* Artigo baseado em pesquisa
1: Introdução
Empatia, palavra muito usada nos dias de hoje que sugere que alguém consegue se colocar no lugar de outra pessoa. Terminologia de uso corrente em uma sociedade agitada, múltipla de contatos, mas sem profundidade nas relações humanas, o que nos torna, muitas vezes, seres carentes de afeição e, de forma egoísta e não por altruísmo, somos empáticos. Bem, essa era uma das visões reinantes sobre a empatia até então.
A explicação ou explicações mais clássicas sobre a empatia falam dessa forma de interação como meio social de explicá-la. Os conceitos de empatia eram atrelados, quase que totalmente, a questões sociais. Entretanto, uma pesquisa pode ter mudado esse conceito e ainda mais, sua origem.
2: Empatia como Elemento Social
A empatia é uma palavra recente. Sua origem vem do inglês emphaty. Esta, por sua vez, vem do alemão; Einfühlung que significa algo como “Sentir dentro”. O termo foi cunhado por Robert Vischer em sua tese “On the Optical Sense of Form: A Contribution to Aesthetics”; em 1873 que buscava descrever a projeção dos sentimentos e sensações humanas em formas ou objetos estéticos. Daí que seu uso inicial era para fins estéticos [ 1 ].
Entretanto, no fim do século XIX e início do século XX, filósofos e psicólogos deram nova perspectiva à palavra alemã Einfühlung. Eles buscaram utilizá-la para a interação humana, como forma de entender como os seres humanos percebemos os sentimentos dos outros seres humanos [ 2 ].
O psicólogo e filósofo alemão Theodor Lipps, enunciou um conceito que até hoje permanece, ele afirmou que por meio da empatia somos capazes de perceber a existência de outras mentes. O austríaco Freud também se valeu da empatia para poder compreender como se dava a transferência de sentimentos entre paciente e analista em uma seção [ 3 ].
No século XX o estudo de empatia se consolidou. Hoje ela é estudada como áreas da Psicologia, psicologia do desenvolvimento, psicologia clínica e, para nosso caso em específico, a psicologia social.
É nesse viés que vamos começar a análise, pela psicologia social. Edmund Husserl trata a empatia como algo fundamental para a constituição do mundo social. Ele afirma que é pela empatia que conseguimos nos ver e nos reconhecer como sujeitos que partilhamos um mundo comum. Ainda segundo Husserl, é isso que forma a base da vida social [ 4 ].
Daniel Batson tem uma abordagem um pouco diferente. Para ele a empatia por outra pessoa é uma motivação em ajudar essa pessoa, sem esperar um retorno, ou um benefício. Assim, segundo sua visão, a empatia não é somente um sentimento isolado, mas comporta aspectos de ação social, como colaboração e responsabilidade mútua [ 5 ].
O estudo de Rizzolatti e Craighero (2004) demonstrou que o cérebro humano possui uma série de redes neurais dedicadas à empatia, chamadas de “neurônios-espelho”, descobertas na década de 1990. Essas redes passam a se tornar ativas quando nós mesmos vivenciamos uma emoção ou ainda, quando presenciamos outra pessoa vivenciá-la. Isso cria um reflexo emocional compartilhado, onde a pessoa que assiste se identifica (emocionalmente) com a situação em si e com a pessoa, o que é fundamental para a coesão social. Por isso não raro a empatia é considerada como um cimento social [ 6 ].
Já Hollan e Throop afirmam que a empatia é uma prática social aprendida [ 7 ]. Essa conceituação é muito difundida e aceita no meio acadêmico e fora dele. Entretanto, uma nova proposta pode mudar nossa percepção de empatia.
3: Empatia como herança de berço do Ser Humano
O estudo feito pelo Department of Developmental and Comparative Psychology, Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, Leipzig, Alemanha; através dos pesquisadores Felix Warneken e Michael Tomasello; sob o título “Altruistic Helping in Human Infants and Young Chimpanzees” publicado no Jornal Science, volume 311, número 5765, páginas 1301-1303; em março de 2006 com DOI: 10.1126/science.1121448; sugere outra perspectiva para a aprendizagem da empatia. Para acessar o artigo, basta clicar ao lado [ 8 ]. ACESSAR
Nos estudos e conceitos anteriores a visão que se tinha para a aprendizagem da empatia era, em suma, uma aprendizagem, uma construção de cunho social. A apreensão da empatia era fruto de uma necessidade egoísta de fazer parte de um grupo ou de ser aceito por alguém.
