Esse regime cambial, conhecido por Substituição da Moeda, envolve a adoção de uma moeda estrangeira face à moeda doméstica. No caso particular onde a moeda estrangeira adotada é o Dólar Americano, chamamos isso de Dolarização.
O termo Dolarização é mais difundido entre o leitor médio do que Substituição da Moeda, dada a importância que o Dólar Americano tem e seu uso mais corriqueiro neste caso. Assim, tudo o que se fale para o Dólar Americano tem valor conceitual para qualquer outra moeda. Tudo se refere ao mesmo regime cambial, qual seja, Substituição da Moeda.

O país doméstico busca estabilidade cambial, o que reduz impactos na economia e, por consequência, riscos. A redução de riscos atrai investimentos. Tudo isso leva à estabilidade da economia e mantém os preços de certa forma constantes, garantindo, assim, o poder de compra da população.
Essa abordagem é decorrente, no geral, por países emergentes, em desenvolvimento, por países em uma economia de transição, que querem deixar seu estado de economia de menor significância no cenário global para um ator internacional de maior relevância, partindo de uma economia doméstica mais estável.
Mas como isso acontece na prática? O país doméstico tem que ter a moeda estrangeira em sua economia local, ter a moeda fisicamente. E como isso é conseguido, o país doméstico imprime a moeda estrangeira?
RESPOSTA: Naturalmente, o país doméstico não pode emitir a moeda estrangeira.
O país doméstico precisa obter a moeda estrangeira por meio de suas reservas internacionais, comércio exterior, investimentos estrangeiros ou financiamento internacional. Isso tem algumas implicações. A primeira é que o Banco Central do país doméstico deixa de emitir moeda.
O país emissor da moeda obtém ganhos indiretos de senhoriagem, pois outros países passam a utilizar sua moeda como reserva de valor e meio de pagamento, o que torna isso economicamente vantajoso para o país emissor.
Feito isso, o país doméstico fica, sem ter outra alternativa, com sua economia atrelada à economia do país emissor da moeda por meio da senhoriagem. Isso envolve a taxa básica de juros (no Brasil a Selic, nos EUA é a partir do Federal Reserve, etc) o que não vai refletir a realidade local.
Sem moeda doméstica, o país não pode alterar, de forma estratégica, o câmbio para facilitar suas exportações, porque está atrelada à política monetária do país emissor da moeda. Isso significa que o regime cambial de Substituição da Moeda elimina a possibilidade de uma Política Cambial por parte do país doméstico. Destaca-se que o país emissor obtém ganhos indiretos de senhoriagem. Mesmo em crises, o país doméstico não tem como intervir em seu favor.
Para o país emissor da moeda há ganhos importantes, como o aumento da senhoriagem e maior influência econômica internacional. A emissão de moeda gera lucro, pode importar mais que exportar porque os países, na verdade, são vistos como reserva internacional. Ter sua moeda difundida em países aumenta seu poder geopolítico, podendo usar isso para sanções.
Vantagens
1: Estabiliza a economia doméstica
2: Atrai investimentos
3: Mantém o poder de compra da população
Desvantagens
1: Não emite a própria moeda
2: Não pode alterar a taxa de câmbio para aumentar exportações ou em meio a crises
3: Elimina a possibilidade de uma Política Cambial por parte do país doméstico
4: Taxa básica de juros definida pelo banco central do país emissor da moeda
5: Banco Central do país doméstico perde a capacidade de gerir a política monetária doméstica
6: País doméstico perde controle sobre sua política monetária, havendo alta intervenção estrangeira
7: O Banco Central doméstico não pode emitir moeda para salvar bancos de seu país
Objetivo: Manter a estabilidade da economia doméstica e conter a hiperinflação
Grau Relativo de Intervenção: Máximo Absoluto
Exemplos de Dolarização: El Salvador (desde 2001), Equador (desde 2000) e Panamá (desde 1904)