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A maior fraqueza humana

* Artigo baseado em opinião editorial

1: Introdução

Quem não gostaria de ser um Super-Herói invencível e inabalável, que a todos vence e a tudo supera? Então, esse Super-Herói, na verdade, não existe porque até mesmo eles têm, em alguns momentos, suas próprias crises de existência. Um Super-Herói é um Humano. Sim, não é nada fácil Ser Humano, tem seus desafios e obstáculos, mas aí, no desafio e na superação que reside a graça de se Ser Humano.

Todos gostaríamos de um mundo perfeito, mas um mundo perfeito conforme nossa ideia seria perfeito somente para nós mesmos, para os demais não seria um mundo perfeito. Cada qual tem sua ideia de mundo perfeito, a sua maneira e modo. Entretanto o mundo real não é o mundo idealizado por nós e as dificuldades e superações são reais e, por isso, necessárias.

Chorar faz parte, mas querer descer do globo, um colosso de 5,972 1024 Kg, é impossível… simplesmente porque a vida continua. Ela não para de forma a permitir que possamos juntar nossos cacos e nos reconstituir, tudo acontece no ao vivo e agora, sem ensaios. A vida não é um teatro ensaiado, e sim um teatro de improvisação imediata, onde cada cena encenada, já foi, não tem mais como encená-la novamente. E isso, ainda que de forma inconsciente, nos assusta!

Assim somos, Humanos, e como todo Humano temos nossas debilidades, nossas falhas e nosso erros, muito Humanos. Saber lidar com isso quase nunca é tão simples. E cada qual lida de forma diferente com uma mesma situação.

Isso nos faz pensar. Certo que somos um código biológico, mas certamente somos também um código psicológico e saber entender isso é parte integrante de saber viver uma vida salutar, feliz e, obviamente, equilibrada, mesmo diante dos fracassos e das dificuldades diárias. Quem não sonha com a PAZ DE ESPÍRITO?

Nada disso é possível se não conhecemos nossas fraquezas, E conhecer nossas fraquezas de nada serve se não sabemos como superá-las. E essa é outra das graças de se Ser Humano, saber superar a si mesmo. A maior fraqueza humana é, por lógica, o maior obstáculo de cada um de nós. E sobre isso, vamos falar neste Artigo.

2: A maior fraqueza humana na cultura popular

Antes de apontarmos a maior fraqueza humana, vamos fazer algumas reflexões. Reflexões estas para permitir ao leitor uma identificação com o assunto, de forma vê-lo em sua própria vida. Vamos começar pelas músicas. Estas tendem a ter, independentemente de tempo, época ou lugar geográfico, uma recorrência de tema.

Vemos que as músicas retratam, em sua maioria, aspectos da realidade humana. Muitas tratam de amores, correspondidos ou não. Dúvidas, incertezas, inseguranças, são temas que constituem o universo das músicas que versam sobre o amor. Quem nunca viu, ouviu ou fez, com as pétalas de uma flor o “bem-me-quer; malmequer”? O que é isso? Isso é um retrato fidedigno da natureza humana, do Ser Humano que, facilmente se espelha nas composições musicais, escritas por ele mesmo.

Músicas que falam de amores possíveis e esperados, mas que a dúvida da rejeição é o tema central e faz a personagem principal sofrer pelas inseguranças e pelo medo da rejeição. Outras que falam de amores idos onde a preocupação maior é não ser esquecido pela pessoa amada, mesmo na ausência. Aspectos reais da psicologia Humana tratados e retratados na forma de canções populares.

E por falar em popular, quem nunca ouviu ou falou: “Quem não arrisca, não petisca.” ou “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”? Ditos populares que mostram a face humana e sua natureza de medo e dúvidas.

Podemos ver ainda, por exemplo, entre os místicos e esoteristas um vislumbre dessa mesma realidade. Os cabalistas do Judaísmo afirmam que seis é o número imperfeito, o número incompleto, o qual necessita de um complemento. Sete é considerado o número perfeito. Segundo a tradição judaico-cristã, Deus levou seis dias para a criação e ao sétimo descansou. Foi no sexto dia que criou o primeiro Ser Humano, chamado na tradição judaico-cristã de Adão. Entretanto, ele estava triste e sentia-se sozinho, ao que Deus, a posteriori, criou Eva.

Nessa visão, a partir do termo em hebraico, Deus criou Eva para ser uma “auxiliadora” (e não companheira). Esse auxílio, segundo a tradição judaica era físico e psicológico, ou seja, emocional, sentimental e mental. Também um auxílio nas questões espirituais, segundo a mesma tradição. Aqui percebemos a visão de que o homem é incompleto, sentindo necessidade de algo, de um complemento.

