a inspirar movimentos de justiça e paz em todo o mundo.

A seguir, discurso proferido ante Hindus, Muçulmanos e Cristãos, na época da Partição da Índia, no ano de 1947.

2: Discurso

REFERÊNCIA: O discurso foi registrado e está disponível no site oficial de Gandhi, Mahatma Gandhi’s Official Website.

“Meus irmãos e minhas irmãs,

O que se passa em nossa terra é motivo de profunda dor. Hindus, Muçulmanos, Sikhs e Cristãos, todos filhos da mesma Índia, erguem armas uns contra os outros. Sangue corre nas ruas de Calcutá, de Punjab, de Bihar, de tantas aldeias. E me perguntam: Qual é a minha posição diante desta violência?

Digo-lhes, então, com toda a sinceridade do meu coração: não estou preparado para matar, mas estou preparado para morrer.

Não tenho ódio contra o Muçulmano, não tenho ódio contra o Hindu, não tenho ódio contra o Cristão. Cada religião é para mim um caminho até Deus. E se me pedirem que levante a mão para tirar a vida de um só destes meus irmãos, eu não o farei. Mas se for preciso entregar a minha vida para impedir que outro homem seja morto, entregá-la-ei de bom grado.

Pois de que vale a independência da Índia, se ela for erguida sobre cadáveres de inocentes? De que vale a liberdade, se não aprendemos a ser livres do medo e do ódio?

Alguns dizem: ‘Gandhi, tua palavra é inútil diante da violência.’ Mas eu vos digo: se todos nós aceitássemos morrer sem matar, a violência não teria força. É a vingança que alimenta o fogo; é o perdão que o apaga.

Sei que minhas palavras parecem fracas diante da espada. Mas o que é mais poderoso: a espada que corta a carne, ou a alma que não se dobra diante da injustiça? Se a Índia escolher o caminho da não-violência, ela se tornará luz para o mundo inteiro.

Que cada um aqui presente examine o próprio coração. Antes de apontar o dedo para o outro, perguntem-se: ‘Que espírito eu alimento dentro de mim? É o espírito da fraternidade, ou o espírito da vingança?’

Eu vos convido: parem com os massacres. Não manchemos com sangue o solo que é sagrado a todos nós. Que Hindus protejam Muçulmanos. Que Muçulmanos protejam Hindus. Que Cristãos, Sikhs e todos os demais se levantem não para ferir, mas para salvar.

Se conseguirmos, mesmo no meio da escuridão, estender a mão ao nosso vizinho de outra fé, então Deus caminhará conosco.

Eu repito: prefiro morrer sem violência do que viver manchado pelo sangue de outro homem. Se meu corpo cair, que caia como semente de paz. Pois acredito que da não-violência brotará a verdadeira independência desta nação.”