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Código de Ética dos Cavaleiros Templários

1: Introdução

No mundo medieval, onde a fé e a espada se entrelaçavam, surgiu uma das Ordens mais fascinantes e enigmáticas da história: os Cavaleiros Templários. Fundada no início do século XII, essa Ordem militar e também religiosa, rapidamente se tornou uma força poderosa na Europa, conhecida por sua extrema bravura, grande disciplina e de caráter místico.

Com sua característica cruz vermelha sobre fundo branco, os Templários se tornaram sinônimo de coragem e dedicação à causa cristã. Eles lutaram em inúmeras batalhas, construíram imponentes castelos e desenvolveram um sistema financeiro sofisticado que os tornou uma das instituições mais ricas da época, superando reis e reinos em poder financeiro e social.

Cavaleiros Templários
Cavaleiro Templário em sua constituição característica

Através dos séculos, a imagem dos Templários foi envolta em muitos mistérios e diversas lendas. Mas o certo é que seu legado e influência foi grande e hoje sua existência é motivo de admiração de muitos.

2: As Cruzadas e a origem dos Cavaleiros Templários

2.1: Contexto Histórico

A história registra um total de nove Cruzadas, com a existência de duas não oficiais. Aqui apresenta-se duas, a primeira não oficial e a primeira oficial. Nesta última temos o início da Ordem dos Cavaleiros Templários.

CRUZADA DOS MENDIGOS (ou Cruzada Popular); em 1096

Não é considerada como Cruzada oficial devido ao seu rotundo fracasso. Foi convocada, inicialmente, pelo Papa Gregório VII em 1074, com o intuito de reconquistar Jerusalém, retirando-a do domínio dos muçulmanos. O nome da cruzada é devido à participação de pessoas muito pobres, contemplando não só homens, também mulheres e crianças.

Por não ter recursos financeiros e, necessitando de financiamento para poder cruzar a Europa e chegar em Jerusalém, os convocados saquearam e mataram judeus, na região da França e Reino Unido para obter o dinheiro necessário. Obtendo esse dinheiro, seguiram para Jerusalém. Eles seguiram o chamado de um monge de nome Pedro, o Eremita, que foi o condutor dessa empreitada.

O Papa Gregório VII morreu em 1085, e em 1095 o Para Urbano II, influenciado pelo ideal do Papa Gregório VII, durante o Concílio de Clermont na França em novembro de 1095, convoca, de forma oficial, a Primeira Cruzada que teve início em 15 de agosto de 1096.

As principais cidades de onde esse exército partiu, se configurando ao longo do caminho o exército da Cruzada dos Mendigos, foram (referências atuais de geografia): Colônia e Trier, na Alemanha e Paris e Orléans, na França.

O exército foi em direção à Constantinopla, atual Istambul, na Turquia. Chegando lá o exército estava fraco e some-se a isso o fato de não ter treinamento bélico. Muitos morreram de fome ou de doenças ao longo do caminho.

Os que chegaram em Constantinopla, espécie de última parada antes de adentrar nas terras inimigas, estavam em condições subumanas. Em decorrência disso e destacando que o povo era miserável, eles saquearam Constantinopla e após isso foram expulsos da cidade, estando fora de seus domínios.

Em sequência, tentaram saquear muçulmanos, mas sem sucesso. Assim, essa Cruzada resultou em total fracasso não sendo, por muitos, considerada como uma Cruzada oficial.

A PRIMEIRA CRUZADA – CRUZADA DOS NOBRES (ou Cruzada dos Cavaleiros); de 1096 a 1099

Esta é considerada como a primeira Cruzada oficial. Foi a única que conseguiu alcançar o objetivo primário das Cruzadas que era conquistar Jerusalém. Foi convocada pelo Papa Urbano II o qual prometia salvação a quem lutasse contra os infiéis, para ele, os muçulmanos.