O mesmo seis aparece entre as várias vertentes do Tarot. A carta seis, em qualquer versão, é tida como “A Indecisão”. Esse aspecto reforça a ideia de que o seis é incompleto. E essa carta, segundo os estudiosos representa a dúvida, a indecisão, a insegurança Humana. Segundo algumas vertentes, o Ser Humano é, por natureza própria, inseguro. Isso é representado pela carta seis do Tarot, A Indecisão.

A lista não tem fim. A peça de Willian Shakespeare Hamlet é o retrato clássico da dúvida e da indecisão. Otelo, por sua vez, mostra o ciúme e a insegurança que levam à destruição. E o que é de fato o ciúme? Nos filmes até os mais virtuosos têm dúvidas sobre suas capacidades e idoneidade. Quem nunca presenciou umas crise de identidade do Super-Homem, ou de algum outro herói colando em xeque-mate sua própria existência como herói?

E nós, Seres Humanos reais? Quantos de nós buscamos aprovação nas mídias sociais? Uma desaprovação ou um comentário que destoe com o nosso é o suficiente para acabar com o o nosso dia. Parece que precisamos ser apoiados em tudo, queremos zero de desaprovação, a aprovação geral (na verdade total) é nossa meta. E quanto aos ditadores que na busca de manter o culto à personalidade, em vez de trabalhar para manter os que lhe adoram, trabalham para conquistar a minoria, por assim dizer, que não lhe tem apreço.

O que tudo isso tem em comum? Medos, fobias, inseguranças, dúvidas, temores, incertezas, medo da rejeição? Sim, mas qual é, de fato, a maior fraqueza humana?

3: Uma análise técnica

Muitos elementos podem ser dados como a principal ou maior fraqueza humana. Todos eles podem estar certos ao mesmo tempo em que nenhum deles estará errado. Tudo, na verdade, parte de interpretação. Não existe texto sem contexto. Um texto fora do contexto perde o sentido. Assim, conforme a análise, um elemento pode ser considerado como a maior fraqueza humana e isso não invalida o argumento de que outro elemento também o seja. O que vale é o argumento, a linha de raciocínio.

Assim, vamos apresentar, conforme a percepção desse editorial, o que temos entendido como sendo a maior fraqueza humana. Entendemos que se um atleta tem um ponto fraco, é justamente nesse ponto que ele deve trabalhar. Desta forma ele supera a dificuldade que mais causa danos em seu avanço. Esse é o modus operandi de um atleta.

A mesma ideia serve ao aluno que tem dificuldade, por exemplo, em matemática. Esse aluno para poder passar de ano deve se empenhar em aprender matemática, trabalhando o que é a sua menor habilidade como estudante. Assim também é na vida. Temos que trabalhar o que mais nos impede o avanço.

Na humanidade, há muitos elementos psicológicos que nos dificultam o andar, o caminhar. Entretanto, existe um elemento em si que pode ser dito que é a causa causorum dos demais elementos. Citamos em parágrafos anteriores alguns elementos, são eles: Medos, fobias, inseguranças, dúvidas, temores, incertezas, medo da rejeição .

Podemos adicionar a essa lista; Ansiedades, angústias, depressões, fobia social, preocupações, desconfianças, inquietações, comparação constante, baixa autoestima, vergonha, timidez, autocrítica excessiva, sentimento de inferioridade, sentimento de superioridade, sentimento constante de culpa, carência afetiva, indecisão, hesitação constante, procrastinação, dificuldade em dizer “não”, medo do que os outros vão pensar, evita dar opiniões ou ideias, não contesta ideias, aceita coisas que não gosta ou quer somente para se sentir aceito, traição a si mesmo, faz a vontade dos outros em detrimento da sua própria, se permite ser manipulado por terceiros, evita desafios, dependência emocional, busca por controle (dos outros ou das situações), perfeccionismo (como disfarce da insegurança e ser bem aceito), autossabotagem, falta de confiança nas próprias escolhas, mentir por medo de julgamento, postura (sempre ou quase sempre) defensiva, passividade diante da vida, fuga de responsabilidades (evita errar), falta de ânimo, falta constante de otimismo, impulsividade (exagerada e em tudo), busca constante por validação alheia, entre outros.

Mas qual destes é o elemento que podemos considerar como a maior fraqueza humana? Perceba, caro leitor, não estamos fazendo suspenses, o que estamos fazendo é instigar a sua reflexão (e não a sua curiosidade). Isso é para que quando falemos do elemento que consideramos como o central na fraqueza humana, isso faça sentido para você.

Recordamos que essa é uma análise a qual não se finda por aqui. Cada qual poderá ter outro resultado, seguindo caminhos distintos, mas o estudo aqui trabalhado nos leva em direção à insegurança como o elemento chave.

