USD: R$ 4,98
BTC: R$ 387.262,32
EUR: R$ 5,83
GBP: R$ 6,73

Países Árabes, as Moedas de maior valor

1: Introdução

Um bom observador deve ter notado que os países árabes possuem moedas de alto valor nominal. Os árabes são uma etnia e hoje conformam a chamada Liga Árabe, o que reúne 22 países. Sua presença conforma o que chamamos de Oriente Médio e, em termos de geografia, mais precisamente, geopolítica, essa região compreende parte do norte da África e o sudoeste da Ásia, algo na forma de uma meia lua crescente.

A não ser por questões de conflitos bélicos, quase não se ouve falar dos países árabes em aspectos de economia. Entretanto, sua força e expressão são marcantes no mundo econômico e financeiro, moldando, por assim dizer, um formato único e bastante influente aos demais.

Em março de 2026, momento em que esse Artigo foi escrito, das 10 moedas de maior valor nominal, 4 são de países árabes. Se extrapolarmos para 20 moedas destas, 7 são de países árabes.

Continuando nosso raciocínio, algo muito impressionante, as 5 primeiras posições tem 4 países árabes, todos iniciando a lista deixando a quinta posição a um ilustre desconhecido. A posição em março de 2026 com relação ao valor nominal das moedas, com escrita feita em destaque para destacar os países árabes é:

1: Kuwaiti Dinar (KWD): Kuwait
2: Bahraini Dinar (BHD): Bahrein
3: Omani Rial (OMR): Omã
4: Jordanian Dinar (JOD): Jordânia
5: Gibraltar Pound (GIP): Gibraltar
6: Pound Sterling (GBP): Reino Unido
7: Swiss Franc (CHF): Suíça
8: Cayman Islands Dollar (KYD): Ilhas Cayman
9: Euro (EUR): Zona do Euro
10: United States Dollar (USD): Estados Unidos
11: Singapore Dollar (SGD): Singapura
12: Brunei Dollar (BND): Brunei
13: Canadian Dollar (CAD): Canadá
14: Australian Dollar (AUD): Austrália
15: New Zealand Dollar (NZD): Nova Zelândia
16: Bulgarian Lev (BGN): Bulgária
17: Israeli New Shekel (ILS): Israel
18: Qatari Riyal (QAR): Catar
19: United Arab Emirates Dirham (AED): Emirados Árabes Unidos
20: Saudi Riyal (SAR): Arábia Saudita

Mapa do Oriente Médio
Mapa recortado do Oriente Médio

Para fins de compreensão, a cotação do Dólar Americano (USD), considerado uma referência mundial, com relação ao Dinar do Kuwait (KWD), Dinar de Bahrein (BHD), Omani Rial de Omã (OMR) e Dinar da Jordânia (JOD) é, respectivamente; 3,26 (USD ‭→ KWD); 2,65 (USD ‭→ BHD); 2,60 (USD ‭→ OMR) e 1,41 (USD ‭→ JOD).

Obviamente que nada disso é por acaso. Não faz sentido crer que 7 países árabes estejam entre as 20 moedas de maior valor nominal e que isso seja ao acaso. Não faz sentido crer que as 4 primeiras posições estejam ocupadas pelos países árabes e que isso seja casual.

É claro que existe uma explicação e que, mesmo o leitor mais leigo consegue perceber que existe algum elemento comum entre estes países além do fato de todos serem países onde o Islã é a religião oficial e presente em quase a totalidade de suas populações.

E é disso que vamos tratar nesse artigo. Vamos explorar o motivo que faz com que as moedas dos países árabes tenham tão alto valor nominal. Nosso estudo vai abordar os 7 países da lista que apresentamos: Kuwait, Bahrein, Omã, Jordânia, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

2: Fatores Estruturais e Fatores Institucionais

Antes de explorar os países árabes, o primeiro a entender refere-se aos elementos que foram utilizados por estes países. Vamos começar por organizar nossa ideia para melhor compreensão, uma forma de criar um mapa mental para isso.

Assim, em termos de categorização estes elementos podem ser classificados em dois fatores, são eles:

(i) Fatores Estruturais e
(ii) Fatores Institucionais.

