INÍCIO: 3500 a.C.
FIM: 331 a.C.
1: Introdução
A Mesopotâmia correspondia à região entre os rios Tigre e Eufrates. Em termos gerais, corresponde em boa parte ao Iraque e áreas vizinhas. A periodização é, em termos gerais, função direta do povo ou dinastia que exercia hegemonia na região, entretanto, há exceções.
Os povos da Mesopotâmia incluem, principalmente: Sumérios, Acádios, Babilônios, Assírios e Caldeus. Hebreus e Fenícios não correspondem à região da Mesopotâmia, mas ao Levante. Eles são povos de outra tradição histórica e pertencentes a outra região geográfica.
Entretanto, aparentemente, contrariando essa lógica, especificamente na periodização aparecem os Persas. Isso se dá porque os Persas conquistaram a região e, devido a esse fato, a historiografia inclui os Persas para indicar o término da periodização da Mesopotâmia. Mas isso não significa que eles sejam povos da Mesopotâmia.
Um ponto de destaque refere-se à linha de periodização. No caso da Mesopotâmia, ela não é uma linha contínua. Ela possui interrupções porque entre um povo dominante e outro existe, normalmente, um momento de ascensão de um povo e declínio de outro. Isso resulta em lacunas na periodização. Vamos apresentar a periodização com estas lacunas, entretanto, as apontando e as descrevendo.
2: Periodização da Mesopotâmia
A periodização da Mesopotâmia varia conforme o autor. Vamos apresentar a mais recorrente.
PERÍODO SUMÉRIO: 3500 a 2334 a.C.
Início: Desenvolvimento da escrita pelos Sumérios, por volta de 3500 a.C.
Fim: Ascensão e consolidação do Império Acádio, com o ano de 2334 estimado como sendo o início do reinado de Sargão.
Nosso marco inicial é creditado à escrita cuneiforme por parte dos Sumérios. Surgem ainda algumas das primeiras Cidades-Estado da história, como Ur, Uruk, Lagash e Eridu, cuja organização social influenciou a própria política local, dando a elas independência. A agricultura irrigada, a partir dos rios Tigre e Eufrates, se aperfeiçoa e favorece o crescimento dos centros urbanos.
Os Sumérios constroem os famosos zigurates, que eram grandes Templos religiosos que se tornaram símbolos da civilização mesopotâmica. Período com desenvolvimento de conhecimentos em matemática, astronomia, engenharia hidráulica, administração e contabilidade. Também presente uma forte formação das bases religiosas, culturais e administrativas que influenciariam os povos posteriores da Mesopotâmia.
PERÍODO ACÁDIO: 2334 a 2154 a.C.
Início: Início estimado do Império Acádio com o reinado de Sargão da Acádia, em 2334 a.C.
Fim: Queda do Império Acádio
Nesse período é creditado o surgimento do primeiro grande Império territorial da Mesopotâmia. Com a ascensão de Sargão, ele exerce domínio sobre a região a conquistando, transformando a realidade das Cidades-Estado em um Império unificado politicamente, tendo um governo centralizado. Há expansão militar para regiões além dos vales do Tigre e do Eufrates, o que ajuda na difusão da língua acadiana – uma língua semita – como idioma administrativo e diplomático. A expansão resulta em conquistas fora da região da Mesopotâmia.
A cultura Suméria tem sua continuidade, de forma adaptada, dentro da estrutura do Império Acádio. Nesse período há um fortalecimento da burocracia estatal e da administração das províncias conquistadas, em razão da ampliação territorial do Império. Com a expansão, há ampliação das redes comerciais e do intercâmbio entre diferentes regiões do Oriente Próximo.
Período Gútio: Compreende um período de transição entre 2154 e 2112 a.C. Esse período de transição marca a queda do Império Acádio em 2154 a.C. e restauração da hegemonia pelos Sumérios em 2112 a.C.
PERÍODO NEOSSUMÉRIO: 2112 a 2004 a.C.
Início: Início da III Dinastia de Ur por Ur-Nammu e restauração da hegemonia Suméria na Mesopotâmia em 2112 a.C.
Fim: Queda de Ur III, em 2004 a.C.
Momento em que a Suméria recupera sua identidade cultural, restabelecendo suas cidades, não mais na condição de Cidades-Estado, mas a partir de um Estado centralizado na cidade de Ur. Com a queda do Império Acádio, houve uma fragmentação política na região e um período de instabilidade, onde as cidades buscavam o controle da região. Com a ascensão do rei Ur-Nammu, ele tornou a cidade de Ur um centro, elevando-se ao status de capital política da região. Assim, os Sumérios passaram a deter novamente a hegemonia da região.
Com isso várias cidades foram reunificadas, por essa razão a historiografia denomina essa fase de “O Novo período Sumério”. Nesse novo período, com um Estado centralizado, os Sumérios desenvolveram estruturas administrativas mais robustas, em parte, advindas dos Acádios. Ocorre reconstrução e expansão dos Templos e zigurates. Esse período é considerado, um dos mais, senão o mais organizado administrativa e politicamente na Mesopotâmia. É o último momento de hegemonia da Suméria.
Período Pós Ur III: Compreende os anos de 2004 a 1894 a.C. É um momento de grandes transformações. Ele marca o fim do período Neossumérico e início do período Babilônico. A historiografia não tem consenso de nomes e datas. Alguns historiadores chamam o período entre 2025 a 1763 a.C. como período Isin-Larsa. É assim chamado porque os reinos de Isin e Larsa foram os principais competidores pela hegemonia do sul da Mesopotâmia. Alguns ainda destacam os anos de 2000 a 1595 a.C., como período Amorita. Ele enfatiza a ascensão dos Amoritas, povo semita que fundou diversas dinastias, incluindo a da Babilônia.
