Neste Regime Cambial o Banco Central de um país tem como referência uma taxa de câmbio com valor fixo, sem variação ou com mínima variação aceitável. Caso haja variação ele, o Banco Central, se compromete a agir para retornar ao câmbio oficial, mantendo a paridade no nível projetado. Para isso é utilizada uma moeda de referência.
Quanto à moeda de referência ela pode ser uma única moeda, geralmente, o Dólar Americano, caso da Arábia Saudita que utiliza esse regime cambial. A maioria das indexações é com relação ao Dólar Americano, mas há exceções notáveis, caso da Dinamarca, Bulgária e países da África Central e Ocidental que têm suas moedas atreladas ao Euro. Há ainda o caso de haver uma cesta de moedas, caso do Kuwait que, ainda que seu Banco Central não tenha divulgado sua cesta, crê-se que ela tenha o Dólar Americano, a Libra Esterlina e o Iene, do Japão. Essa projeção não é aleatória, mas prevista a partir do fluxo comercial e financeiro do Kuwait.

Sobre o regime cambial do tipo fixo, duas perguntas precisam ser respondidas:
1: Como o Banco Central sabe quando agir?
2: Como o Banco Central age?
Respondendo à primeira pergunta: COMO O BANCO CENTRAL SABE QUANDO AGIR?
O Banco Central de um dado país observa a movimentação de compra e venda da moeda de referência com uso de alta tecnologia, em grandes monitores e atualização de dados em mínimos intervalos de tempo. Na prática o Banco Central do país doméstico avalia a quantidade de compra e venda (de Dólares, por exemplo) no mercado por meio de uma série de mecanismos, ou seja, o Banco Central, literalmente, monitora o mercado. Para isso ele utiliza alguns mecanismos. Chamaremos estes mecanismos de mecanismos de observação. Os dados são obtidos, principalmente através de:
(i) Dados de mercado
(ii) Uso de plataformas eletrônicas
(iii) Relatório das instituições
Apresentaremos os principais mecanismos de monitoramento:
Mecanismo de observação 1: O Banco Central do país doméstico monitora, em tempo real, as transações das instituições financeiras – bancos e corretoras – e a partir destes resultados compara a relação entre a compra e a venda da moeda de referência. Assim, se a relação entre compra e venda é igual à relação do câmbio fixo, então nada precisa ser feito. Caso essa relação destoe, então o Banco Central do país doméstico deve agir de forma a retornar ao valor desejado.
Por exemplo: Vamos adotar o Dólar Americano como moeda de referência e o Boliviano como moeda doméstica e um câmbio fictício de 1:2 (Dólar Americano/Boliviano). O Banco Central da Bolívia percebe os seguintes cenários, estes como elementos de observação de uma realidade e não, necessariamente, a realidade encerrada nesses cenários:
Cenário 1: Às 09h00, temos a avaliação de venda de 100 milhões de dólares e compra de 50 milhões de dólares, logo, a relação se mantém em 2.
Cenário 2: Às 09h01, temos 110 milhões de dólares vendidos e a compra de 55 milhões de dólares, logo, a relação ainda se mantém em 2.
Cenário 3: Às 09h02, temos 120 milhões de dólares vendidos e a compra de 57 milhões de dólares, logo, a relação não é mais 2. Isso abre um alerta por parte do Banco Central.
Cenário 4: Às 09h30, temos 300 milhões de dólares vendidos e a compra de 120 milhões de dólares, logo, a relação é 2,5. O Banco Central vai agir e essa ação, como ela é feita, diz respeito à Política Cambial.
Há ainda um segundo mecanismo de monitoramento.
Mecanismo de observação 2: As instituições financeiras são obrigadas a fornecer aos seus Bancos Centrais, relatórios de suas transações cambiais. A partir dessas informações o Banco Central calcula uma média das taxas de câmbio de compra e venda realizadas durante o dia, e a usa como taxa de referência. No caso específico do Brasil essa média se chama PTAX e é tida como a taxa de câmbio referência do dia.
Estes são os mecanismos de observação. Há os mecanismos de ação.
Agora é o momento de responder a segunda pergunta: COMO O BANCO CENTRAL AGE?
Aqui começa a Política Cambial. Existem dois cenários possíveis e dois casos distintos. Os dois cenários são:
Cenário 1: O câmbio está acima da taxa cambial de referência
Cenário 2: O câmbio está abaixo da taxa cambial de referência
Quanto aos casos, temos o seguinte:
Caso 1: A moeda doméstica tem valor nominal menor que a moeda de referência
Caso 2: A moeda doméstica tem valor nominal maior que a moeda de referência
Nisso totalizamos 4 possibilidades reais.