2.1: Fatores Estruturais

São aqueles que permitem mudanças profundas, sendo capazes de moldar, de conformar uma sociedade. Entre eles, incluem, principalmente, a riqueza em recursos naturais, a produção econômica e o tamanho da população. Uma observação interessante, em geral, quanto mais escassos e estratégicos os recursos, maior tende a ser o valor da moeda porque maior é a estratégia necessária para superar adversidades. Ou seja, aquela conhecida frase; “Me dê um limão, e eu faço uma limonada”.

Perceba que os elementos elencados são realmente aspectos que estruturam uma sociedade. A riqueza em recursos naturais, por exemplo, ela realmente molda uma sociedade porque através dele é onde um país vai orbitar sua economia. Ninguém vai produzir algo que não tem. Logo, os recursos naturais são elementos estruturais de uma sociedade, a qual se utiliza destes em benefício próprio e busca artifícios e estratégias para superar a ausência de determinados elementos, como, por exemplo, a escassez de água, vital para a sobrevivência humana.

A própria produção econômica é um fator estruturante porque a economia de uma nação ajuda a conforma a sociedade, não somente em termos sociais, mas também em sua cultura. Locais onde haja extração de minério, a população local se reveste dessa atividade, gerando, a partir dela, investimentos que ajudem na manutenção dessa atividade, bem como trazendo meios para sua permanência. Por exemplo, a criação de restaurantes, hotéis e lojas de máquinas especializadas são alguns dos exemplos.

Por fim, o tamanho da população é variável importante. Isso porque a riqueza, de uma forma ou outra, é dividida pela população. Quanto maior a população, menor a fatia média dessa divisão. Ademais, uma grande população cria maior concorrência por oportunidades e isso tende a baixar o valor dos salários, conforme explica a Lei de Oferta e Demanda.

No caso dos países árabes os três elementos elencados são fatores estruturais fundamentais para a explicar o alto valor nominal de suas moedas. Assim,

(i) Recursos Naturais,
(ii) Produção Econômica e
(iii) Tamanho da População,

são os fatores estruturais explicativos para essa proeminência das moedas árabes. Entretanto, esse fator estrutural, não explica sozinho esse destaque. Questões institucionais, em conformidade aos fatores estruturais explicam esse peculiar fenômeno econômico.

2.2: Fatores Institucionais

São aqueles associados às Normas, Leis, Regras, Regulações e Organizações que permitem reger o comportamento e as interações sociais. Uma expressão a define bem: São as regras do jogo.

Isso garante estabilidade política, estabilidade econômica e gera credibilidade do Banco Central. Para isso se faz necessária uma forte disciplina monetária e de políticas cambiais. Moedas de países com

(i) Instituições fortes e
(ii) Regras estáveis,

conseguem manter ou aumentar seu valor, mesmo sem abundância de recursos. Por isso o caso dos países árabes é um binômio entre Fatores Estruturais E Fatores Institucionais. Não se deve divorciar a explicação, estes elementos, juntos, constituem a explicação de como conseguem manter uma moeda com alto valor nominal superando o Dólar Americano (USD), o Euro (EUR) e a Libra Esterlina (GBP).

Um ponto a considerar com relação às Normas dos países árabes é que as Leis e demais Normas são fundamentadas na Sharia e esta fundamentada no Corão, livro sagrado para os muçulmanos. Isso é um ponto em comum entre os países. A Sharia rege também a economia e toda a sociedade árabe.

Alcorão
Alcorão – trecho de uma de suas páginas

E por que isso importa? Bem, porque a Sharia – Lei Islâmica – visa a justiça social e o bem-estar de seu povo. Logo, o dirigente tem por obrigação religiosa, legal e moral, cumprir com certos requisitos para ofertar uma visa salutar a sua população. Depreende-se que, em alguns países árabes, inspirados pela Sharia, esta com forte caráter ético, aplicam seus fundamentos na economia o que pode explicar, ainda que parcialmente, o sucesso social de suas ações econômicas. Deve-se notar que alguns países árabes não aplicam a Sharia de forma pura, mas coexistindo com códigos civis.

