* Artigo baseado em pesquisa
1: Introdução
A lógica nos diz que de nada serve apresentar um problema se não apresentamos a solução. No Artigo anterior demonstramos, na visão do editorial, qual a maior fraqueza humana. Por meio de argumentação e citação de fontes, que amparam nossa visão, conseguimos fundamentar nosso viés. Para ler o Artigo, é só clicar ao lado. ACESSAR
O Ser Humano é um todo completo. Isso serve para tudo. Assim, não existe uma fórmula única e mágica que nos permita superar adversidades. Cada caso é um caso e ele deve ser analisado conforme a situação em si.
Nesta toada apresentamos algumas propostas que permitam ao Ser humano o exercício de sua confiança e segurança. Insegurança; medos e ansiedades são alguns dos elementos que dificultam a expressão espontânea do Ser Humano.
Assim, trazemos uma abordagem multidisciplinar que em uma ação conjunta podem contribuir para que possamos exercer nossa Liberdade de Expressão e nossa espontaneidade. Selecionamos alguns critérios biomédicos, culturais e psicológicos que entendemos ser efetivos para superar a insegurança humana.
Não se trata de uma abordagem isolada, mas de fatores conjuntos que, uníssonos, permitem uma ação global e mais eficaz. Para isso utilizamos as melhores referências em cada assunto para elaborar o presente Artigo, todos eles comentados e disponibilizados para o acesso do nosso leitor.
Antes de aprofundar o tema central deste estudo, é importante esclarecer a lógica da sequência adotada. Optou-se por iniciar a análise pelos aspectos biomédicos, pois são eles que estabelecem a base fisiológica e química das emoções humanas, permitindo compreender como desequilíbrios hormonais, nutricionais ou neuroquímicos influenciam sentimentos de medo e insegurança.
Em seguida, o enfoque se desloca para a dimensão cultural, onde o ser humano, inserido em grupos e tradições, expressa e transforma suas emoções por meio da arte, da música, do esporte e da convivência social. Estes, como elementos essenciais na construção da confiança e do pertencimento.
Por fim, o percurso culmina na dimensão psicológica, onde os aspectos internos, como o autoconhecimento e o processo de individualização, integram e dão sentido às dimensões anteriores. Essa ordem reflete a interdependência e, ao mesmo tempo, a interrelação, entre corpo, cultura e mente, fundamentais para compreender a insegurança humana em sua totalidade e conseguir superá-la.
2: Uma Visão Técnica
2.1: Visão Geral
Sabe-se que o sistema hormonal e a ausência de vitaminas e sais minerais e a presença em excesso de alguns metais pode alterar nossos sentimentos, emoções, pensamentos e, por consequência, nossas ações e motivações. Muito se fala dos quatro hormônios da felicidade: serotonina, dopamina, endorfina e ocitocina. Também é comum afirmar que radicais livres nos perturbam em aspectos psicológicos e que a vitamina E pode reduzir esses níveis.
Quanto aos hormônios eles desempenham papéis centrais na regulação do humor, motivação e bem-estar, sendo fundamentais para a homeostase orgânica e homeostase emocional. Ademais, deficiências de micronutrientes, como vitaminas do complexo B, vitamina D e minerais como magnésio e zinco, podem interferir na função neurotransmissora, contribuindo para alterações significativas de humor e ansiedade [ 3 ].
Por exemplo, níveis elevados de cortisol podem levar a sintomas como irritabilidade, insônia e sensação de sobrecarga emocional, enquanto desequilíbrios nos neurotransmissores podem afetar o humor e a motivação [ 4 ]. Podemos falar também da nutrição. A ausência dos macro ou micronutrientes em nossa dieta é responsável por manter de forma deficitária nossos níveis ótimos de hormônios.
2.2: Aspectos bioquímicos
Para evitar um texto excessivamente técnico e de leitura difícil para o leitor médio, optamos por uma abordagem direta e objetiva, mantendo o rigor conceitual e as devidas referências. Vamos começar indicando os aspectos gerais da bioquímica humana de interesse ao presente Artigo. O assunto não se esgota aqui.