Com um contingente de 30.000 militares; eles partiram em direção à Jerusalém com parada estratégica em Constantinopla. As principais cidades de onde saíram estes soldados foram (referências atuais de geografia): Lyon, Paris, Orleães e Toulouse na França; Gênova, Pisa e Veneza na Itália. Nesta Cruzada havia dinheiro e preparo bélico e estratégico.

A conquista de Jerusalém se deu em 15 de julho de 1099, com a criação de reinos cristãos na atual Palestina e derrubando o Califado Fatímida Islâmico. A tomada de Jerusalém ocorreu após um cerco que durou de 7 de junho a 15 de julho, no ano de 1099.

A cidade foi conquistada e os conquistadores, após dizimarem pessoas e cidades e descumprirem acordo com a cidade de Constantinopla voltaram, em sua maioria para a Europa. Assim, necessitava-se de um grupo de soldados para garantir a presença crista na cidade de Jerusalém. Desta forma nasce um grupo que é conhecido, inicialmente como Pobres Cavaleiros de Cristo, os chamados Cavaleiros Templários.

Eles além de proteger e garantir a permanência da cidade de Jerusalém para os cristãos também protegiam os caminhos dos cristãos até Jerusalém porque esses caminhos tinham muitos saques e, além dos roubos, a morte era um elemento comum à época nessa peregrinação cristã a Jerusalém. E assim nasce a Ordem dos Cavaleiros Templários.

2.2: Criação da Ordem dos Cavaleiros Templários

A criação da Ordem dos Cavaleiros Templários se deu a partir do nome Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Isso porque um dos votos ao qual os Cavaleiros Templários deviam fazer era o de pobreza. Ademais, a sede da Ordem era onde se cria ser as ruínas do Templo de Salomão, este destruído pelos romanos em 70 D. C. A construção que havia sobre as pretensas ruínas à época, era a Mesquita de Al-Aqsa, ou seja, um templo muçulmano. Essa era a sede inicial da Ordem.

Sua criação se deu em 1118, pelo nobre francês Hugo de Payens. Ele e mais outros nobres e/ou cavaleiros franceses criaram a Ordem com apoio do Rei cristão Balduíno II. Credita-se como fundadores da Ordem os seguintes nomes:

  • Hugo de Payens: O primeiro Grão-Mestre da Ordem.
  • Godofredo de Saint-Omer: Um nobre francês que se tornou um dos principais líderes da Ordem.
  • Payen de Montdidier: Um cavaleiro francês que se juntou a Hugo de Payens na fundação da Ordem.
  • Archibald de Saint-Aignan: Um nobre francês que se tornou um dos primeiros membros da Ordem.
  • André de Montbard: Um nobre francês que se tornou um dos principais líderes da Ordem.
  • Gondemare: Um cavaleiro francês que se juntou a Hugo de Payens na fundação da Ordem.
  • Rossal: Um cavaleiro francês que se juntou a Hugo de Payens na fundação da Ordem.
  • Godefroi: Um cavaleiro francês que se juntou a Hugo de Payens na fundação da Ordem.
  • Ralph: Um cavaleiro francês que se juntou a Hugo de Payens na fundação da Ordem.

A Ordem era uma Ordem Religiosa e Militar ao mesmo tempo, sendo estes dois pilares inseparáveis. Cada qual destes pilares tinha seu próprio voto. Do pilar da religião faziam voto de Pobreza, Castidade e Obediência.

Do pilar militar faziam voto para proteger aos peregrinos cristãos que iam a Jerusalém. Ademais tinham alguns aspectos muito marcantes em sua conduta militar. Por exemplo, eles jamais se permitiam recuar no campo de batalha. Também jamais se rendiam, preferiam a morte à rendição.

2.3: Histórico, Término e Repatriamento da Ordem dos Cavaleiros Templários

Bernardo de Claraval, hoje São Bernardo de Claraval; apresentou a Ordem ao Papa Honório II, indicando os objetivos desta. E em 13 de janeiro de 1129 a Ordem obtém reconhecimento papal de Honório II. Em 29 de março de 1139, na bula papal Omne datum optimum, a Ordem ganha privilégios a partir do Papa Inocêncio II.

