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Origem do Câmbio: um resgate histórico

No mundo contemporâneo é impensável a ausência da atividade cambial. Muito antes de um mundo globalizado, a prática do câmbio já existia entre os povos. Algumas vezes semelhantes à nossa prática atual, outras de forma mais rudimentar. Mas o fato é que culturas diferentes necessitavam e necessitam interrelacionar-se e nessa aproximação, o intercâmbio cultural aproxima transações financeiras.

Assim, os povos viam a necessidade de manter uma troca equivalente de moedas ou elementos correlatos de valor aceitáveis entre si. Logo, o câmbio não é uma invenção em si, e sim uma necessidade constatada entre os povos.

Os mais antigos registros de câmbio que temos notícia vêm da Mesopotâmia, região do Oriente Médio. Há registros que por volta de 2.000 a.C. existia uma prática que se assemelhava ao nosso câmbio. Podemos chamá-lo de proto-câmbio.

Nesta época e região havia troca em peso de prata, cobre e cevada, entre si. A prata valia mais dentre os três e sua troca rendia maior massa em cobre se comparada com ela. O cobre, por sua vez, valia mais que a cevada. Sobre essa prática há registros em tabuletas cuneiformes de argila. A troca, ou câmbio, ocorria nos Templos e Palácios. Estes eram os proto-bancos.

Já no século VI a.C., na Grécia, após a difusão das moedas, surgiram os trapezitai. Eles são considerados como os primeiros cambistas profissionais. O termo significa mesa em grego e eram onde eles faziam o câmbio, em uma mesa na Ágora grega.

Muitos deles eram metecos (estrangeiros residentes na Grécia Antiga) e trocavam moedas de cidades diferentes, além de avaliar a pureza dos metais. Os cambistas da Grécia Antiga cobravam comissão.

No Império Romano havia os argentari conhecido também nummularii que faziam o mesmo que os trapezitai. A origem do primeiro termo deriva da palavra prata, do argentum. O segundo termo deriva da palavra número, em latim. A troca era entre moedas romanas e provinciais e o local eram os mercados públicos.

O famoso relato de Jesus expulsar os mercadores do Templo (João 2:13-22, Mateus 21:12-13 e Marcos 11:15-16), inclui a presença de cambistas. Ocorre que os peregrinos vinha de diversas regiões e ao chegarem no Templo de Jerusalém deveriam, obrigatoriamente trocar suas moedas pelas moedas aceitas no Templo, o Shekel (moeda hoje de Israel). Ou seja, o câmbio religioso, à época, era obrigatório.

Após a queda do Império Romano no século V, a Europa Ocidental entrou em um período de retração econômica e redução do comércio de longa distância, momento em que há a existência do feudalismo. Contudo, a atividade cambial não desapareceu completamente. Ela continuou presente nas regiões do Mediterrâneo Oriental e do Oriente Médio, especialmente sob a influência do Império Bizantino e do mundo Islâmico.

Durante a expansão comercial por parte do Califado Islâmico, entre os séculos VII e XIII, surgiram extensas rotas comerciais que ligavam o Mediterrâneo, o Norte da África, o Oriente Médio e partes da Ásia. Esse intenso comércio exigia a conversão entre diferentes moedas, como o Dinar de Ouro e o Dirham de Prata, mantendo viva a prática do câmbio.

Essas rotas comerciais e práticas financeiras influenciaram diretamente o Renascimento econômico europeu que ocorreria séculos depois, especialmente nas cidades mercantis italianas.

Já na Idade Média, especialmente entre os séculos XII e XV, diversas cidades italianas tornaram-se importantes centros comerciais da Europa, o que influenciou o surgimento do Renascimento Italiano. Cidades como Florença, Veneza, Milão e Gênova possuíam intenso comércio com várias regiões do continente europeu e com o Mediterrâneo, o que fazia circular moedas de diferentes origens.

