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O Épico Gilgamesh em nossas vidas

1: Introdução

O Épico de Gilgamesh (pronúncia: Guilgamésh) é considerado uma das mais antigas obras literárias da humanidade, surgida na Mesopotâmia entre os sumérios, por volta de 2100 a.C., e preservada em versões posteriores acádias e babilônicas, datadas de aproximadamente 1200 a.C. Gravado em tabuletas de argila por meio da escrita cuneiforme, o épico sobreviveu fragmentado, mas seus episódios compõem uma narrativa coesa que atravessou milênios, revelando a cosmovisão dos povos da Antiguidade, em especial, dos sumérios.

O texto não é apenas um relato heroico, mas também uma profunda meditação sobre a vida, a amizade, a (i)mortalidade e a busca pelo sentido da existência. É nele que aparecem temas universais que continuam a ecoar: a fragilidade da condição humana diante da morte; o desejo de glória e imortalidade; e a valorização dos vínculos humanos como forma de transcendência.

O protagonista, Gilgamesh, é descrito como rei de Uruk, uma das cidades mais poderosas da Suméria. Sua figura é marcada pela dualidade: dois terços divino e um terço humano, dotado de uma beleza ímpar, força sobre-humana e inteligência extraordinária, mas também de orgulho e tirania. Essa complexidade faz de Gilgamesh não apenas um herói épico, mas também um arquétipo do homem que luta contra seus próprios limites. No início, ele surge como soberano que oprime seu povo; no entanto, sua jornada transformadora — marcada pela amizade com Enkidu e pela busca da imortalidade — o conduz a uma nova visão de si mesmo e de seu papel na ordem do mundo.

Assim, o épico, apresenta Gilgamesh como sendo o primeiro grande herói da literatura, cuja trajetória continua a inspirar reflexões sobre o destino humano e a natureza da verdadeira imortalidade. Esse épico nos convida à reflexão sobre o objetivo de nossa existência.

2: O Épico Gilgamesh

Gilgamesh era o grande rei da cidade de Uruk. Dois terços divino e um terço humano, era imbatível em beleza, força e sabedoria, mas também orgulhoso e tirano. O povo sofria sob seu peso, e os Deuses, ouvindo os clamores, decidiram criar alguém que o igualasse em força. Assim o Deus supremo Anu pediu para Aruru, a Deusa da criação e da vegetação, criar uma oposição a Gilgamesh e assim ela moldou Enkidu, do barro. Ele foi criado nos campos, vivendo entre animais selvagens, sem conhecer a cidade ou a civilização. Todos os animais lhe obedeciam, mas não sabia como se aproximar ou manter contato com os humanos.

Gilgamesh sabendo de sua existência, que era tão forte quanto ele pediu para que a Sacerdotisa do Templo de Uruk, Shamhat a seduzisse e lhe tirasse sua pureza. Mas Shamhat se apaixonou por ele, diante de sua constituição humana e assim ela o iniciou nos caminhos humanos: o pão, o vinho, o amor e a palavra, o que levou sete dias. Enkidu então partiu para Uruk, onde enfrentou Gilgamesh em um combate titânico que durou também 7 dias. O chão tremeu, os muros estremeceram. Gilgamesh venceu a luta, mas poupou a vida de Enkidu por reconhecer nele a nobreza de um verdadeiro guerreiro. Ao fim, a luta terminou em amizade. A partir desse dia, os dois se tornaram amigos inseparáveis.

Buscando glória, decidiram juntos partir para a Floresta dos Cedros, guardada pelo terrível demônio Humbaba. Apesar dos avisos dos anciãos e do medo que os rondava, avançaram com coragem. Com a proteção do Deus Sol, Shamash. Enkidu atravessa uma lança no pescoço de Humbaba e o mata. Antes de morrer ele profere uma maldição dizendo que um dos dois iria morrer.

Mas a glória despertou preocupação entre os Deuses. A Deusa Ishtar, fascinada pela beleza e poder de Gilgamesh, pediu-lhe em casamento. Ele, porém, a desprezou, lembrando-se do destino infeliz dos antigos amantes da Deusa. Ishtar, furiosa, pediu ao céu que enviasse o Touro Celeste. A fera devastou Uruk, mas Gilgamesh e Enkidu a mataram. Foi então que os Deuses, reunidos em conselho, decidiram punir a insolência: Enkidu deveria morrer.