SEROTONINA: Neurotransmissor que regula o humor; o bem-estar; o sono e o apetite. Conhecido como “Hormônio da Felicidade”; pela função com relação ao bem-estar. Ele é sintetizado a partir do triptofano, um aminoácido essencial, o qual é produzido em sua maior parte no intestino, ainda que a alimentação tenha influência considerável. Níveis deficitários podem afetar o humor e levar a problemas como depressão e ansiedade. Em um hemograma, os níveis séricos considerados normais de serotonina variam de 50 ng/mL a 200 ng/mL, conforme o método adotado. O triptofano é encontrado em ovos, banana, nozes, queijo, leite e carnes magras. [ 5 ].
DOPAMINA: Neurotransmissor responsável pelo controle dos movimentos; pela motivação e pelo prazer e satisfação. É conhecida como o “Hormônio da Recompensa”; pela relação à sensação de satisfação ao realizarmos algo prazeroso ou atingirmos uma meta. Também participa da regulação do humor, da atenção e da aprendizagem. Níveis deficitários podem causar falta de motivação, apatia e, em casos mais graves, distúrbios como depressão e doença de Parkinson. Em um hemograma, os níveis séricos dados como normais de dopamina variam de 0 a 30 pg/mL, dependendo do método utilizado. A dopamina é sintetizada a partir da tirosina, um aminoácido não essencial, que está presente em alimentos como carnes magras, ovos, peixes, feijão, leite e derivados [ 5 ].
ENDORFINA: A endorfina é um neurotransmissor natural produzido pelo cérebro que atua como analgésico e regulador do prazer e do humor. É conhecido como “Hormônio do Prazer”. É liberada principalmente durante atividades físicas, riso, momentos de alegria ou situações de alívio após o estresse. Ela ajuda a reduzir a dor e promove uma sensação de bem-estar e relaxamento. Níveis baixos de endorfina estão relacionados a irritabilidade, ansiedade, insônia e até à diminuição da imunidade. Os níveis séricos normais variam amplamente, podendo ficar em torno de 1 a 10 pmol/L, dependendo do método utilizado. A produção de endorfina pode ser estimulada por exercícios físicos, contato social positivo, meditação, riso e alimentação equilibrada, especialmente com alimentos ricos em magnésio e vitamina B6 [ 5 ].
OCITOCINA: Conhecida como o “Hormônio do Amor”. A ocitocina está relacionada à afetividade, empatia, vínculos sociais e confiança. É liberada em situações de contato físico, como abraços e relações afetivas, e também durante o parto e a amamentação, fortalecendo o vínculo entre mãe e filho. Ela é um hormônio e neurotransmissor natural, produzida no hipotálamo e liberada pela hipófise posterior, no cérebro. A baixa produção de ocitocina pode estar associada ao isolamento emocional, à insegurança e dificuldade de estabelecer relações de confiança. Os níveis normais de ocitocina no sangue variam de 1 a 10 pg/mL. Sua liberação pode ser estimulada por contato físico, relações de afeto, altruísmo e convivência social positiva [ 5 ].
MAGNÉSIO (Mg): Participa da síntese da serotonina, dopamina e do complexo GABA. Os níveis deficitários podem causar ansiedade, irritabilidade, insônia e insegurança emocional. Presente em grãos integrais, nozes, sementes, vegetais verdes escuros e leguminosas. Seus níveis de ingestão diária para mulheres são de 310-320 mg e para homens de 400-420 mg.
ZINCO (Zn): Atua na modulação do eixo HPA (Hipotálamo–Hipófise–Adrenal), influenciando respostas ao estresse e regulação da dopamina e serotonina. Níveis deficitários estão associados à insegurança, ansiedade social e sintomas depressivos. Presente nas carnes magras, frutos do mar, sementes e leguminosas. Seus níveis de ingestão diária para mulheres é de 8 mg e para homens de 11 mg.
FERRO (Fe): Essencial para o transporte de oxigênio e para a síntese de dopamina e norepinefrina. Níveis deficitários podem causar fadiga, apatia, lentidão mental e insegurança emocional. Presente nas carnes vermelhas, feijão e vegetais folhosos escuros. Seus níveis de ingestão diária para mulheres férteis é de 18 mg; 27 mg para mulheres gestantes e para homens é de 8 mg.