2.3: Um Breve Resumo

O valor de uma moeda depende destes dois fatores. Da riqueza e estratégias de produção – aspectos dos Fatores Estruturais – e das Normas que regem o comportamento social e econômico de dada população, sendo estes os Fatores Institucionais.

Em síntese, o valor de uma moeda depende da economia e da gestão. Essa é a síntese:

(i) ECONOMIA ESTRUTURADA: Fator Estrutural e
(ii) GESTÃO EFICIENTE: Fator Institucional.

Fatores Estruturais e Fatores Institucionais
Fatores Estruturais e Fatores Institucionais

Essa é, em síntese a mágica árabe. Essa é a magia do gênio da lâmpada de Aladdin. Reforçamos o que já dissemos: regra geral, países com abundantes recursos naturais tendem a ter moedas com baixo valor nominal, ao passo que países com escassos recursos naturais tendem a ter moedas com alto valor nominal. Isso pode, em parte, ser aplicado aos países árabes que, ainda que tenham, no geral, grandes reservas de petróleo e de gás, possuem escassas reservas de água e mesmo assim esse povo subsiste por milênios. Realmente, algo admirável!

3: Metodologia do nosso estudo

Vamos dividir nosso estudo em três níveis, a saber:

(i) Fatores comuns a todos os 7 países árabes;
(ii) Fatores comuns a alguns países árabes e
(iii) Fatores únicos de cada país árabe

Desta forma conseguimos avaliar a eficácia da economia árabe como um todo, a partir dos elementos comuns e avaliamos sucessos peculiares a partir do estudo de casos individuais.

4: Fatores Comuns aos 7 países árabes

4.1: Regime Cambial

É um Fator Institucional. O primeiro a destacar e talvez seja o mais importante, é o regime cambial. Em termos de Política Cambial, existem três principais regimes (para saber mais, Clique Aqui).

(i) Regime Cambial Flutuante
(ii) Regime Cambial Fixo
(iii) Regime Cambial Sujo

No caso dos países árabes sob análise, todos possuem um regime cambial muito estável. No caso dos países árabes, isso se consegue mediante ação do Estado, seja por ação governamental direta, seja por ação de um Banco Central. O que há em comum é que todos os 7 países:

(i) Possuem um regime cambial muito estável e
(ii) Há intervenção Estatal.

A moeda de referência é, geralmente, o Dólar Americano (USD). A paridade é fixa ou quase fixa, com flutuações que oscilam em intervalo pré-definido, um intervalo bastante estreito; portanto, as flutuações são controladas e mantidas dentro de certos limites, muito restritos.

Bahrein, Omã, Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita utilizam paridade fixa. Neste caso o Estado tem forte regulação agindo sempre que necessário para manter a taxa de câmbio fixa em um valor, ao longo do tempo, sem alteração. Ou seja, a taxa de câmbio é sempre a mesma, independentemente do dia, mês ou ano.

Já Kuwait e a Jordânia utilizam a paridade quase fixa. Neste caso o Estado age para manter a taxa de câmbio dentro de uma estreita margem, ao longo do tempo. A ação existe, mas a intervenção, mesmo sendo grande, é menor que no caso anterior. No caso da Jordânia essa faixa é muito estreita, o que a coloca como algo entre o Kuwait e os demais países. O Kuwait é o país que permite maior flutuação e mesmo esta é muito restrita.

Para que isso ocorra existem 2 principais mecanismos.

Mecanismo 1 – Intervenção do Banco Central: É um Fator Institucional. O Banco Central do país compra e vende moeda doméstica e a moeda de referência (Dólar Americano). Quando a moeda doméstica desvaloriza, o Banco Central utiliza reservas de moedas estrangeiras para comprar moeda doméstica, o que aumenta a sua demanda. Caso a moeda doméstica se valorize, o Banco Central utiliza moeda doméstica a vendendo em troca de moeda estrangeira (Dólar Americano). Isso aumenta a oferta. Qualquer que seja o cenário, o preço das moedas estabilizam.