A Ordem dos Templários, pelo valor militar e dedicação à obra cristã, gozavam de prestígio. Recebiam muitas doações as quais eram controladas pela direção da Ordem. Com o passar do tempo a Ordem detinha mais riqueza que muitos reinos. Apesar da superação financeira a Ordem, com seu prestígio social também superava o poder dos reis e seus reinos.

Em 1291, com a queda da Fortaleza da Ordem dos Templários; muitos Cavaleiros morreram soterrados. Assim, a Ordem foi transferida para a ilha de Chipre, esta no entorno da Turquia, Líbano e Síria. Recorda-se que Constantinopla é a atual cidade de Istambul, que fica na Turquia.

Na ilha de Chipre, juntamente com os Cavaleiros sobreviventes, surge um novo Grão-mestre, Jacques de Molay. Este deu nome à Ordem DeMolay, destinada a jovens.

Na mesma época, em 1299; Filipe IV, Rei da França, conhecido como Filipe, o belo; pede um empréstimo aos Templários, no valor de 500.000 Libras; pois, estava com dificuldade para manter seu exército. Ademais, a inflação era alta e a população começava a reivindicar mudanças. Logo, o empréstimo iria dar uma ajuda ao rei francês para tentar superar a crise.

Por isso Filipe IV buscou a ajuda dos Templários. Entretanto, para não ter que pagar o empréstimo, Filipe IV cria campanha difamatória. Ele acusou os Cavaleiros de heresia, fraude e corrupção. Diante disso ele ordenou em 13 de outubro de 1307 a prisão de todos os Cavaleiros Templários presentes na França à época.

O Papa Clemente V declarou que os Cavaleiros Templários não eram hereges. Mesmo assim Filipe IV mandou prender e executar muitos Cavaleiros Templários, o que ocorreu em 13 de outubro de 1307; uma sexta-feira, de onde se crê a tradição da sexta-feira 13.

Em 18 de março de 1314 Jacques de Molay foi condenado à morte na fogueira por ser considerado herege. Nesse mesmo ano a Ordem dos Templários é dissolvida na França.

Em Portugal, o Rei Dom Diniz reconhece o valor da Ordem dos Templários e confere a ela salvo-conduto. Lá a Ordem passou a ser chamada como a Ordem de Cristo. A riqueza da Ordem passou para a coroa portuguesa. E é justamente esse dinheiro que financiou as navegações marítimas portuguesas, sendo ele, o pequeno Portugal, o pioneiro europeu.

Pedro Álvares Cabral era Grão-Mestre da Ordem de Cristo. Essa condição foi o gatilho necessário para que Portugal se direcionasse e se aventurasse rumo ao Brasil. Ao chegar ao Brasil a terra foi denominada como Terra de Vera Cruz, uma menção Templária.  

2.4: Características gerais da Ordem dos Templários

A Ordem dos Templários tinha preceitos espirituais estes escritos por São Bernardo de Claraval. Um destes preceitos era: “Lutar contra si mesmo e contra os inimigos do Cristo”. A rendição era algo impensável para um Templário e jamais, por hipótese alguma, um Templário jamais, recuaria em um campo de batalha.

Um Cavaleiro Templário deveria desenvolver ou ter alguns requisitos, são eles:

  • Boa condição física, possuindo bom vigor e agilidade;
  • Ter coragem e ser intrépido;
  • Ser leal à causa e ao grupo e
  • Estar disposto a se sacrificar, tanto com a realização de ações difíceis como com a própria vida.

Não admitia-se conversas sexuais. Destaca-se que a castidade é um dos votos de um Cavaleiro Templário. Quanto a não recuar em campo batalha um caso conhecido é o cerco de Antioquia onde os Cavaleiros Templários fizeram uma muralha humana para impedir a passagem dos muçulmanos para Jerusalém.