PIRIDOXINA (Vitamina B6): Atua como cofator na síntese de serotonina, dopamina e complexo GABA. Seus níveis deficitários pode levar à instabilidade emocional, produzir medo exagerado, estados de insegurança e fadiga mental. Presente nos peixes, aves, batatas, banana e grãos integrais. Seus níveis diários para mulheres é de 1,5 a 2,0 mg e para homens de 1,3 a 1,7 mg.
ÔMEGA-3: Tem por função integrar as membranas neuronais e regular a neurotransmissão dopaminérgica e serotoninérgica. Seus níveis deficitários estão associados à maior vulnerabilidade ao estresse, insegurança e ansiedade generalizada. Presente em peixes de água fria (salmão, sardinha), linhaça, chia e nozes. Seus níveis de ingestão diária estão entre 250 a 500 mg de EPA e DHA combinados para adultos considerados saudáveis.
2.3: Uma análise técnica
Todo o anterior é um aporte necessário para que possamos, cientificamente, comprovar a influência da nutrição, dos níveis séricos dos micronutrientes e dos níveis hormonais como catalisadores do humor humano, em especial, ao que tange a insegurança e a motivação. As questões orgânicas, ainda que não de forma isolada, influenciam aspectos emocionais, mentais no Ser Humano. Em suma, o orgânico influencia o psicológico, e o contrário também é verdade.
Um estudo com relação ao magnésio evidenciou que níveis deficitários de magnésio estão associados a distúrbios neurológicos e psiquiátricos, incluindo ansiedade generalizada e transtorno de estresse pós-traumático [ 7 ]. Embora a baixa quantidade de magnésio não seja um fator direto para a insegurança ele age de forma direta junto à ansiedade, fator este que ajuda a desencadear a insegurança em si. Para acessar o Artigo, clique ao lado. ACESSAR
O Artigo ainda pontua que existe um círculo vicioso entre o magnésio e o estresse. Os pesquisadores afirmam que a baixa ingestão de magnésio está associada a estados de ansiedade e os estados de ansiedade reduzem o magnésio disponível para as atividades bioquímicas.
Os pesquisadores ainda destacam que o magnésio é essencial para uma atividade mental lúcida, o que impacta, de sobremaneira sobre segurança e confiança em si mesmo [ 7 ]. Uma frase interessante do Artigo é:
“Symptoms of magnesium deficiency and stress are very similar, the most common being fatigue, irritability, and mild anxiety.”
Em versão livre para o português do Brasil é: “Os sintomas de deficiência de magnésio e estresse são muito semelhantes, sendo os mais comuns fadiga, irritabilidade e ansiedade leve.” Todos estes elementos impedem, de forma natural, a expressão da confiança e segurança em si mesmo.
A mesma linha de raciocínio e conclusões são obtidas no Artigo “Magnesium in neuroses and neuroticism” de Papadopol. O estudo aborda questões além da ansiedade, aponta que fobias e pânicos podem ser decorrentes da baixa ingestão de magnésio [ 12 ]. Para acessar o Artigo, clique ao lado. ACESSAR
Azargoonjahromi, em seu estudo “A systematic review of the association between zinc and anxiety“; observa que a correta ingestão de zinco ajuda a manter uma adequada saúde emocional e mental. Em um estudo de revisão sistemática, o pesquisador observou que baixos níveis de zinco estão mais propensos a desencadear crises de ansiedade, o que propicia estados de insegurança [ 8 ]. Para acessar o Artigo, clique ao lado. ACESSAR
Trabalho semelhante e um pouco mais expansivo pode ser visto no Artigo “Zinc Deficiency and Depression“. O estudo relaciona a baixa ingestão de zinco à instabilidade emocional e à dificuldade de manter um adequado comportamento social [ 13 ]. Isso, de forma direta, contribui para o isolamento social e a manifestação da insegurança no Ser Humano. Para acessar o Artigo, clique ao lado. ACESSAR
O ferro é elemento essencial para manter segurança emocional e escapar da apatia e fadiga mental e orgânica. Kara Gvin, em seu Artigo “Could low iron make mental health symptoms worse?“; pontua que quantidades adequadas de ferro ajuda a melhorar o humor além de reduzir sintomas de ansiedade [ 9 ]. Para acessar o Artigo, clique ao lado. ACESSAR
