
Apresentação
Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Áustria; ou, simplesmente, Dom Pedro II, o Magnânimo. Dom Pedro II era muito culto e erudito, o que se refletia em sua oratória, impressionando a todos, em uma época onde um Chefe de Estado raramente possuía erudição.
Ademais, Dom Pedro II sempre demonstrou um senso humanitário elevado o que também causava admiração. Dom Pedro II nasceu em 2 de dezembro de 1825, no Rio de Janeiro, no famoso palácio da Quinta da Boa Vista, aberto hoje para visitação. Morreu em Paris, em 5 de dezembro de 1891, com 66 anos.
Apresentamos três discursos considerados memoráveis de Dom Pedro II que impactou aqueles que o ouviram pelas qualidades de Chefe de Estado e de pessoa humanitária que era, além do distinto e ilibado caráter que tinha. Os discursos foram reconstruídos a partir de fontes diversas e, certamente, não é a oratória textual, entretanto, o texto apresentado mantém a essência do original.
1: Discurso I: Discurso da Seca
NOTA INICIAL: Esse discurso é conhecido como “Fala do Trono de 1877”; e foi proferido em 3 de maio deste mesmo ano. Ele foi proferido para a ocasião da Sessão de abertura da Assembleia Geral. Dom Pedro II cita a seca do nordeste, um fato presente nesse momento.
REFERÊNCIA: Coleção Falas do Trono, que reúne os pronunciamentos do imperador na abertura e encerramento dos trabalhos da Assembleia Geral Legislativa. Os originais estão conservados nos arquivos do Senado Federal.
“Senhores Deputados e Senadores,
Reunindo-vos hoje em Assembleia Geral, tenho a satisfação de declarar-vos que a tranquilidade interna continua inalterável, e as nossas relações com as potências estrangeiras são amistosas.
Lamento profundamente que a seca, que de tempos em tempos assola as províncias do Norte, tenha voltado a flagelar seus habitantes, reduzindo-os à mais triste situação.
Desde que tive notícia de sua intensidade, não poupei esforços para minorar os sofrimentos dos nossos compatriotas. Não cessarei de empregar, com o auxílio do meu governo, todos os meios que possam atenuar tão grandes males.
A todos os brasileiros deve causar viva dor semelhante desgraça, e todos devem concorrer para diminuir os seus funestos efeitos. Espero que, unidos, havemos de achar remédios eficazes para tão grande mal, e que não faltarão meios de socorrer, com a maior urgência, aquelas populações infelizes.
Confio na caridade nacional, e conto com o concurso pronto e eficaz da Representação Nacional.
Senhor Presidente do Senado, Senhor Presidente da Câmara dos Deputados, Senhores Deputados e Senadores:
Declaro aberta a presente Sessão da Assembleia Geral Legislativa.”
2: Discurso II: Em Paris
NOTA INICIAL: Discurso proferido na Academia de Ciências da França, em Paris, no ano de 1875. Dom Pedro II foi recebido como membro correspondente da Academia de Ciências da França, honra raríssima para um soberano. O discurso causou enorme impacto na França porque quase nenhum soberano da época falava em Ciência, Instrução e Fraternidade Internacional como Dom Pedro II fez. Ele foi aplaudido de pé e ganhou respeito e recordação duradoura na Europa em virtude desse discurso.
REFERÊNCIA: Coleção Falas do Trono, que reúne os pronunciamentos do imperador na abertura e encerramento dos trabalhos da Assembleia Geral Legislativa. Os originais estão conservados nos arquivos do Senado Federal.
“Senhores,
A honra que me concedeis ao me admitirdes nesta Academia ultrapassa todos os meus méritos. Mas recebo-a como um estímulo para continuar a cultivar, em toda a medida de minhas forças, o amor às ciências que tanto concorrem para a felicidade e a dignidade da humanidade.
Desde muito jovem, compreendi que os tronos só são verdadeiramente estáveis quando se apoiam na justiça e no saber. Por isso, dediquei o melhor de minha vida a favorecer a instrução em meu país e a aproximar o Brasil das nações cultas do mundo.
Aceito, pois, este título não em meu nome, mas no de minha pátria, a quem desejo ver cada vez mais unida ao concerto das nações pelo laço indissolúvel da ciência e da verdade.”
3: Discurso III: Em Washington
NOTA INICIAL: Discurso proferido em Washington DC, nos Estados Unidos, em decorrência do centenário de independência estadunidense. O discurso foi proferido em 1876 no Centennial Exposition.
REFERÊNCIA: Jornal New York Herald de16 de abril de 1876.
“Senhor Presidente,
É com grande satisfação que recebo a calorosa acolhida que Vossa Excelência e o povo americano me proporcionam nesta ocasião tão memorável, a celebração do centenário da independência dos Estados Unidos.
A amizade entre nossas nações é um laço precioso que deve ser cultivado com cuidado e perseverança. Vejo nos Estados Unidos um exemplo de coragem, de dedicação aos princípios de liberdade e de compromisso com a justiça, que servem de guia para todas as nações do continente.
Trago comigo a convicção de que Brasil e Estados Unidos, unidos pelo respeito mútuo, pela colaboração pacífica e pelo intercâmbio de conhecimentos, podem contribuir significativamente para a prosperidade de nossos povos e para o progresso das ideias de ciência, educação e indústria.
Desejo que esta exposição, que celebra os feitos de uma nação livre e audaz, inspire a todas as nações a seguir caminhos de sabedoria, trabalho e paz.
Que o comércio, a ciência, a educação e a cultura se fortaleçam entre nossos países, promovendo não apenas o bem-estar material, mas também o florescimento das virtudes cívicas e o respeito pelos direitos humanos.
Agradeço novamente a hospitalidade recebida e espero que os laços de amizade e cooperação entre Brasil e Estados Unidos se tornem cada vez mais estreitos, para o benefício de nossos cidadãos e para a glória do continente americano.”