1: Introdução
O Comércio Internacional é uma realidade. Esta realidade não é de hoje, não é uma invenção contemporânea, ela sempre existiu. Quem nunca ouviu falar da rota da Seda ou de Marco Polo e suas viagens à China? Os povos sempre fizeram comércio entre si. Os intercâmbios culturais se davam mediante o comércio.
Hoje é comum brasileiros ufanistas de seu país defenderem de forma utópica e irracional que o Real Brasileiro tem valor internacional. Diz-se que é uma moeda forte. Entretanto, na prática do Comércio Internacional não é isso que se vê. Tecnicamente o Real Brasileiro é considerada uma moeda moderadamente volátil. Em termos práticos, é pouco usada como moeda de reserva, o que limita seu valor.
Este artigo visa fazer duas coisas. A primeira é apresentar as principais moedas no âmbito do Comércio Internacional. A segunda é, por consequência da primeira, provar que o Real Brasileiro não possui relevância em termos de moeda de troca no Comércio Internacional, se limitando a “ser forte”, de forma regional, na América do Sul, caso por exemplo da Bolívia e Chile, países onde o Real Brasileiro é bem visto. Mas é só sair desse cenário que nossa moeda se torna uma anã.
2: A Arquitetura no Comércio Internacional
As 10 principais moedas utilizadas no Comércio Internacional são, conforme relatório BIS de 2022 (BIS; Bank for International Settlements – Banco de Compensações Internacionais):
Fonte: https://www.bis.org/
1: Dólar Americano (USD)
Percentual: 88%
Importância: É a principal moeda de Comércio Internacional; sendo moeda de reserva mundial e importante base de commodities, tais como o petróleo, o ouro e grãos em geral.
2: Euro (EUR)
Percentual: 31%
Importância: É a principal moeda Principal moeda da União Europeia (moeda corrente) e, por várias questões, em especial a volumetria de países (europeus e suas colônias) que o utilizam, torna essa moeda forte no comércio intraeuropeu e global.
3: Yene Japonês (JPY)
Percentual: 17%
Importância: Possui grande relevância no comércio da Ásia diante do que o Japão produz de tecnologia e bens de consumo em geral. A moeda possui alta liquidez em mercados financeiros, o que é de grande interesse nas transações, inclusive, a cambial.
4: Libra Esterlina (GBP)
Percentual: 13%
Importância: Forte uso em finanças globais e comércio, em particular pelo histórico de confiança que a moeda conquistou, tendo sido “substituída” pelo Dólar Americano no pós Primeira Guerra Mundial.
5: Yuan Chinês (Renminbi) (CNY)
Percentual: 7% (percentual em crescimento)
Importância: China é a maior potência exportadora do mundo o que faz pesar na balança comercial, ademais, é uma moeda em expansão em acordos bilaterais.
6: Dólar Australiano (AUD)
Percentual: 6%
Importância: Importante em exportações de minérios, energia e commodities agrícolas.
NOTA: Verifica-se que os elementos que fazem a inclusão da Austrália como sexta moeda mais transacionada no Comércio Internacional são elementos que o Brasil possui, mas isso não coloca o Brasil em posição de igualdade ou, pelo menos, de proximidade com a Austrália. Isso se deve, em uma simples expressão, ao Risco Brasil.
Os investidores não têm confiança em investir no Brasil. Isso se deve a como nossa Política e nosso Judiciário são vistos pelos olhos internacionais, o que, em termos de investimentos, são vistos como riscos. Esses riscos se remetem ao fato de um investidor depositar dinheiro no Brasil e não ter certeza se pode retirar seus lucros depois. Isso se deve à Política brasileira e como o Judiciário interfere (por meio de Normas) no momento de resgatar os lucros e levá-los ao estrangeiro.
7: Dólar Canadense (CAD)
Percentual: 5%
Importância: Forte em comércio de petróleo, gás e produtos agrícolas, o que possui relevância nos dias atuais. Ademais, é uma moeda estável.
8: Franco Suíço (CHF)
Percentual: 5%
Importância: É utilizada como uma moeda para refúgio, por isso muito usada em contratos internacionais e Comércio Internacional. Isso dá segurança e, por isso, é bastante apreciada para celebrar contratos entre países e/ou empresas estrangeiras.
9: Dólar de Hong Kong (HKD)
Percentual: 4%
Importância: Forte integração com a China, o que ajuda a alavancar sua moeda e centro financeiro asiático. Possui estabilidade financeira, o que, juntamente com a integração com a China, eleva sua credibilidade e aceitação internacional. Destaca-se que Hong Kong tem um dos maiores portos em movimentação de containers do mundo, o que facilita o uso da moeda como meio de troca em transações.
10: Dólar de Singapura (SGD)
Percentual: 2%
Importância: Hub (ponto de conexão, ponto de interligação múltipla) financeiro e comercial da Ásia, em virtude de sua produção, em especial, mas não só, no setor de eletrônica (semicondutores), ademais, possui uma moeda bastante estável.
Como salta em simples observação, o Real Brasileiro (BRL) não aparece nessa lista. O Real aparece na posição 19, com não mais que 1% das transações de Comércio Internacional. Ou seja, em termos de Comércio Internacional, o Real é um anão. É o mais bem posicionado da América do Sul.
Em termos de América Latina, o Peso Mexicano (MXN) é o mais bem posicionado, ocupando a 11º colocação e ostentando 1,7% do volume de movimentação no Comércio Internacional. Obviamente, que isso possui uma ajuda de seu país vizinho, os Estados Unidos.
O Dólar Americano é, disparado a moeda que mantém a grande hegemonia no Comércio Internacional. Mesmo que a China esteja crescendo, a superação dessa hegemonia levará (se isso ocorrer) anos, tal como se deu no caso da Libra Esterlina para o Dólar Americano; onde especialistas afirmam que a transição se deu de 25 a 50 anos, o que varia conforme o país analisado.
3: Explicações Técnicas
Você deve ter notado que a soma percentual não resulta em 100%. Isso não é um erro e tem uma perfeita explicação técnica. Ocorre que em uma dada transação podemos usar apenas uma moeda ou duas moedas.
Por exemplo, a transação comercial envolvendo os Estados Unidos e o Japão. Pode ser que se utilize apenas dólares (dólares americanos) ou pode ser que se utilize dólares e yenes. Como a transação envolve uma compra e uma venda, muitas vezes uma mesma moeda é contabilizada duas vezes.
Por isso a soma dos percentuais parciais não resulta em 100%. Isso porque uma transação envolve uma compra e, para toda compra, há uma venda.
É natural pensar que o percentual deve fechar em 200%; uma vez que a moeda é contabilizada duas vezes, uma primeira vez na compra e uma segunda vez na venda. Entretanto, isso está errado.
E está errado porque pode ser que se use uma moeda na compra e a mesma moeda na venda. Se assim fosse, a soma dos percentuais parciais resultaria em 200%; mas nem sempre é isso o que ocorre. É comum o uso de duas moedas, uma na compra e outra na venda. Mas também é comum o uso de uma mesma moeda. Logo, a soma dos percentuais parciais resulta em algo maior que 100% e algo menor que 200%. Isso é o que se chama de Metodologia Estatística.