A ingestão deficitária de ferro nos torna mais propensos a estados de mau humor e a estados de inquietação. Esta é uma das conclusões do estudo de Arshad et al. em “Psychiatric Manifestations of Iron Deficiency Anemia: A Review“. O estuda afirma que “Iron deficiency presents with fatigue, low mood, anxiety, restlessness, palpitations, and headache“; ou, em tradução livre: A deficiência de ferro se manifesta com fadiga, mau humor, ansiedade, inquietação, palpitações e dor de cabeça [ 14 ]. Estes aspectos afetam o nível de insegurança no Ser Humano. Para acessar o Artigo, clique ao lado. ACESSAR
O Artigo “Vitamin B6: A new approach to lowering anxiety, and depression?“, de Durrani et al., afirma que doses de vitamina B6 reduzem a possibilidade de depressão e ansiedade, elementos que ajudam a desencadear estados de insegurança [ 10 ]. Para acessar o Artigo, clique ao lado. ACESSAR
No Artigo “Association of Use of Omega-3 Polyunsaturated Fatty Acids With Changes in Severity of Anxiety Symptoms – A Systematic Review and Meta-analysis“; Kuan-Pin Su, et al. descrevem como a correta suplementação de ômega-3 reduzem os níveis de estresse em situações conflituosas. Isso ajuda a manter, de forma indireta, a confiança e segurança em si mesmo [ 11 ]. Para acessar o Artigo, clique ao lado. ACESSAR
É fácil notar o quão nossa bioquímica pessoal influencia nossos aspectos psicológicos e cognitivos. Muitas vezes cremos que o problema é meramente uma atitude pessoal, mas na verdade, podemos nos ajudar por meio de uma nutrição equilibrada e através da ingestão correta dos micronutrientes. Uma atitude psicológica é necessária, mas a ação orgânica possui sua relevância nesse processo de superação do Homem pelo próprio Homem.
3: Uma Abordagem Cultural
Uma segunda abordagem, tão importante quanto a anterior, é a questão cultural. Em termos sociais, a cultura aproxima pessoas e cria coesão entre elas. Podemos citar:
“Em termos sociais, a cultura aproxima pessoas e cria coesão entre elas, pois representa um sistema de significados compartilhados que orienta o comportamento coletivo e reforça o senso de pertencimento do grupo“.
[Geertz, 2008]
Esporte, Dança, Música são alguns dos exemplos, mas não só, que nos ajudam a criar uma coesão social. E isso nos dá o sentimento de pertencimento. Quanto mais nos sentimos pertencentes a um grupo, mais fácil se faz ter a Liberdade para expressar nossas opiniões, mesmo que divergentes.
Não que isso seja essencial; pois, aplicando o rigor do idealismo, independentemente da situação, deveríamos ter a nobreza de expressar nossas opiniões, sobrepondo, com a convicção, a insegurança. Entretanto, o mundo real não é assim.
Nele, quanto menos nos sentimos pertencentes a um grupo mais difícil se torna nos afirmar como indivíduos pensantes e independentes da opinião alheia. E aqui a Cultura, como elemento social cumpre um papel importante.
Pensemos por alguns instantes nas seguintes situações. Um atleta de esporte não coletivo, como marcha atlética ou natação individual ou ainda de esportes coletivos, como futebol ou basquete.
Todos eles exigem que demos nosso melhor, sem que nos importemos com a opinião alheia. Do contrário, o esporte perderia o sentido, porque na prática desportiva está subentendida a necessidade de superação e para isso devemos ir além da média e fazer escolhas que nos conduzam ao nosso objetivo. Isso na prática significa incorporar disciplinas que a alguns podem ser vistas como exóticas.
No caso de um músico instrumentista ou um cantor, ambos ao se apresentarem têm que tentar se desvincular da opinião alheia e, mesmo que inseguros em um primeiro momento, o fato de se apresentarem ao público demonstra que existe uma busca de superação. Pode não ser a solução final do problema, mas é, certamente, parte da solução. Tudo isso se aplica à dança e parafraseando Nietzsche.
“E aqueles que foram vistos dançando foram considerados loucos por aqueles que não podiam ouvir a música“.