Mecanismo 2 – Elevadas Reservas Internacionais: É um Fator Institucional. Para que o mecanismo 1 possa acontecer na prática, é necessário que haja reservas de moedas estrangeiras em posse do Estado, no geral, pelo Banco Central. Só que no caso dos 7 países estudados essas reservas são elevadas. Quanto maior a reserva maior a capacidade de absorver crises e as superar. Isso graças à compra e venda de moeda doméstica e estrangeira, conforme o caso.

Estes dois mecanismos buscam atingir dois objetivos, são eles:

Objetivo 1- Priorização da Estabilidade Monetária: É um Fator Institucional. A manutenção de um câmbio fixo ou quase fixo garante oscilação mínima. Na prática isso permite que o poder de compra da população doméstica seja protegido. Assim, os preços internos ficam mais previsíveis, por consequência, o país mantém credibilidade frente a investidores internacionais. A estabilidade monetária é fundamental para planejamento econômico, para um comércio internacional ou exterior constante e sólido e ajuda a atrair investidores e investimentos.

Objetivo 2- Redução da Volatilidade Monetária: É um Fator Institucional. É minimizar oscilações abruptas dos preços. Guarda relação com o objetivo 1 e é conseguido a partir dos mecanismos 1 e 2. Na verdade, os objetivos 1 e 2 são alcançados por meio da aplicação efetiva dos mecanismos 1 e 2.

4.2: Baixa Inflação Histórica

É um Fator Institucional. Todos os 7 países analisados têm um histórico de baixa inflação. E por que isso importa?

Isso dá credibilidade frente aos investidores e frente ao Comércio Internacional porque dá segurança. Por consequência, dá estabilidade histórica para a moeda.

Como a inflação é baixa, historicamente, a erosão monetária é reduzida. Entenda-se erosão monetária como a perda do valor de uma moeda. Se essa moeda tem perda reduzida ao longo do tempo, então a população local conservou a riqueza e isso é sinônimo de comércio ativo, o que gera mais riqueza. É um ciclo que gera riqueza.

Ademais, isso dá credibilidade e confiança frente ao investidor e diante do Comércio Internacional. Tudo isso se resume em uma palavra: SEGURANÇA! Essa segurança é fruto de uma condição histórica de sobriedade econômica.

4.3: Intenso Comércio Internacional

É um Fator Estrutural. O Oriente Médio como um todo tem intenso Comércio Internacional, em especial em dois setores:

(i) o setor de energia, em especial o petróleo e
(ii) o setor financeiro com muita movimentação financeira.

Isso cria um fluxo de movimentação que traz o desenvolvimento econômico da região, propiciando uma serie de novas oportunidades de investimentos, seja local ou de estrangeiro. Ou seja, um ciclo de riqueza. E talvez essa seja outra mágica dos árabes, manter um ciclo de riqueza ao longo do tempo, algo que se consegue somente mediante uma adequada organização e um ótimo planejamento visando o longo prazo.

Muitas vezes priorizamos resultados a curto prazo e esquecemos ou desconhecemos que a fortaleza de uma economia se faz a longo prazo, através de constância, por meio de uma adequada disciplina nas políticas domésticas – fiscal, cambial e monetária. Os árabes nos mostram que investir em projetos a longo prazo trazem resultados efetivos.

5: Fatores Comuns entre alguns países árabes

5.1: Presença de grandes reservas de petróleo e gás

É um Fator Estrutural. Esse é o caso do Kuwait, Omã, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Estes países exportam grandes quantidades de petróleo e gás, ou seja, energia, para o mundo todo. Essa alta movimentação comercial sustenta uma moeda e, ao longo do tempo, confere estabilidade, tendo como consequência uma moeda forte, com alto valor nominal.

Esse comércio intenso traz 3 consequências diretas:

(i) Um alto superávit comercial;
(ii) Entrada constante de Dólar Americano (USD), em boa medida devido ao item anterior e
(iii) Por consequência, acúmulo de grandes reservas cambiais, este, em parte, decorrente do item anterior.

