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Patrística e Escolástica

1: Uma visão geral

Patrística e Escolástica foram Escolas Filosóficas, ou ainda Tradições de pensamento de origem cristã, da época medieval, que contribuíram de forma bastante expressiva para a construção da moral Ocidental através de uma Ética construída a partir da razão, tendo por fundamentação as obras dos filósofos platônicos, neoplatônicos e obras aristotélicas.

Estas Escolas aproximaram a fé cristã ao pensamento clássico grego, articulando o dogma religioso ao pensamento filosófico. Isso permitiu, além de moldar a Ética Ocidental, estruturar hábitos e costumes em uma sociedade a qual vinha de movimentos turbulentos de invasões e falta de unidade. Aqui o cristianismo cumpriu um importante papel político; pois, mediante a união dos povos ao redor de uma doutrina religiosa, por meio de uma unidade cultural, foi possível organizá-los em um conjunto político mais coeso, logo, mais fácil de administrar.

Assim, a Patrística e a Escolástica surgem no seio do cristianismo em busca de respostas teológicas e doutrinárias, mas acabam por expandir sua influência sobre toda a sociedade, o que politicamente foi favorável naquele momento.

Cada Escola floresceu em momentos distintos, com fundamentos filosóficos próprios e com expoentes específicos. Tais Escolas foram tão importantes que ainda hoje elas e seus expoentes ainda são estudados.

Estuda-se Santo Agostinho e São Tomás de Aquino na graduação porque eles marcam a transição da ética antiga, muitas vezes centrada na pólis, para uma Ética interior e universal do Ocidente cristão. Eles contribuíram, significativamente, para conformar as bases da responsabilidade moral, da vontade e da lei natural que estruturam o direito e a Ética modernos, em especial, no Ocidente.

2: Patrística

2.1: Apresentação

Em termos de filosofia medieval a Patrística foi a primeira fase, tendo surgido no seio do cristianismo antigo, especialmente entre os seus Padres. Ou, em outros termos, sua origem está intrinsicamente associada aos Padres da fé cristã da época.

Após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, o Cristo, e, na sequência, após a geração apostólica, a fé cristã passou por um momento de difusão e fortalecimento, sobretudo pela atividade missional dos apóstolos e, de maneira particularmente expressiva, por “Paulo de Tarso e suas cartas.”

Acontece que os apóstolos, no século II já não estavam mais presentes e a igreja católica necessitava dar corpo à sua doutrina. Nesse sentido os Sacerdotes dos séculos I e II tiveram contato com as obras do pensamento grego.

2.2: O Suurgimento da Patrística

Esse contato foi resultado principal por dois motivos:

O primeiro motivo era que o grego era uma das principais línguas de cultura e produção intelectual da época. Guardadas as devidas proporções, o grego era o inglês de hoje. O grego era uma das principais línguas onde se escrevia a ciência e a filosofia da época. Assim, era importante estudar grego e sua cultura, o que levou aos Sacerdotes cristãos a ter contato com as obras Platônicas e Neoplatônicas.

Ademais, a linguagem cristã tinha que ser entendida pelo viés cultural da época. Portanto, utilizar o grego para difundir a doutrina da fé cristã era importante para que ela chegasse ao núcleo intelectual da época. Isso pode ser resumido em uma expressão: Tradução Cultural.

O segundo motivo era porque, naquela época, a religião cristã era alvo de críticas porque era vista como inculta e própria de ignorantes. Para defender a doutrina cristã no campo dos debates, os Sacerdotes utilizavam e aplicavam a lógica grega. Isso os fez ter que estudar as obras da Grécia Clássica. Isso se resume em uma expressão, Defesa da Fé, o que se chama de Apologética.

2.3: Por que Platão?

Mas uma pergunta fica sem resposta? Por que Platão?

Dois dos três grandes nomes do Classicismo Grego escreveram obras, Platão e Aristóteles. Sócrates não escreveu obras. Ocorre que Platão falava da vida espiritual, ao passo que Aristóteles falava da vida humana, social. Não estamos simplificando ou resumindo de forma drástica a obra destes autores. O que está fazendo é destacar a importância de cada autor em conformidade com a Escola que influenciou.