Friedrich Nietzsche
Logo, a questão Cultural nos ajuda em nossa autoafirmação, nos consagrando à segurança de si mesmo. A prática do esporte impõem em si a necessidade de desenvolver a confiança e a segurança. Não há como um desportista, um atleta, ter continuidade no âmbito esportivo sem buscar a superação e estar se pondo à prova e à superação.
Deve estar disposto a incorporar a disciplina necessária para lograr seus feitos, não se importando com a opinião alheia quanto a isso. Só o atleta sabe do que precisa, os demais, não!
É o que afirma o Artigo “A Importância da Confiança no Processo Esportivo” de Fontes. A pesquisa informa que a confiança é essencial para superar desafios no esporte, o que faz influenciar, de forma direta, no desempenho individual e coletivo.
Ela é crucial para criar uma cultura vencedora, o que permite aos atletas enfrentar adversidades com resiliência e manter a devida motivação diante de situações conflituosas. E é óbvio que essa aprendizagem é levada para a vida pessoal, ajudando a transformar um ser inseguro, em um ser mais confiante e seguro em si mesmo [ 16 ]. Em outras palavras, mais pleno. Para acessar o Artigo, clicar ao lado. ACESSAR
Um depoimento no Artigo “Canto, Bem-estar e Qualidade de Vida: As oficinas ‘Educando a Voz’” consegue demonstrar a importância que a Cultura, no caso, o canto, pode impactar uma pessoa, de forma que ela busque superação. O depoimento diz [ 17 ]:
“Isso tudo me ajudou a ter mais autoconfiança e mesmo eu sabendo que eu não canto tão bem, eu posso cantar! E ter confiança no meu canto!“
Facilmente podemos nos remeter à ideia de que não devemos nos importar com o que os outros pensem a nosso respeito, o que importa é expressar, de forma espontânea, nossa identidade. Para acessar o Artigo, clicar ao lado. ACESSAR
Muitas pesquisas apontam que a dança reduz a velocidade de progressão do câncer naquelas pessoas que se dedicam a ela, ao saberem de sua enfermidade. O bem-estar e a alegria são contagiantes e, além de uma coesão social, conseguimos uma fortaleza psicológica, uma nova forma de encarar a vida.
A dança tem sido reconhecida como uma prática eficaz no fortalecimento da confiança e na redução da insegurança. Estudos indicam que a prática regular de dança pode melhorar a autoestima, promover a expressão emocional e reduzir sintomas de ansiedade e estresse.
Um exemplo disso é a pesquisa publicada na Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, de Santos et al. que analisou os efeitos da dança na redução do estresse e ansiedade. Os resultados sugerem que a dança contribui para o equilíbrio emocional e o bem-estar psicológico, atuando como uma prática integrativa e terapêutica [ 18 ]. Para acessar o Artigo, clicar ao lado. ACESSAR
Além disso, a Revista Interinstitucional Artes de Educar publicou estudo que investigou os benefícios da dança como terapia para o tratamento de transtornos de ansiedade. A pesquisa evidenciou que a prática da dança pode reduzir sintomas de ansiedade, bem como é meio eficaz para questões emocionais em geral [ 19 ]. Para acessar o Artigo, clicar ao lado. ACESSAR
Logo, a Cultura é, certamente um meio e uma abordagem muito eficaz e capaz de transformar o homem inseguro em uma pessoa confiante. É óbvio que os temores não somem como um passe de mágica, mas estas práticas nos dão as ferramentas necessárias para superar nossas debilidades. São ações físicas que agem no fortalecimento psicológico. E sobre o psicológico, esse será o assunto da próxima seção.
4: Um viés Psicológico
4.1: Visão Geral
Ainda que todo o Artigo apresentado se fundamentou em pesquisas científicas, aqui, nesta seção, apresentamos nossa opinião editorial sob o prisma psicológico. Por meio de estudos e observações convincentes, indicamos dois elementos os quais consideramos fundamentais para a superação da insegurança, ainda que seja de forma gradual. Abordamos também aspectos sobre a ansiedade e nossos medos. A inserção de fontes e referências se mantém nesta seção.