Na batalha de Hattin, em julho de 1187, 230 Cavaleiros Templários foram capturados pelos muçulmanos. Estes deram duas opções; converter-se ao Islã ou aceitar a morte. Todos os Cavaleiros Templários preferiram a morte.

3: Lema

Os Templários tinham um lema o qual tem origem devocional. O original é em latim, e vem do hebraico, em texto do Livro dos Salmos capítulo 115, versículo 1 e é transcrito como:

NON NOBIS, DOMINE, NON NOBIS, SED NOMINI TUO DA GLORIAN

A tradução é: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas pela Glória de teu nome”.

Lema Templário

O significado mais direto é: O que faço, não faço por mim, por meu orgulho, faço por ti. Entretanto a interpretação pode ser aprofundada.

4: Código Ético dos Cavaleiros Templários

Segue alguns elementos que constituem a ética e o comportamento dos Cavaleiros Templários.

  • Amai o bem;
  • Ignorai o mal;
  • Tenha bondade, aja com justiça e tenha compaixão;
  • Não julgues ou critiques nunca a ninguém;
  • Sê paciente, calmo e comedido;
  • Não te entregues jamais à cólera ou se deixe conduzir pelo orgulho;
  • Sê puro, seja sensível e expresse doçura;
  • Não pratiqueis nunca a ironia;
  • Tenha confiança, seja satisfeito e aberto aos outros;
  • Não duvideis e jamais sejais invejoso;
  • Sê moderado e tenha temperança em todas as coisas;
  • Evita os excessos;
  • Sê humilde, amável, modesto, generoso e respeitoso para com os outros;
  • Não sejas nunca malévolo;
  • Sê verdadeiro em palavras e em atos;
  • Diga sempre a verdade;
  • Não mintas nem difames jamais;
  • Sê prestativo e benévolo em relação a tudo que existe;
  • Não enganeis e não traias ninguém;
  • Amai e protegei a vida.
  • Propagai a paz e a harmonia;
  • Não manifestes agressividade em nenhum plano, seja dentro de si, seja fora de si.

5: Algumas Regras da Ordem dos Templários

Ela foi escrita por São Bernardo de Claraval. As regras transcritas seguem a obra de Henri de Curzon, de 1886. As regras em si começam a partir do item 9. As ações começam a partir do item 39.

(…)

39 – A fim de levar a cabo os seus santos deveres, merecer a Glória do Senhor e escapar do temível fogo do inferno, é concorde que todos os irmãos professos obedeçam estritamente ao seu Mestre. Porque nada é mais agradável a Cristo Jesus que a obediência. Por esta razão, tão logo seja ordenado pelo Mestre ou em quem haja delegado a sua autoridade, deverá ser obedecido sem dilação como se o Cristo o tivesse imposto. Por isso Cristo Jesus pela boca de David disse e é certo: ‘Ob auditu auris obdevit mihi’. Que quer dizer: “Obedeceu-me tão pronto me escutou”.

40 – Por esta razão rezamos e firmemente damos como ditame aos irmãos cavaleiros que abandonaram a sua ambição pessoal e a todos aqueles que servem por um período determinado, a não sair por povoados ou cidades sem a permissão do Mestre ou de quem o haja delegado, excepto pela noite ao Sepulcro e outros lugares de oração dentro dos muros da cidade de Jerusalém.

41 – Lá, os irmãos irão aos pares, e de outra forma não poderão sair nem de dia nem de noite; e quando se detiverem numa pousada, nenhum irmão, escudeiro ou sargento pode acudir aos aposentos de outro para vê-lo ou falar com ele sem permissão, tal como foi dito. Ordenamos, por unânime consentimento, que nesta Ordem regida por Deus, nenhum irmão deverá lutar ou descansar segundo a sua vontade, senão seguindo as ordens do Mestre, a quem todos se devem submeter, para que sigam as indicações de Cristo Jesus, que disse: ‘Non veni facere voluntatem meam, sed ejus qui meset me Patris’. Que significa: “Eu não vim para fazer a minha própria vontade, senão a vontade de meu Pai, quem me enviou”.