1: Introdução
A economia é uma área híbrida. É categorizada como Ciência Social, ao mesmo tempo em que utiliza muitas ferramentas matemáticas e hoje faz uso constante da inteligência artificial. A economia sempre existiu na histótria da humanidade.
Ela se trata não somente de dinheiro, compras e vendas. Ela trata, em sua origem mais primordial, da organização da casa. E essa organização passa, inevitavelmente, pelas finanças, sua contabilidade e, por consequência, envolve dinheiro.
Vamos apresentar neste breve texto uma visão geral sobre as principais escolas econômicas, seus períods e os principais pensadores e suas ideiais mais marcantes.
2: Categorização do Pensamento Econômico e seus pensadores
1. ANTIGUIDADE CLÁSSICA (séc. V a.C. – séc. V d.C.)
1.1 Pensadores Chineses (séc. VI–IV a.C.)
- Confúcio → ética social, moralidade e governança, influência na economia pela organização da sociedade e relações comerciais.
1.2 Pensadores Gregos (séc. V–IV a.C.)
- Xenofonte → práticas econômicas e agrícolas, administração doméstica e militar, importância do comércio e da propriedade.
- Platão → filosofia política aplicada à economia; ideias sobre justiça e organização do trabalho na sociedade ideal.
- Aristóteles → teoria do valor, propriedade, ética econômica, justiça comutativa e função da moeda.
1.3 Pensadores Romanos (séc. I a.C. – I d.C.)
- Cícero → direito, propriedade, contratos e ética nas relações econômicas.
- Sêneca → moral e economia, crítica ao luxo e ao enriquecimento desmedido.
2. IDADE MÉDIA (séc. IV–XV)
2.1 Economia Teológica (séc. IV–XV)
2.1.1 Escola Patrística (séc. IV–V)
- Santo Agostinho → preço justo, condenação da usura, ética cristã aplicada à economia.
2.1.2 Escola Escolástica (séc. XI–XV)
- São Tomás de Aquino → justiça comutativa, preço justo, usura; base moral para trocas econômicas.
- Duns Scotus → propriedade e pobreza evangélica, fundamentos morais e éticos da riqueza.
- Guilherme de Ockham → críticas à usura, liberdade contratual, racionalização econômica dentro da ética religiosa.
2.2 Economia Feudal (séc. IX–XV)
- Guillaume de Nangis → descrição da vida nos feudos e relação senhor-servo.
- Jean de Joinville → observações sobre economia e sociedade feudal na França.
- Rodrigo Jiménez de Rada → propriedade e tributos na Península Ibérica medieval.
- Ibn Khaldun → análise de prosperidade e declínio de cidades e impérios, aplicável à organização feudal.
3. ESCOLAS PRÉ-CLÁSSICAS (séc. XVI – XVIII)
3.1 Mercantilismo (séc. XVI–XVII)
- Jean Bodin → teoria do poder estatal, moeda e riqueza nacional.
- Thomas Mun → balança comercial, exportações e acumulação de metais preciosos.
- António Serra → crítica às restrições do comércio e ao excesso de regulamentação.
- Colbert → políticas econômicas francesas, centralização e intervenção estatal.
- William Petty (1623–1687) → economia política inicial, análise de renda nacional, estatísticas e contabilidade econômica.
3.2 Fisiocracia (séc. XVIII)
- François Quesnay → riqueza baseada na agricultura, fluxo circular da renda.
- Turgot → liberalismo econômico inicial, defesa da liberdade do comércio.
3.3 Autores Pré-Clássicos (séc. XVIII)
- Jean-Baptiste Say → lei dos mercados, circulação e produção.
- Nassau Senior → teoria do valor e da renda.
- Alexis de Tocqueville (1805–1859) → análise de instituições, sociedade e desigualdades, antecipando impactos sociais e econômicos do liberalismo.
4. ESCOLAS CLÁSSICAS (séc. XVIII – XIX)
4.1 Escola Liberal (séc. XVIII–XIX)
4.1.1 Escola Liberal Clássica (séc. XVIII–XIX)
- Adam Smith (1723–1790) → divisão do trabalho, mão invisível, fundamento do liberalismo econômico.
- David Ricardo (1772–1823) → teoria das vantagens comparativas, renda da terra, teoria da distribuição.
- Thomas Malthus (1766–1834) → população e escassez de recursos; teoria da pobreza.