4.2: Critério Próprio
Raro encontrar uma pessoa que tenha critério próprio. Muitos de nós, na maioria das situações do diário viver, nos comportamos com o intuito de agradar aos demais, deixando quase sempre em segundo plano nossas próprias vontades, convicções e aspirações. Nosso Artigo “As Fraquezas dos Reis”, mostra, de forma singular e direta, como somos facilmente manipuláveis quando alguém conhece nosso ego e a forma que temos de pensar e de agir, muitas vezes totalmente previsíveis. ACESSAR
O Critério Próprio é a capacidade que temos de exercer nossa própria forma de pensar e de agir, sem nos deixar levar pelas opiniões ou até mesmo críticas alheias. O medo de ser rechaçado e de não fazer parte de um grupo, aspectos da insegurança, nos faz agir contra nossa própria vontade, o que infere não exercer nosso Critério Próprio.
Quando, em alguma situação, temos que dar uma opinião, a qual é divergente da maioria ou até mesmo divergente de todos, muitos de nós somos sucumbidos a seguir, por conveniência social ou para evitar atritos sociais, a opinião dos demais, ainda que isso seja um ato de traição àquilo que pensamos e sentimos, ou até mesmo fazemos. Nosso Artigo “Estudo de Conformidade de Asch” mostra este aspecto. ACESSAR
Entenda-se como “conveniência social”, no sentido deste Artigo, aquilo que aceitamos somente para nos manter parte integrante de um dado grupo, independentemente do que pensamos. Somente aceitamos para cumprir com esse fim. E “atritos sociais” como situações que evitamos para não termos embates ou situações que nos levem à contestação de outrem. São formas que, tacitamente utilizamos para nos manter em nosso “porto seguro”.
De volta ao raciocínio… o Critério Próprio é a capacidade de, independentemente da situação ou do evento, mantemos nossa posição. Não significa que estejamos certos, significa que seguimos a guia de nossa própria voz interior, sem atraiçoá-la.
Pessoas que exerçam seu Critério Próprio se permitem a Liberdade da Livre Expressão (redundância proposital). Somente o Critério Próprio permite o novo. Pessoas que exercem isso são facilmente reconhecíveis. São aquelas pessoas que se posicionam de forma distinta da maioria, muitas vezes conhecidos como “do contra”, mas que na verdade só utilizam sua Liberdade de Expressão, o que é um aspecto necessário para exercício do Critério Próprio.
Não é exercer o Critério Próprio repetir o que todos falam sem uma análise mínima, de fundo. Repetir o que todos falam não é exercer seu Critério Próprio, é propagar o trivial, é se permitir ser manobra de manipulação.
Muitos são os exemplos que podemos dar e muitas as situações a citar, mas vamos dar apenas um exemplo vivo, algo que realmente aconteceu. Em uma certa ocasião, uma senhora muito respeitada foi com um grupo de jovens almoçar. Ela sentou à cabeceira da mesa, na sua parte mais distal. O garçom, em certo momento, perguntou o que cada um queria beber. Todos os jovens, sem exceção, disseram que queriam suco de laranja.
Na vez da senhora, a última a ser questionada pelo garçom, disse que queria beber cerveja. Nesse momento, todos os jovens disseram que queriam substituir o suco de laranja por cerveja. O que esse exemplo nos mostra? Nos mostra que os jovens não tiveram a coragem de exercer seu Critério Próprio, e só transpareceram seu desejo, após a senhora expressar o mesmo que eles queriam e, por um medo da crítica, omitiram seu verdadeiro desejo em um primeiro momento.
Por isso, no início desta seção afirmamos que raras são as pessoas que exercem seu Critério Próprio. Poucas são as pessoas que têm a coragem manifestar aquilo que pensam e sentem. Poucas são as pessoas que se permitem agir em conformidade às suas Consciências.
O Critério Próprio é fator fundamental para a diversidade e é a diversidade o elemento de avanço e aperfeiçoamento da própria sociedade. Melhor para todos se todos exercêssemos nosso Critério Próprio, isso seria o ideal. Mas dentro do mundo real, quanto mais pessoas exerçam seu Critério Próprio, melhor seria para elas próprias e melhor seria para toda a sociedade.
4.3: Individualidade
Outro elemento raro de ser encontrado é a Individualidade. Ela se refere à capacidade que temos de exercer nossas habilidades inatas ou adquiridas. Estas são nossa identidade, o que nos caracteriza, o que nos faz ser distinto das demais pessoas.