No estudo de Warneken e Tomasello; cujo título pode ser traduzido para o português como Ajuda altruísta em bebês humanos e jovens chimpanzés; eles demonstraram que a empatia é algo que reside intrínseca na própria natureza humana. Não existe a necessidade de aprendê-la, visto estar latente em todo ser humano. Apresentamos uma versão traduzida ao português do Brasil, em anexo.
Para chegar a essa conclusão os pesquisadores utilizaram bebês de 18 meses que, socialmente, ainda não estruturaram uma aprendizagem, estando elas em fase pré-linguística ou apenas linguística. Os bebês presenciaram situações em que adultos precisavam ser ajudados e, de forma muito espontânea, a maioria dos bebês foram ajudar em um tempo relativamente curto.
Para os pesquisadores isso demonstra que a empatia não é uma construção social e sim uma expressão nativa de todo ser humano. Na verdade, não só no ser humano, porque o teste foi realizado com bebês chimpanzés e, com algumas pequenas variações nos resultados, estes foram semelhantes. Segundo Warneken e Tomasello a empatia está presente nos seres vivos de forma inata, sem necessidade de uma aprendizagem social para exercê-la.
Apresentamos, na sequência, um vídeo que mostra os testes reais conduzidos pelos pesquisadores. Do próprio site do Instituto Max Planck podemos baixar os vídeos no seguinte endereço: https://www.eva.mpg.de/psycho/publications-and-videos/study-videos/ [ 9 ]. ACESSAR
O vídeo abaixo foi extraído do seguinte endereço: https://www.youtube.com/watch?v=Z-eU5xZW7cU; com acesso em 9 de outubro de 2025 [ 10 ]. ACESSAR
4: Implicações práticas do estudo – Resenha
Comum ouvir que o ser humano é fruto do meio, e aqui não nos referimos no sentido de Jacques-Rousseau, mas no sentido expresso por Émile Durkheim; onde, para ele, a sociedade é anterior e superior ao homem sendo este um produto daquela.
Para Durkheim, são as normas, os valores e as crenças coletivas, estes exteriores ao homem e coercitivas a ele, que formam o indivíduo. Entendemos que isso não é assim. O estudo de Warneken e Tomasello mostraram que a empatia, mas não só, o altruísmo, são elementos sociais que existem de forma latente no ser humano.
Se alguém nos perguntar se a sociedade tem influência no comportamento humano, diremos, que sim! A sociedade influencia o ser humano, mas temos nossa própria natureza e liberdade para eleger nosso próprio caminho, escolher nossos passos. Na poesia O Menestrel, adaptação da poesia “Comes the Dawn” ou “After a While” de Veronica Shoffstall, temos:
“Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.”
O ambiente e a sociedade nos influenciam, mas a escolha sempre cabe a cada um de nós. Quando passamos a pensar que o ser humano possui, genuinamente e de forma inata, uma natureza virtuosa isso nos faz refletir em alguns pontos.
O primeiro é ter que provar nossa afirmação. Pois bem, o estudo de Warneken e Tomasello já é, per se, uma prova que antes da aprendizagem social já temos valores humanos os quais já se expressam no próprio meio social. Isso já permite colocar em questionamento a visão de Durkheim. Não se trata de negar a força do social, mas de reposicionar a natureza humana como participante ativa, e não mero produto da sociedade.
Outro ponto muito interessante é sobre o racismo. Adultos são racistas, crianças não. Crianças brancas, negras, azuis ou amarelas brincam entre si, sem a mínima distinção racial. De onde vem o racismo? Certamente não vem da natureza inata das crianças que, de forma muito natural, convivem com todas as demais crianças.
Um acento mais pronunciado nas crianças nos permite ver que elas têm um comportamento quando bebês e que esse comportamento vai se alterando conforme os anos de aprendizagem chegam. As diferenças de comportamento são maiores na mesma proporção em que a idade avança.