Ela, abarca em si, todos os elementos citados. Se você parar e reler todos os elementos citados, tanto os primeiros sete como os demais que são muitos em volume, todos eles são, de uma forma ou outra, manifestação da insegurança Humana. Ou seja, o Ser Humano é inseguro por natureza própria de sua constituição.

Segundo estudo do psicanalista suíço, Carl Gustav Jung, o ser humano tem uma visão de si mesmo a qual ele projeta para a sociedade. Essa visão é uma máscara social. Essa máscara social serve para encobrir aquilo que temos em nossa natureza interior, ou seja, na psique.

Quando existe o embate entre a realidade de fora que ameaça transparecer nossa realidade interna, a qual é distinta da máscara social que nós formamos, nos sentimos ameaçados e incapazes de reagir, o que nos torna, por consequência, frágeis diante da situação. E é essa fragilidade a causa final da insegurança.

Note que, a causa original, em si, não é a fragilidade diante da situação, e sim a máscara social que desaba diante da realidade. Ou seja, a insegurança é fruto da nossa própria criação. Isso porque criamos uma realidade a qual não queremos que seja desfeita. Quando percebemos que isso pode acontecer, nos protegemos de todas as formas, buscando manter a falsa realidade que nós mesmos criamos. Um legítimo instinto de preservação.

Assim, fugimos de todas as situações e nos esquivamos de eventos que possam nos desmascarar. O próprio medo do fracasso é um medo de encarar sua própria natureza, onde não concebemos a ideia de que sejamos fracassados, por isso, muitas vezes, não tentamos só para não fracassar.

A insegurança é empecilho para uma vida feliz! A insegurança nos impede de brindar boas oportunidades. Ela nos faz dizer “não” quando, em verdade, queremos dizer “sim”. Isso por puro medo da crítica, muitas das vezes. Nos falta autenticidade e espontaneidade na vida. Isso vai criando outros problemas, como, por exemplo, uma frustração. Fazemos coisas somente por convenção alheia, não porque de fato queremos. Isso é um problema grave de relacionamento consigo mesmo. E isso, devido à insegurança.

A agressão verbal a outrem é, muitas vezes, um ato de insegurança porque temos medo da opinião da outra pessoa. Por uma carência emocional, nos permitimos fazer coisas que não queremos e que amargamente depois nos arrependemos, mas aí, já é tarde… já fizemos! A cena não volta, a não ser na forma de lágrimas.

A falta de confiança em si traz uma série de obstáculos que nós mesmos colocamos, algumas vezes por traumas. Segundo Freud, um adulto sexualmente promíscuo é nada mais que uma criança machucada (ainda que se seja um adulto).

A falta de carinho e atenção do pai ou da mãe poder fazer com que um adulto, na busca de tentar compensar um passado de carência, projete nos outros, a figura paterna ou materna. Isso resulta na busca insana de obter, muitas vezes a qualquer custo, atenção, carinho e consolo não obtido quando criança. Consolo, por exemplo, que nunca chega, porque a cena já passou, e não há mais o que fazer a não ser trabalhar esse trauma e insegurança.

Caso contrário, se deixa levar por práticas sexuais como forma de penalizar à figura materna ou paterna e, ao fim, quem se machuca é a própria pessoa. Isso sempre traz mais dor que consolo. Esse é um exemplo de como um trauma pode gerar uma insegurança e o quão catastrófico isso pode ser em nossas vidas.

Tudo isso é fruto da insegurança humana. Temos que aprender a superar isso e, antes de mais nada, compreender quais são nossas inseguranças e como elas agem em nossa vida. Este último item pode ser visto na lista dos elementos que apresentamos parágrafos anteriores sobre as manifestações da insegurança.

Essa busca pela compreensão de si mesmo não é nova. Desde a Antiguidade, pensadores tentam responder à mesma questão sob outras formas. Aqui cabe destacar o que Sócrates, o filósofo grego dizia sobre o Ser Humano. Segundo ele, o grande problema do Ser Humano é a falta de conhecimento de si mesmo. Se pararmos para refletir veremos que a insegurança não é elemento acadêmico estudado, mas é certamente, elemento precursor ao sucesso e bem-estar de vida de qualquer pessoa. Tal como seja a segurança de uma pessoa, assim será sua vida.

Deixamos uma reflexão: Por que o Pinóquio mentia? Em que momento ele logrou alcançar seu objetivo de ser um menino de verdade? Talvez o verdadeiro “menino de verdade” seja aquele que se reconhece como é, com suas inseguranças e medos, mas com a devida coragem para enfrentá-las. A maior fraqueza humana, afinal, pode ser o medo de se olhar no espelho de si mesmo e isso é, na verdade, uma insegurança.

Coragem não é ausência de medo, é agir apesar dele.
(Brené Brown)