5.2: Baixa população com relação à renda

É um Fator Estrutural. É o caso do Kuwait, Bahrein, Omã e Catar. A alta renda nacional e a pequena população confere uma renda per capta elevada. Essa concentração reduz a dispersão da moeda, a tornando uma riqueza para quem a tem, e riqueza é sinônimo de comércio e comércio sinônimo de estabilidade de uma moeda. É novamente o ciclo da riqueza.

6: Análise dos Fatores Individuais

6.1: Kuwait

País com aproximadamente 4 milhões de habitantes. Possui grandes reservas de petróleo o que, juntamente com sua pequena população faz do Kuwait um país com elevada produção/exportação per capta de petróleo. Além disso possui um grande fundo soberano de reserva. Ou seja, as receitas são direcionadas em boa parte a investimentos ou a reservas para uso em necessidades futuras.

‘Isso confere um grande superávit. Seu câmbio fixo utiliza uma cesta de moedas estrangeiras, tendo o Dólar Americano (USD) como elemento central. Ainda que o Banco Central não divulgue a cesta, crê-se fazer parte, além do Dólar Americano, a Libra Esterlina e o Iene, do Japão, reflexo de seu fluxo comercial e financeiro.

A combinação de

(i) recursos naturais de alto valor,
(ii) população diminuta e
(iii) instituições que direcionam receitas para reservas e investimentos,

resultam em alta renda per capita. Esse ambiente estrutural com estratégia institucional gera uma moeda forte e estável, com inflação controlada e grande confiança internacional.

6.2: Bahrein

País com, aproximadamente 1,7 milhão de habitantes. Bahrein, além de explorar suas reservas de petróleo e seus derivados, optou também por desenvolver um centro financeiro com atuação aberta ao mundo. Essa abertura e ação aumenta a oferta de crédito.

Bahrein tem presença significativa de importantes bancos internacionais. A exploração e exportação de energia (petróleo e seus derivados) e a presença muito ativa do setor financeiro, garante uma alta renda per capta à população, criando o ciclo de riqueza, o que é a fórmula para uma moeda de alto valor nominal.

Alguns dos bancos presentes no país: Arab Banking Corporation, Bank ABC, BNP Paribas, Citibank, HSBC, JPMorgan Chase, Standard Chartered, entre outros. O país abriga mais de 300 instituições financeiras, incluindo bancos convencionais, bancos islâmicos, seguradoras e fundos de investimento. Bahrein se consolidou como centro financeiro, principalmente a partir dos anos 1970, quando várias instituições financeiras internacionais passaram a usar o país como base regional, por questões estratégicas.

6.3: Omã

Possui, uma população de, aproximadamente 5 milhões, para a região, algo considerado como moderado. Grandes quantidades de petróleo exportadas e uma política doméstica bastante estruturada. Essa política considera grandes investimentos em infraestrutura e em serviços gerais.

Investimentos e infraestrutura não são ideias ao acaso, mas uma estratégia pensada, já que Omã não quer estar dependente das reservas de petróleo.

Em termos de infraestrutura, Omã desenvolveu grandes projetos com o intuito de se tornar um hub (em síntese, hub é um ponto central de conexão, de interligação) logístico regional entre Ásia, África e Oriente Médio, uma estratégia lógica e muito fundamentada dada sua localização diante do mar Arábico e Oceano Índico. Omã está a “meio termo” entre a África e a Ásia.

Projetos importantes incluem, em especial, mas não só:

(i) Portos marítimos modernos;
(ii) Aeroportos internacionais;
(iii) Rodovias interligando zonas industriais e
(iv) Zonas econômicas especiais.

Além disso, possuem ainda projetos de infraestrutura estratégica, é o caso do Port of Duqm e Port of Sohar. Essas estruturas permitem, em especial:

(i) Ter um aumento das exportações;
(ii) Ter um crescimento do comércio internacional e
(iii) Atrair investimentos estrangeiros.

Com relação ao setor de serviços, destacamos:

(i) Turismo internacional;
(ii) Logística;
(iii) Comércio;
(iv) Serviços financeiros e
(v) Transportes.