Entretanto, ao contrário, quanto mais tenra a idade, mais similares são as suas ações. E não nos referimos a bebês que não interagem ou que pouco interagem com o meio exterior, estamos nos referindo a crianças entre 1 e 2 anos. Existe certa similaridade de comportamento entre elas.
O estudo proposto pelos pesquisadores Warneken e Tomasello nos trazem esse alerta onde podemos invocar, ainda que por meio de hipótese, que a natureza humana possui uma herança única e que a aprendizagem e, principalmente, as experiências sociais nos fazem falsear essa herança comportamental.
REFERÊNCIAS
[ 1 ]: Vischer, Robert (1873). On the Optical Sense of Form: A Contribution to Aesthetics. In Empathy, Form, and Space. Problems in German Aesthetics, 1873-1893. Harry Francis Mallgrave and Eleftherios Ikonomou (eds., trans.). Santa Monica, California: Getty Center for the History of Art and the Humanities. 1994. pp. 89–123. ISBN 978-0-892-36259-2.
[ 2 ]: Stueber, Karsten, “Empathy”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Winter 2025 Edition), Edward N. Zalta & Uri Nodelman (eds.), forthcoming URL = <https://plato.stanford.edu/archives/win2025/entries/empathy/>
[ 3 ]: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7628894/
[ 4 ]: https://www.scielo.br/j/se/a/N6jTxPqn9JFJzTfPTH9H8fv/?format=html&lang=en
[ 5 ]: Batson, C. D., Early, S., & Salvarini, G. (1997). “Assumindo perspectiva: imaginar como o outro se sente versus imaginar como você se sentiria”.
Boletim de Personalidade e Personalidade Social , 23, 751–758.
[ 6 ]: Rizzolatti, G., & Craighero, L. (2004). The mirror-neuron system. Annual Review of Neuroscience.
[ 7 ]: Hollan, D., & Throop, C. J. (2008). Whatever Happened to Empathy? Ethos, 36(4), 385–401.
[ 8 ]: https://www.eva.mpg.de/documents/AAAS/Warneken_Altruistic_Science_2006_1555118.pdf
[ 9 ]: https://www.eva.mpg.de/psycho/publications-and-videos/study-videos/
[ 10 ]: https://www.youtube.com/watch?v=Z-eU5xZW7cU
ANEXO
Versão em Português do Brasil do Artigo “Altruistic Helping in Human Infants and Young Chimpanzees“.
Ajuda Altruísta em Bebês Humanos e Chimpanzés Jovens
Felix Warneken* and Michael Tomasello
* Department of Developmental and Comparative Psychology, Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, Deutscher Platz 6, 04103 Leipzig, Germany.
*To whom correspondence should be addressed. E-mail: warneken@eva.mpg.de
www.sciencemag.org SCIENCE VOL 311 3 MARCH 2006
Os seres humanos rotineiramente ajudam os outros a atingir seus objetivos, mesmo quando quem ajuda não recebe nenhum benefício imediato e a pessoa ajudada é um estranho. Tais comportamentos altruístas (em relação a não parentes) são extremamente raros em termos evolutivos, com alguns teóricos até propondo que sejam exclusivamente humanos. Aqui, mostramos que crianças humanas com apenas 18 meses de idade (pré-linguísticas ou apenas linguísticas) ajudam os outros com bastante facilidade a atingir seus objetivos em uma variedade de situações diferentes. Isso requer tanto uma compreensão dos objetivos dos outros quanto uma motivação altruísta para ajudar. Além disso, demonstramos habilidades e motivações semelhantes, embora menos robustas, em três jovens chimpanzés.
Ajudar é um fenômeno extremamente interessante, tanto cognitiva quanto motivacionalmente. Cognitivamente, para ajudar alguém a resolver um problema, é preciso saber algo sobre o objetivo que o outro está tentando alcançar, bem como sobre os obstáculos atuais a esse objetivo. Motivacionalmente, esforçar-se para ajudar outra pessoa — sem benefício imediato para si mesmo — é custoso, e tal altruísmo (para com não parentes) é extremamente raro em termos evolutivos. De fato, alguns pesquisadores afirmam que os humanos são altruístas de maneiras que nem mesmo nossos parentes primatas mais próximos são. Um método poderoso para testar essa ideia é comparar diretamente bebês humanos e nossos parentes primatas mais próximos (chimpanzés) em sua propensão a ajudar. Tal comparação pode nos permitir distinguir aspectos do altruísmo que já estavam presentes no ancestral comum de chimpanzés e humanos de aspectos do altruísmo que evoluíram apenas na linhagem humana. Até o momento, nenhum estudo experimental testou sistematicamente bebês humanos e chimpanzés em um conjunto semelhante de situações de ajuda.