Embora a situação pareça complicada, na verdade ela é bem simples e se resume em apenas duas regras, o que veremos após nossas análises. Vamos partir da Lei de Oferta e Demanda e é por ela que age a Política Cambial. Para fins de exemplo, vamos adotar uma taxa de câmbio de referência fictícia no valor de “2”. Vamos adotar dois pares de moedas; Boliviano x Dólar Americano e Dinar Jordaniano x Dólar Americano.
Na prática, o Dinar Jordaniano tem maior valor nominal que o Dólar Americano e este tem maior valor nominal que o Boliviano. Vamos começar por um aumento da taxa de câmbio.
No caso do par Boliviano x Dólar Americano, um aumento da taxa de câmbio significa que está mais caro para os bolivianos comprar Dólares Americanos. Para reduzir o preço do Dólar Americano, segundo a Lei de Oferta e Demanda, o Banco Central da Bolívia tem de vender Dólar Americano ao mercado e em troca recebe Bolivianos o que aumenta a oferta de Dólares Americanos e reduz a oferta de Bolivianos, e assim, os preços se reequilibram e se retorna ao valor do câmbio fixo adotado.
No caso do par Dinar Jordaniano x Dólar Americano, um aumento do câmbio faz com que o Banco Central da Jordânia tenha que vender Dinares Jordanianos. Isso porque, como o Dinar Jordaniano é uma moeda com maior valor nominal que o Dólar Americano, assim, quando há um aumento da taxa de câmbio, o Dinar Jordaniano se valorizou (ou o Dólar Americano se desvalorizou), por isso, para baixar seu preço o Banco Central deve injetá-lo no mercado e receber Dólares Americanos em troca, seguindo, mais uma vez a lógica da Lei de Oferta e Demanda.
Isso se aplica para o caso de um aumento de câmbio. E como proceder quando a taxa de câmbio fica abaixo da taxa de câmbio de referência? A resposta é simples, basta inverter a lógica.
Quando a taxa de câmbio fica abaixo da taxa de referência, para o caso da Bolívia, isso significa que o Boliviano se valorizou (ou o Dólar Americano se desvalorizou). Para recuperar a taxa de câmbio oficial o Banco Central da Bolívia, conforme a Lei de Oferta e Demanda, terá que vender Bolivianos ao mercado em troca de Dólares Americanos. No caso da Jordânia, como sua moeda tem maior valor nominal, então isso significa que o Dólar Americano se valorizou ou o Dinar Jordaniano se desvalorizou. Para retornar ao valor de câmbio oficial, o Banco Central da Jordânia deve vender Dólares Americanos ao mercado em troca de Dinares Jordanianos.
Tudo isso pode ser transformado em duas simples regras. Observe esse resumo, a partir do Banco Central:
AUMENTO DO CÂMBIO: Vende Dólares Americanos ao mercado e recebe, em troca, Bolivianos.
AUMENTO DO CÂMBIO: Vende Dinares Jordanianos ao mercado e recebe, em troca Dólares Americanos.
REDUÇÃO DO CÂMBIO: Vende Bolivianos ao mercado e recebe, em troca, Dólares Americanos.
REDUÇÃO DO CÂMBIO: Vende Dólares Americanos ao mercado e recebe, em troca, Dinares Jordanianos.
Isso nos leva às seguintes regras práticas:
Quando o Câmbio ultrapassa o limite, o Banco Central vende ao mercado a moeda de maior valor.
Quando o Câmbio fica abaixo do limite, o Banco Central vende ao mercado a moeda de menor valor.
Deve-se estar claro que ao vender uma moeda, automaticamente se recebe a outra na transação. Essas compras e vendas se dão a partir da reserva internacional de um país.
Mas o que significa, na prática, o Banco Central vender uma moeda ao mercado? O Banco Central negocia a moeda com instituições financeiras e estas adquirem a moeda para suprir a necessidade de sua carteira de clientes, tais como empresas que importam, pessoas físicas que enviam dinheiro para o exterior, turismo, etc. É assim que o Banco Central injeta, ou vende/compra moedas, tendo o mercado, através de suas instituições financeiras, seus clientes.
Vantagens
1: Confere estabilidade cambial o que reduz riscos no comércio internacional
2: A redução de riscos atrai mais investidores e investimentos
3: Permite maior previsibilidade e planejamento pelo país doméstico e investidores
4: Reduz volatilidade financeira, ou seja, os preços se mantêm mais “constantes” no mercado doméstico
5: Ajuda a preservar o poder de compra da população local
Desvantagens
1: Reduz liberdade da Política Cambial que deve estar atrelada à moeda de referência
2: Redução da autonomia da Política Monetária porque o Banco Central não pode ajustar juros ou expandir a moeda
3: O país doméstico não pode desvalorizar a moeda doméstica para incentivar exportações
4: Economia doméstica influenciada pela economia do país de referência
Objetivo: Manter paridade fixa
Grau Relativo de Intervenção: Muito alto
Exemplos: Senegal, Dinamarca, Arábia Saudita e outros países do Golfo Pérsico, Camarões