- John Stuart Mill (1806–1873) → economia política e liberdade individual; equilíbrio entre propriedade e intervenção mínima.
- Friedrich List (1789–1846) → economia nacional, protecionismo estratégico, desenvolvimento econômico dos Estados.
4.1.2 Escola Utilitarista (séc. XVIII–XIX)
- Jeremy Bentham (1748–1832) → princípio da utilidade, base para políticas econômicas e sociais.
- J. S. Mill (1806–1873) → extensão do utilitarismo ao liberalismo econômico e social.
4.2 Escola Crítica (séc. XIX)
- Karl Marx (1818–1883) → análise científica do capitalismo, teoria da mais-valia, luta de classes.
- Friedrich Engels (1820–1895) → desenvolvimento do materialismo histórico, crítica econômica e social ao capitalismo.
4.3 Socialismo Científico (séc. XIX)
- Karl Marx (1818–1883) → análise das leis econômicas do capitalismo, teoria da exploração.
- Friedrich Engels (1820–1895) → codificação e divulgação do socialismo científico, apoio à análise marxista.
- Vladimir Lênin (1870–1924) → teoria do imperialismo, partido de vanguarda, aplicação prática do marxismo.
- Rosa Luxemburgo (1871–1919) → crítica ao reformismo, teoria da greve de massas, internacionalismo.
- Antonio Gramsci (1891–1937) → hegemonia cultural, sociedade civil, papel dos intelectuais.
4.4 Socialismo Utópico (séc. XVIII–XIX)
- Saint-Simon (1760–1825) → planejamento social, bem-estar coletivo.
- Charles Fourier (1772–1837) → comunidades cooperativas e harmonia social.
- Robert Owen (1771–1858) → reformas sociais e educacionais aplicadas à economia.
5. ESCOLAS NEOCLÁSSICAS (séc. XIX–XX)
5.1 Não Intervencionistas
5.1.1 Marginalismo (séc. XIX)
- William Stanley Jevons (1835–1882) → utilidade marginal.
- Carl Menger (1840–1921) → valor subjetivo, Escola Austríaca.
- Léon Walras (1834–1910) → equilíbrio geral.
5.1.2 Neoclássicos (séc. XIX–XX)
- Alfred Marshall (1842–1924) → oferta e demanda, elasticidade.
- Vilfredo Pareto (1848–1923) → ótimo de Pareto, distribuição.
- Francis Edgeworth (1845–1926) → teoria da barganha.
5.2 Intervencionistas
5.2.1 Economia do Bem-Estar (séc. XX)
- Arthur Cecil Pigou (1877–1959) → externalidades, intervenção corretiva.
5.2.2 Keynesianismo (séc. XX)
- John Maynard Keynes (1883–1946) → teoria geral, demanda agregada.
- Oskar Ryszard Lange (1904–1965) → modelos de socialismo de mercado.
6. TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO (séc. XX)
6.1 Estruturalismo Latino-Americano (décadas 1950–1970)
- Raúl Prebisch (1901–1986) → centro-periferia, deterioração dos termos de troca.
- Celso Furtado (1920–2004) → subdesenvolvimento e dependência.
- Fernando Henrique Cardoso (1931– …) → teoria da dependência e relação centro-periferia
6.2 Modelos de Crescimento (décadas 1950–1980)
- Robert Solow (1924– ) → modelo de crescimento neoclássico.
- W. Arthur Lewis (1915–1991) → modelo dual de desenvolvimento.
- Heckscher-Ohlin (1879–1952) → modelo de comércio internacional.
6.3 Capital Humano e Inovação (séc. XX)
- Joseph Schumpeter (1883–1950) → destruição criadora, inovação.
- Theodore Schultz (1902–1998) → teoria do capital humano.
7. NEOLIBERALISMO (séc. XX)
7.1 Escola Austríaca (séc. XX)
- Ludwig von Mises (1881–1973) → praxeologia, crítica ao intervencionismo.
- Friedrich von Hayek (1899–1992) → ordem espontânea, crítica ao planejamento central.
7.2 Escola de Chicago (Monetarismo, séc. XX)
- Milton Friedman (1912–2006) → política monetária, crítica ao keynesianismo.
- George Stigler (1911–1991) → economia da regulação, teoria dos mercados.
- Gary Becker (1930–2014) → economia do comportamento, capital humano.
- Robert Lucas (1937– ) → expectativas racionais, ciclos econômicos.