Diversos estudos demonstraram que crianças pequenas demonstram preocupação (empatia) por outras pessoas em sofrimento. Crianças em idade pré-escolar e até mesmo bebês (1 a 2 anos de idade) ocasionalmente tentam responder às necessidades emocionais de outras pessoas, por exemplo, confortando alguém que está chorando (1–10). Em contraste, não há estudos experimentais com bebês que tenham investigado sistematicamente a ajuda instrumental — fornecer ajuda a pessoas que enfrentam um problema instrumental e não conseguem alcançar seu objetivo (11–13).
No presente estudo, apresentamos a 24 bebês de 18 meses de idade 10 situações diferentes nas quais um adulto (um experimentador do sexo masculino) estava tendo problemas para atingir um objetivo. Essa variedade de tarefas apresentou às crianças uma variedade de dificuldades em discernir o objetivo do adulto e seus problemas para alcançá-lo. Essas situações se enquadraram em quatro categorias: objetos fora de alcance, acesso impedido por um obstáculo físico, alcançar um resultado errado (corrigível) e usar um meio errado (corrigível) (Tabela 1) (filmes S1 a S4). Para cada tarefa, havia uma
tarefa de controle correspondente na qual a mesma situação básica estava presente, mas sem nenhuma indicação de que isso fosse um problema para o adulto (14). Isso garantiu que a motivação do bebê
não fosse apenas restabelecer a situação original ou fazer com que o adulto repetisse a ação, mas
sim, ajudar o adulto com seu problema. Após a ocorrência do problema em cada tarefa (por exemplo, queda de marcador no chão), havia três fases: o experimentador focava apenas no objeto (1 a 10 s), depois alternava o olhar entre o objeto e a criança (11 a 20 s) e, além disso, verbalizava seu problema enquanto continuava a alternar o olhar (por exemplo, marcador BMy

Fig. 1. Porcentagem média de comportamentos-alvo em função da tarefa e da condição. Em tarefas com múltiplas tentativas, a porcentagem média de tentativas com comportamento-alvo por número total de tentativas foi calculada para cada indivíduo. Testes t de amostras independentes (df 0,22) revelaram diferenças significativas entre as condições para as tarefas Bola de papel (t 0,4,30, PG 0,001), Marcador (t 0,2,70, PG 0,05), Prendedor de roupa (t 0,4,38, PG 0,001), Livros (t 0,2,33, PG 0,05) e Armário (t 0,3,08, PG 0,01). Para a tarefa Tampa lateral com apenas uma tentativa por indivíduo, calculamos o teste exato de Fisher (N 0,24, PG 0,05). Nessas seis tarefas, as crianças realizaram o comportamento-alvo significativamente mais frequentemente na condição experimental do que na condição de controle. Não houve diferença entre as condições para as tarefas Clipes (t = 1,04, P = 0,31), Boné, Cadeira e Ferramenta, testes exatos de Fisher (N = 24), P = 1,0, P = 0,48 e 0,22, respectivamente. As barras de erro representam EP; *PG = 0,05.
Os chimpanzés ajudaram em algumas das tarefas (filmes S5 a S8). Todos os três chimpanzés ajudaram de forma confiável nas cinco tarefas envolvendo alcançar: Em todos os testes, os chimpanzés conseguiram recuperar objetos para o humano de 0 a 13 vezes tanto na condição experimental quanto na de controle.