O turismo é impulsionado, principalmente:

(i) Pelo patrimônio histórico;
(ii) Devido às paisagens naturais e
(iii) Devido aos investimentos em resorts e aeroportos, necessários para atrair turistas.

Como já dito, Omã tem uma economia que busca não mais depender, exclusivamente, de suas reservas de petróleo. Omã, assim como todos os demais países árabes analisados, é um caso a ser estudado e um exemplo a ser seguido.

6.4: Jordânia

A Jordânia possui uma população de cerca de 10 milhões de habitantes, sendo o segundo mais populoso dentre os 7 países. É um caso a parte porque não tem grandes reservas de petróleo. Isso faz da Jordânia um caso peculiar e interessante de estudo porque sua moeda é a quarta de maior valor nominal do mundo.

Possui uma forte estrutura monetária e muito boa organização institucional frente à economia. Possui uma política fiscal e monetária estruturada e focada para conter a inflação. Suas instituições são estáveis, com alta disciplina macroeconômica, o que garante a manutenção do poder de compra o que reflete em sua moeda.

Ademais, a Jordânia, recebe apoio internacional significativo. Esse apoio ocorre principalmente de três formas:

1: Ajuda internacional
Países aliados e organizações internacionais fornecem recursos para apoiar (i) o orçamento público; (ii) projetos sociais; (ii) e dar estabilidade econômica. As principais instituições envolvidas nesse processo são: International Monetary Fund e World Bank. Essas organizações concedem empréstimos, e linhas de crédito e programas de estabilização econômica.

2: Investimento estrangeiro
Investidores internacionais aplicam capital em setores estratégicos, tais como energia, infraestrutura, telecomunicações e turismo (histórico, mas não só). Esse investimento aumenta a entrada de moeda estrangeira no país.

3: Apoio financeiro de países aliados
Alguns países da região fornecem assistência financeira direta ou indireta para fortalecer a estabilidade da economia jordaniana e estabilizar a região, evitando destoar. Esses recursos ajudam a manter reservas internacionais, sustentar o regime cambial estável e garantir confiança dos mercados.

Como resultado econômico, a Jordânia contribui para fortalecer as reservas cambiais – algo fundamental para alcançar um elevado valor nominal na sua moeda – sustentar o valor da moeda ao longo do tempo e ajuda a reduzir riscos financeiros. Mesmo sem grandes recursos naturais, a Jordânia consegue manter estabilidade monetária e credibilidade internacional por meio dessa rede de apoio financeiro e institucional.

Entretanto, uma pergunta deve ser feita: Por que a Jordânia é ajudada? A resposta está na geopolítica e podemos destacar três elementos principais.

1: Estabilidade política no Oriente Médio
A Jordânia é um país estável, sem conflitos, em uma região de conflitos. Ela é vizinha de Israel e manter sua estabilidade é importante para muita gente. Alguns elementos ajudam a consolidar a estabilidade de uma nação, a religião, a cultura e a economia. Logo, a ajuda, além de humanitária, é estratégica sob o ponto de vista geopolítico. Além de Israel, a Jordânia faz divisa com a Síria, país em constante conflito. É vizinha também do Iraque e da Arábia Saudita. A estabilidade do país funciona como uma forma de “acalmar” de “amortecer” a tensão em uma região sensível e conflituosa, não dando maiores extensões a um problema crítico da região. Por isso, várias potências têm interesse em manter sua estabilidade econômica.

2: Segurança regional e diplomacia
A Jordânia possui papel importante em acordos regionais e cooperação internacional, dada sua não participação em conflitos. Por exemplo, ela mantém relações diplomáticas estáveis com países do Ocidente; participa de iniciativas de segurança regional (algo muito importante para a região) e para seu próprio interesse, coopera em políticas de segurança e combate ao terrorismo. Para muitos países, manter a Jordânia economicamente estável significa preservar um aliado estratégico na região em especial aos países do Ocidente, mas não exclusivo a eles.