Quando alguém precisa de alguma atividade específica que requeira de uma dada habilidade, e as pessoas, no geral, se lembram de alguém, isso é a Individualidade. É a marca de uma pessoa, suas características.
Exercer a própria Individualidade é exercer o melhor que tenhamos. Entretanto, as pessoas preferem se remeter ao comodismo e à obtenção de ganhos e benefícios imediatos a se permitem fazer aquilo que traga benefícios à satisfação pessoal, já que a Individualidade nos traz a verdadeira satisfação pessoal. Uma frase enquadra bem essa ideia:
“Escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia em sua vida“.
Confúcio
Cada qual temos habilidades e mesmo que todos façamos a mesma coisa, cada qual o faz de forma distinta. Peguemos dois professores que lecionam a mesma disciplina e a mesma matéria. Cada qual ministrará o mesmo conteúdo de forma única. Isso é a Individualidade. Entretanto, ocorre que por uma insegurança, no lugar de expressar nossas características inatas ou adquiridas, passamos a imitar outras pessoas, deixando de ser nós mesmos para ser o outro.
Obviamente que isso não vai trazer resultados positivos. Para começar nenhuma pessoa consegue ser uma outra pessoa a todo momento. Em segundo lugar o fato de não sermos nós e sim a imitação de alguém, isso não nos permite ser autênticos, que é o que nos faz ser geniais em qualquer atividade.
Fazer o que todos fazem, não é inovar e só a inovação nos faz geniais. A sociedade requer de mais gênios e menos imitadores. Isso só é possível para aqueles que tenham a coragem de exercer sua própria Individualidade e deixar de ser um mísero imitador e repetidor dos demais.
Ninguém aprende pela imitação, aprendemos, ao mesmo tempo em que inovamos, quando exercemos nossas ideias originais. Isso tudo é fruto da Individualidade. Assim nós crescemos e cresce toda a sociedade.
Melhor a genialidade da Individualidade que transita pela certeza da dúvida à imitação que, garantida na certeza, não abarca o novo. Um navio que não sai do porto nunca se deteriora, mas jamais conhece novos mares. Só o navio que desbrava os mares cumpre com o seu propósito. Só aquele que se arrisca consegue os benefícios do triunfo, os demais, não passam de meros expectadores.
4.4: Uma análise Junguiana
Para Jung quando “empurramos para baixo do tapete” quem somos e aqui, no contexto analisado, considere o Critério Próprio e a Individualidade, projetamos isso nos outros. Algumas vezes isso pode ser visto como uma reação violenta a uma pessoa externa, no caso de aspectos psicológicos tidos como degradantes, ou por nós rechaçados.
Pode ainda ser visto como uma admiração que se manifesta porque, de uma forma ou outra, reconhecemos no outro aquilo que não temos coragem de fazer ou expressar. Assim, essa “máscara social” não nos deixa expressar nosso Critério Próprio e nossa Individualidade. Isso nos ecoa, novamente, a insegurança e o medo de rejeição [ 1 ].
Esse processo pode ser atribuído como individualização, termo esse empregado pelo próprio Jung [ 2 ]. Não confundir individualização e individualidade com individualismo; pois, são coisas muito distintas. Para Jung esse processo de individualização é complexo porque temos que superar conflitos externos, ou seja, embates com pessoas e situações e conflitos internos, para ter a coragem e a vontade para nossa autoafirmação.
Fazendo uma pequena digressão, cabe pontuar o que cada termo anterior significa. Individualização é um processo onde cada qual consegue, ao fim, autoafirmar sua verdadeira e real natureza. É o caminho a percorrer para isso. Individualidade é exercer sua verdadeira natureza, a qualquer momento, mesmo que esse processo não tenha se completado. O exercício constante da Individualidade é percorrer o caminho da Individualização. Já Individualismo é um ato com características egoístas e pessoais, livre da natureza real e espontânea, e baseado em aspectos de afirmação do próprio ego.
De volta ao nosso raciocínio, com vistas a Jung ou não, a questão do Critério Próprio e da Individualidade nos remete à Liberdade. Essa que tanto inspira poetas e revoluções. Palavra que se materializou na representação maior dos Estados Unidos, na famosa Estátua da Liberdade.