As pontuações dos três indivíduos (experimental, controle) foram as seguintes: Alex, 5, 0; Alexandra, 10, 3; Annet, 9, 0 (cada par é significativamente diferente de uma distribuição aleatória: Teste exato de Fisher, P 0 0,039; P 0 0,017, P 0 0,0005, respectivamente). Como era mais difícil controlar o comportamento dos chimpanzés do que o das crianças, o humano teve que chamar cada um pelo nome para prestar atenção
com mais frequência e mais cedo no processo. No entanto, quando os chimpanzés ajudaram, eles o fizeram relativamente rápido (latência média de 0 12,9 s para alcançar o objeto), com cada um dos três indivíduos ajudando a humana de 4 a 7 vezes em todas as tarefas antes que ela verbalizasse alguma coisa. Assim como os bebês humanos, eles o fizeram sem receber nenhum benefício (recompensa ou
elogio) pela ajuda (embora mantivessem o objeto em sua posse por alguns segundos antes de entregá-lo com mais frequência do que as crianças).
No entanto, os chimpanzés não ajudaram o humano de forma confiável nos outros tipos de tarefas — isto é, naquelas que envolviam obstáculos físicos, resultados errados ou meios errados. Em um estudo de acompanhamento, demos a eles duas tarefas adicionais desses tipos — projetadas para tornar o problema humano especialmente saliente e com mais tempo para uma resposta — e eles ainda não ajudaram nessas tarefas (14). Presumivelmente, quando alguém estende o braço em direção a um objeto, o objetivo é, em princípio, mais fácil de entender e o tipo de intervenção segue diretamente. Isso poderia explicar por que tarefas fora do alcance (em contraste com os outros cenários) provocaram mais ajuda de crianças e os únicos casos de ajuda de chimpanzés. Crianças e chimpanzés estão dispostos a ajudar, mas parecem diferir em sua capacidade de interpretar a necessidade de ajuda do outro em diferentes situações.
Esses resultados experimentais demonstram ajuda instrumental (em direção a objetivos) em um primata não humano. É possível que comportamentos de ajuda sejam mais prováveis quando envolvem objetos que não são alimentos, e que isso explique por que obtivemos resultados positivos enquanto outros, usando tarefas diferentes envolvendo alimentos, encontraram resultados negativos. Deve-se notar também que os chimpanzés do estudo atual, diferentemente daqueles em (21, 22), estavam ajudando não um membro da mesma espécie, mas um humano. Isso pode ser importante porque os chimpanzés são extremamente competitivos entre si (24, 25), mas quando crescem interagindo com humanos, parecem desenvolver também algumas habilidades e motivações mais cooperativas. Embora nossos chimpanzés tenham sido recompensados no passado por entregar aos humanos objetos que já possuíam mediante solicitação, eles não foram encorajados a recuperar, nem recompensados por recuperar, objetos fora do alcance dos humanos.
Os bebês humanos ajudaram muito mais, e o fizeram por um adulto que acabaram de conhecer (que claramente não era parente). Vale ressaltar que eles ajudaram em quatro tipos diferentes de situações, enquanto os chimpanzés ajudaram em apenas uma. Isso pode ser devido a uma maior propensão a ajudar crianças ou às habilidades cognitivas mais sofisticadas das crianças em discernir o objetivo do outro em uma variedade de situações diferentes. Bebês de 18 meses de idade são muito jovens para receber muito incentivo verbal dos pais para ajudar. No entanto, mesmo que tivessem recebido algum incentivo prévio, muitas das tarefas atuais seriam desconhecidas para eles, e o destinatário da ajuda também era um adulto desconhecido. De qualquer forma, visto de uma perspectiva evolutiva mais ampla, o fato de que pais humanos incentivam seus filhos a ajudar os outros e que as crianças obedecem ajudando (mesmo antes de serem linguísticas) é notável como o ensino e a aprendizagem de normas pró-sociais.
Vários teóricos têm afirmado que os seres humanos cooperam entre si e se ajudam mutuamente (especialmente os não aparentados) de maneiras não encontradas em outras espécies animais (26–28). Isso é quase certamente verdade, e os resultados atuais demonstram que mesmo crianças muito pequenas têm uma tendência natural a ajudar outras pessoas a resolver seus problemas, mesmo quando o outro é um estranho e elas não recebem nenhum benefício.
No entanto, nossos parentes primatas mais próximos também demonstram algumas habilidades e motivações nessa direção, o que sugere que o ancestral comum aos chimpanzés e aos humanos já possuía alguma tendência a ajudar antes que os humanos iniciassem seu caminho singular de hipercooperação (25, 29).