3: Pressão humanitária e refugiados
A Jordânia recebeu grande número de refugiados de conflitos regionais, especialmente da guerra civil na Síria. Esse fluxo populacional gera custos elevados para o país, em especial em questão de serviços públicos, infraestrutura, habitação (para alojar os refugiados sírios) e em assistência social. A ajuda internacional ajuda a compensar esses custos, além de dar uma ajuda que, em análise mais profunda, não é para a Jordânia, mas uma devida humanitária .

Assim, o objetivo real da ajuda não é apenas econômico, mas busca:

(i) Manter a estabilidade política regional;
(ii) Evitar colapso econômico;
(iii) Preservar um aliado estratégico (uma visão de países que veem um local estratégico);
(iv) Reduzir riscos de instabilidade social e
(v) Controlar fluxos migratórios e crises humanitárias.

Portanto, na prática, o apoio financeiro à Jordânia é uma estratégia política de estabilidade geopolítica internacional na região.

6.5: Catar

País com população em torno de 3 milhões. É um dos maiores exportadores de gás natural liquefeito do mundo. Possui altos superávits e política monetária bastante estruturada. A alta rentabilidade é direcionada para formar uma reserva internacional a qual é fator preponderante para a política de regime cambial fixo.

A combinação de (i) recursos energéticos intensivos, (ii) baixa população e (iii) política monetária sólida explica por que a moeda de Catar tem um valor nominal elevado. Mais uma vez, além dos fatores estruturais, os fatores institucionais são imprescindíveis. Sua ação bem direcionada contorna dificuldades estruturais e conjunturais.

6.6: Emirados Árabes Unidos

País com população em cerca de 9,5 milhões, sendo o terceiro mais populoso. Possui uma economia diversificada, a de maior diversificação dentre os países estudados. Ênfase à aviação (Emirates Airlines), às finanças, ao turismo e comércio internacional.

O alto turismo e a oferta de serviços conferem alta rotatividade e grande circulação de moeda. Abu Dhabi e principalmente o famoso Dubai, rendem presença elevada de turistas e um gama enorme de serviços. A receita perfeita do ciclo da riqueza.

6.7: Arábia Saudita

País com população em torno de 35 milhões, o mais populoso dentre os 7 países. É o maior exportador de petróleo do mundo, entretanto, sua elevada população baixa a renda per capta. Isso confere ao país um lugar de destaque, mesmo com uma população maior.

7: Infográfico dos países árabes – resumo

Países árabes: Kwait, Bahrein, Omã, Jordânia, Catar, Emirados dos Árabes Unido, Arábia Saudita

8: Uma Reflexão Final

Vimos longo deste Artigo que um dos fatores estruturais que garantem uma moeda forte é a baixa população. Podemos pensar, a priori, que a redução populacional é a solução. Poderíamos pensar, de maneira simplificada, que reduzir a população seria uma solução para fortalecer uma moeda. No entanto, essa interpretação equivocada ignora o fator humanitário e reduz a complexidade das dinâmicas econômicas.

Entretanto, contrapondo essa lógica, temos a China como um caso de sucesso. Ela possui alta população e, mesmo assim, ainda que não tenha uma moeda de alto nominal, possui uma economia muito competitiva. Para ler esse contraponto, Clique Aqui.

Onde está a resposta? Nos fatores estruturais? Nos fatores institucionais? Em ambos? Na baixa população? Não, esta contrapõem-se à realidade da China. Então pode ser, no lugar de procurar na alta população, focar na densidade demográfica.

Entretanto, isso não faz sentido porque o Japão tem alta densidade demográfica e possui alta competitividade e dispõem de grande acervo tecnológico. Fica a pergunta: Onde está a resposta?

Ousamos dizer que a resposta vem de uma reflexão. Seja um elevado valor nominal de moeda, seja capacidade técnica e acervo de tecnologia, seja alta competitividade comercial, o que sempre vai importar é a adequada elaboração de uma estratégia eficaz, uma estratégia que se sustente a longo prazo e que seja capaz de alcançar as metas e objetivos previstos. Fora isso, não há como produzir um ciclo de riqueza ciclo que é o que mantém a riqueza em uma sociedade, obviamente, muito bem estruturada e devidamente institucionalizada, sem meios impeditivos para o crescimento pessoa, social e nacional.