PERÍODO BABILÔNIO: 1894 a 1595 a.C.
Início: Fundação da primeira dinastia da Babilônia, em 1894 a.C.
Fim: Hititas saqueiam a Babilônia, o que provoca sua queda, em 1595 a.C.
Aqui, após o término da hegemonia dos Sumérios, surge uma nova cidade como centro hegemônico, a Babilônia. Nesse contexto foi no período Babilônio que marcou a transformação da Babilônia de uma cidade regional em uma das maiores potências da Mesopotâmia. Durante essa fase, ocorreu a consolidação de um Estado centralizado, a região deixou de ter a presença de diversos reinos independentes e passou a estar, em grande medida, subordinada ao poder da Babilônia, fortalecendo a centralização política e administrativa da Mesopotâmia.
Surge durante o Reinado de Hamurábi, o famoso código que leva seu nome, considerado um dos mais antigos e um dos mais influentes códigos de Leis escrito da humanidade. Foi Hamurábi o responsável pela expansão do poder Babilônico permitindo a unificação em grande parte da Mesopotâmia a deixando sob domínio da Babilônia. Ela também se torna, além de um centro político e econômico, um importante centro religioso.
Período Cassita e Mitani: Esse período compreende os anos entre 1595 a 1365 a.C. Ele foi marcado pela fragmentação política da Mesopotâmia, com predominância dos Cassitas na Babilônia e do Reino de Mitani no norte da região, preparando o cenário para a ascensão da Assíria. A historiografia ainda aponta o período Cassita, compreendendo os anos entre 1595 e 1155 a.C., caracterizado pelo domínio Cassita na Babilônia, com o surgimento de uma dinastia. Há ainda indicação do período Mitani entre os anos de 1500 a 1300 a.C. Ele é caracterizado pela hegemonia do Reino de Mitani sobre partes do norte Mesopotâmico.
PERÍODO ASSÍRIO: 1365 a 609 a.C.
Início: Ascensão do Reino Médio Assírio, em 1365 a.C, momento em que o rei Assur-Ubalite I liberta a Assíria da dominação do Reino de Mitani.
Fim: Babilônios e Medos derrotam definitivamente os assírios em Harrã, em 609 a.C.
Neste período a Assíria se transforma em uma grande potência militar da região, com formação de um Império baseado na conquista de vastos territórios. O exército Assírio era altamente organizado e muito profissional. Ele dispunha de técnicas avançadas de cerco e de guerra. Essa constituição militar ultrapassou a Mesopotâmia, chegando ao Levante, Anatólia e Egito.
Os Assírios utilizaram a política de governadores e províncias para administrar as regiões conquistadas. Ergueram grandes centros urbanos e estabeleceram centros administrativos. Isso permitiu ampliar as redes comerciais e, por extensão, as comunicações do Império. O período também apresentou uma política de deportação de populações para facilitar o controle dos territórios dominados, uma forma de reduzir as rebeliões.
Foi ainda o período da criação da Biblioteca de Nínive. Ela foi destruída por um incêndio, em 612 a.C. quando da invasão pelos Babilônios e pelos Medos.
Período da guerra de sucessão Imperial: Compreende os anos entre 626 a 609 a.C. Marca a transição e guerra pela hegemonia da Mesopotâmia, no qual a Assíria encontrava-se em declínio enquanto a Dinastia Neobabilônica consolidava sua ascensão ao poder.
PERÍODO NEOBABILÔNIO: 626 a 539 a.C.
Início: Revolta de Nabopolassar contra a Assíria e fundação da Dinastia Neobabilônica, de origem Caldeia, em 626 a.C.
Fim: O Persa Ciro II domina a Babilônia, anexando-a ao Império Persa, em 539 a.C.
Com o saque dos Babilônios e Medos contra a Assíria, esta cai e permite a restauração da hegemonia da Babilônia na Mesopotâmia após séculos de predominância assíria. Por isso, esse período é conhecido como Neobabilônico. É o momento da formação da Dinastia Caldeia, responsável por esse renascimento político da Babilônia.
É um período que, mantendo a política dos períodos anteriores, continua com a expansão territorial e com o fortalecimento de um poder central. Há grandes obras arquitetônicas, retomando o prestígio político, econômico e cultural da Babilônia no Oriente Próximo.
Grande desenvolvimento do comércio e fortalecimento das relações diplomáticas. Nesse período surge Nabucodonosor II, o responsável pela destruição de Jerusalém. Seu nome aparece na Bíblia Hebraica, no livro de Daniel.
Este foi o último período independente dos povos da Mesopotâmia. Após este período, ocorre a conquista Persa, na sequência, conquista pelos macedônios.
PERÍODO PERSA: 539 a 331 a.C.
Início: Domínio Persa na região da Mesopotâmia (Babilônia), em 539 a.C.
Fim: Batalha de Gaugamela em 331 a.C., momento em que Alexandre Magno, rei da Macedônia, derrotou o Persa Dario III.
Ciro II conquista a Mesopotâmia, e a incorpora ao vasto Império Persa, até então, o maior da antiguidade. Uma característica de Ciro II e Dario I, era manter as diversas tradições, religiões e costumes locais sob supervisão Persa, uma política de tolerância. Isso ajudava a reduzir rebeliões e tornava o conquistador Persa menos temido e rechaçado pelos povos conquistados.
A partir da conquista, a Mesopotâmia passa a ser integrada com o restante do Império Persa que compreendia a Pérsia, a Média, o Egito e a Mesopotâmia. Ciro II conquista a Babilônia em 539 a.C., iniciando o domínio Persa na região.
3: Linha do Tempo
Segue a Linha do Tempo para a Mesopotâmia.