O herói selvagem adoeceu, viu em sonhos o reino das sombras e, após longos sofrimentos, desceu ao mundo dos mortos. Gilgamesh chorou amargamente por seu amigo. Sem consolo, temendo também a morte, partiu em busca da imortalidade para si e para ressuscitar seu amigo Enkidu.

Vagou por desertos, enfrentou montanhas e mares. Encontrou Siduri, a estalajadeira, que lhe disse: “Homem, come, bebe, alegra-te; essa é a parte do humano. Os Deuses reservaram a eternidade para si.” Mas Gilgamesh não se conformou e seguiu até Utnapishtim, o homem que sobreviveu ao Dilúvio.

Utnapishtim contou como os Deuses decidiram destruir os homens, mas Ea o avisou em segredo, instruindo-o a construir um grande barco. Assim ele salvou sua família, sementes e animais. Depois do Dilúvio, os Deuses, arrependidos, lhe concederam a vida eterna.

Gilgamesh, ansioso, pediu o mesmo destino. Utnapishtim o pôs à prova, mas o herói fracassou. Antes de partir, foi-lhe revelada uma planta no fundo das águas, capaz de devolver a juventude. Gilgamesh mergulhou, colheu-a e partiu vitorioso. Mas, no caminho de volta, exausto, adormeceu. Nesse momento; uma serpente se aproximou, e comeu a planta. Da serpente ficou somente uma casca velha, o que foi visto por Gilgamesh. Assim, a esperança se perdeu.

O rei retornou a Uruk, não com a eternidade, mas com nova sabedoria. Subiu às muralhas de pedra e contemplou sua cidade grandiosa. Então compreendeu: a verdadeira imortalidade estava em suas obras, na amizade e na memória que perdura entre os homens.

3: Conclusão

Nossas Obras é o que perduram e persistem ao longo dos anos. As memórias se apagam, mas as Obras são resilientes ante o tempo. Nos preocupamos tanto com nossa aparência e esquecemos da beleza de ser útil e servil. Nos preocupamos tanto com coisas materiais e esquecemos de reconhecer que a maior beleza é deixar um legado. Buscamos tanto o nosso prazer e esquecemos de deixar algum bem para nossos semelhantes.

Nossos pensamentos não valem nada se não se tornarem algo prático. Amar por meio de um discurso não é amar. Somente a ação prática e diligente é amar. Só as Obras falam por nós mesmos, elas nos perseguem onde quer que estejamos. Mesmo mortos nossas Obras têm valor. Quiçá sejam Obras em prol do bem de todos.

Se é para sermos perseguidos, que sejam pelas boas Obras. Assim também entendeu Gilgamesh.

4: Galeria de Imagens

Épico Gilgamesh; Gilgamesh oprimindo o povo
Gilgamesh oprimindo o povo – Fonte: Quadratin Oaxaca [ 1 ]
Épico Gilgamesh; Gilgamesh lutando com Enkidu
Luta entre Gilgamesh e Enkidu – Fonte: La Soga; Revista Cultural [ 2 ]
Épico Gilgamesh; Gilgamesh e Enkidu lutando contra o demônio Humbaba
Luta com o demônio Humbaba – Fonte: Behance, in La Epopeya de Gilgamesh [ 3 ]
Épico Gilgamesh; luta de Gilgamesh e Enkidu com o touro celeste
Luta com o Touro Celeste – Fonte: Biblioteca de Nueva Acrópolis [ 4 ]
Épico Gilgamesh; Gilgamesh e a serpente
Gilgamesh e a serpente – Fonte: History National Geographic [ 5 ]

REFERÊNCIAS DAS IMAGENS

[ 1 ]: https://oaxaca.quadratin.com.mx/la-epopeya-de-gilgamesh/
[ 2 ]: https://lasoga.org/gilgamesh-el-heroe-que-temia-morir/
[ 3 ]: https://www.behance.net/gallery/12177039/La-Epopeya-de-Gilgamesh?locale=pt_BR
[ 4 ]: https://biblioteca.acropolis.org/el-simbolo-de-gilgamesh/
[ 5 ]: https://content-historia.nationalgeographic.com.es/medio/2024/08/08/la-planta-de-la-eterna-juventud_f8b40c18_240808132649_1280x961.jpg