Só se é Livre quando nos permitimos ser Livres. A Liberdade é dada por nós mesmos, ninguém pode nos dar a nossa Liberdade. Isso acontece quando temos Critério Próprio e o exercício constante de nossa Individualidade.
Para terminar esta seção, deixamos uma frase para reflexão:
“Aquele que se Conquista a si mesmo é verdadeiramente Livre.”
Lao Tsé
5: Conclusão
Fazendo um resgate de uma frase do início do Artigo, temos que “O Ser Humano é um todo completo”. Não adianta procurar um único remédio para a superação de si e de nossas debilidades. Os remédios são múltiplos, e assim é necessário.
Os aspectos biomédicos agem de forma orgânica para alterar nossos estados psicológicos. Assim, equilibrando níveis hormonais, e a concentração de micronutrientes conseguimos cambiar, mais facilmente nossos estados psicológicos, alterando nossa percepção sentimental, emocional e a forma de pensar.
A Cultura, como um aspecto físico de nossas ações, é meio didático e ao mesmo tempo dialético para uma melhor apreensão de nossos aspectos psicológicos. Ações físicas e tentativas de superação e o ato de resistência à dor, nos ensinam, de uma forma única como podemos superar nossas debilidades psicológicas. A própria tentativa de superar alguma situação já nos traz uma reflexão e uma aprendizagem que é apreendida por nossa cognição.
A Psicologia, faz um caminho inverso à biomedicina. Aqui é a psicologia que altera os elementos bioquímicos de nosso organismo, os poupando ou os malgastando, conforme nossos estados psicológicos. Aprender a equilibrar a si mesmo não é matéria fácil, mas é essencial.
Somos, de fato, um trio. Somos o que fazemos, o que sentimos e o que pensamos. Somos uma complexa máquina, uma Máquina Humana, cheia de códigos psicológicos e biológicos que, mutuamente, interagem. Para avançar temos que considerar o orgânico; o social e o psicológico, conjuntamente. Essa é nossa realidade e assim devemos proceder.
Não existe Ser Humano separado, apartado da realidade. Somos uma conjunção orgânica, psicológica e social. Para qualquer superação Humana devemos levar em consideração esses fatores sempre em conjunto.
REFERÊNCIAS
[ 1 ]: Collected Works of C.G. Jung: Volume 7, Carl Jung
[ 2 ]: https://www.thesap.org.uk/articles-on-jungian-psychology-2/about-analysis-and-therapy/individuation/
[ 3 ]: BERNE, Robert M.; LEVY, Matthew N.; TÁBUA, Bruce M.; KOEPPEN, Bruce M.; STRYER, Lubert. Fisiologia humana. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
[ 4 ]: https://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminE-Consumer/
[ 5 ]: MELMED, S. et al. Williams Textbook of Endocrinology. 14th ed. Philadelphia: Elsevier, 2020.
[ 6 ]: ROSS, A. Catherine; CABALLERO, Benjamin; COUSINS, Robert J.; TUCKER, Katherine L.; ZIEGLER, Thomas R. (Eds.). Modern Nutrition in Health and Disease. 12. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer Health/Lippincott Williams & Wilkins, 2020.
[ 7 ]: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7761127/
[ 8 ]: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37364014/
[ 9 ]: https://www.michiganmedicine.org/health-lab/could-low-iron-make-mental-health-symptoms-worse?
[ 10 }: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9577631/
[ 11 ]: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2702216?
[ 12 ]: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK507254/
[ 13 ]: https://www.intechopen.com/chapters/50622
[ 14 ]: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10595923/
[ 15 ]: GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Tradução de Fanny Wrobel. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008.
[ 16 ]: https://www.rsp.esp.br/a-importancia-da-confianca-no-processo-esportivo/
[ 17 ]: https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/356adb61-c457-4e92-8e03-463addd51f1c/content
[ 18 ]: https://www.researchgate.net/publication/391811120_DANCA_E_SAUDE_MENTAL_UMA_ANALISE_DOS_EFEITOS_DA_DANCA_NA_REDUCAO_DO_ESTRESSE_E_ANSIEDADE
[ 19 ]: https://revista.unifatecie.edu.br/index.php/conversas/article/download/345/272/1185