Isso exigia profissionais que avaliassem moedas, como pesar metais preciosos e realizar conversões entre padrões monetários distintos. E assim surgem os cambistas italianos, que realizavam suas operações em mesas instaladas em praças públicas e mercados. A própria palavra “banco” deriva do italiano banco ou banca, termo utilizado para designar a mesa onde esses profissionais realizavam as trocas monetárias.

Além do câmbio propriamente dito, os cambistas italianos também desenvolveram instrumentos financeiros que facilitaram o comércio internacional, como as letras de câmbio, permitindo transferências de valores entre cidades sem a necessidade de transportar moedas fisicamente. Essas práticas ajudaram a consolidar as bases do sistema bancário europeu.

Já mais próximo do nosso tempo, temos a cidade de Amsterdã. Era o ano de 1609, o dia era 31 de janeiro, momento em que surgiu a primeira Casa de Câmbio do mundo. Seu nome, Amsterdamsche Wisselbank, ou seja, Casa de Câmbio de Amsterdã. Criado pelo Conselho Municipal de Amsterdã, ela surgiu por uma série de situações que levaram à sua formação.

Amsterdã na época era o centro comercial da Europa, sendo maior referência que Londres. O porto de Amsterdã e o comércio marítimo desenvolvido a partir dele, além de uma localização estratégica e privilegiada, fez de Amsterdã uma referência financeira internacional.

A existência de um porto movimentado é, naturalmente, um ponto de confluência de moedas de várias partes do mundo. O recebimento de moedas falsas e fora de padrão de forma e, principalmente de peso, fez com que fosse necessário estabelecer padrões para as trocas.

Disso surge o Florim do Banco que não era uma moeda física, mas uma moeda virtual na forma de saldo escritural nos registros do banco, que servia como meio de padronização onde o banco recebia as moedas, as avaliava e registrava o valor correspondente em florim. Na reconversão, na troca de florim para a moeda física, o banco cobrava um ágio, ou seja, cobrava o serviço “administrativo”. Como consequência isso facilitou os pagamentos internacionais, além de ajudar a financiar a Companhia Holandesa das Índias Orientais.

Amsterdã sente uma crise financeira entre 1670 e 1770, o que é agravado pelas guerras napoleônicas, fazendo com que Amsterdã decline em importância cambial. Nisso emerge Londres, na segunda metade do século XVIII como centro cambial de referência internacional. Isso foi corroborado pelo impacto proporcionado pela Revolução Industrial, por uma política doméstica estável e estabilidade da moeda, a Libra Esterlina.

Uma inovação de Londres foi transformar o banco como centro – o que fez Amsterdã – para focar no mercado, o que propiciou um mercado local ativo, garantindo investidores. Ademais, estas conjunções garantiram a estabilidade da Libra Esterlina.

No ano de 1866 ocorreu um marco para a história do câmbio internacional com a instalação do primeiro cabo telegráfico transatlântico ligando Londres a Nova Iorque. A partir desse momento tornou-se possível transmitir rapidamente as cotações entre a Libra Esterlina e o Dólar Americano, reduzindo drasticamente o tempo de circulação das informações cambiais entre Europa e América.

Dessa conexão surgiu inclusive o termo “cable”, ainda utilizado no mercado financeiro para designar o par de moedas Libra Esterlina/Dólar Americano. Esse feito entre Londres e Nova Iorque inaugurou uma nova etapa no cenário de câmbio.

A partir desse momento, o câmbio passou a acompanhar a tecnologia. Hoje aplicativos de celular fazem o que era feito presencialmente na Mesopotâmia, de forma rápida e com atualização em milissegundos.

Infográfico cronológico sobre o desenvolvimento do Câmbio

Essa revisão histórica nos fez percorrer a seguinte sequência:

Mesopotâmia → Grécia → Roma → Império Bizantino → Cidades Italianas → Amsterdã → Londres → Hoje