Aqui cabe uma nota…

Para fins de ilustração, podemos citar a pintura de Michelangelo chamada “A Escola de Atenas” que mostra Platão apontando para cima e Aristóteles apontando para baixo. Críticos da obra afirmam que Platão está fazendo referência à vida espiritual, enquanto que Aristóteles faz referência à vida social. Logo, não estamos resumindo estes autores, apenas destacando pontos de relevância e influência de suas obras na Patrística e Escolástica.

Platão em Escola de Atenas de Michelangelo - Patrística e Escolástica
Platão em Escola de Atenas de Michelangelo

A interpretação originária é que Platão expressa o mundo das ideias, a realidade transcendental (mundo inteligível) e Aristóteles o mundo empírico, o mundo da realidade imanente. Dessa interpretação é que surge que Platão faz referência ao mundo espiritual e Aristóteles o mundo social, sendo estas interpretações derivadas.

De volta ao nosso tema…

Para a época resultava interessante descrever a doutrina cristã com base em uma vida espiritual. Assim, no caso da Patrística as obras de Platão tiveram mais destaque. Os Neoplatônicos, em linhas gerais, são uma releitura mística de Platão. Cabe ressaltar que os neoplatônicos tiveram sim sua própria estrutura filosófica. Ambas vertentes ofereciam e serviam na época para dar base à doutrina cristã.

Estas obras serviram como ferramentas para sistematizar, explicar e até mesmo defender a fé cristã e seus preceitos. Por isso a Patrística, está ligada aos Padres da Igreja e à formação doutrinária do cristianismo antigo.

2.4: Etimologia do nome

O próprio nome revela isso. O termo Patrística deriva do latim eclesiástico, patristica. Esta deriva de pater que significa Pai. Essa conotação é dada porque aponta para o período teológico e filosófico daqueles que são chamados como Os Padres da Igreja. Esses Padres da Igreja foram importantes escritores, bispos, teólogos e pensadores cristãos que contribuíram para a formulação e consolidação da doutrina cristã.

Essa Tradição, começou no século I, pela necessidade de constituir uma base à fé cristã e se estendeu até o século VIII, quando foi dada vez, de forma gradual, à Tradição Escolástica.

2.5: Principais expoentes da Patrística

Em termos de autores e contribuições, podemos citar seis expoentes, são eles: Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Orígenes, Gregório de Nissa e Santo Agostinho, autores que, embora apresentem posições distintas sobre a relação entre fé e razão, contribuíram decisivamente para a formação intelectual do cristianismo e para o desenvolvimento da filosofia cristã.

Justino Mártir

Nascimento/Morte: 100–165. Justino Mártir, ou ainda Flávio Justino, nascido na cidade de Flávia Neápolis (atual Nablus), na região da Samaria (Palestina) foi um dos primeiros grandes apologistas cristãos. Ele aproximou o cristianismo e a filosofia grega. Para Justino, a razão não era incompatível com a fé. Em sua visão o Logos, era o princípio racional e Divino, o que permitiu estabelecer uma relação entre a tradição filosófica grega e a doutrina cristã. Na sua visão os que filósofos alcançaram pela razão, era parcial, mas a plenitude era encontrada no Cristo. Ele defendeu o cristianismo das críticas e buscou demonstrar que ela é compatível com a verdade filosófica.
Principais Obras: Primeira Apologia, Segunda Apologia, Diálogo com Trifão.

Clemente de Alexandria

Nascimento/Morte: 150–215. Nasceu em Atenas, na Grécia e aprofundou a aproximação entre filosofia grega e cristianismo. Na sua concepção, a filosofia poderia exercer uma função preparatória para a fé. Desta forma o indivíduo poderia ser conduzido ao conhecimento da verdade de forma racional. A filosofia era vista e compreendia como um instrumento para a formação intelectual e moral. Disso resultou que, na sua visão, a fé e razão poderiam cooperar pela busca da verdade.
Principais Obras: Protréptico, Pedagogo, Stromata.

Tertuliano

Nascimento/Morte: 155–220. Nasceu em Cartago, na atual Tunísia. Foi um autor mais crítico com relação à filosofia tendo sido um dos principais apologistas do cristianismo latino. Foi um fervoroso e rigoroso defensor da fé diante das acusações e perseguições aos cristãos. Sua tese elabora a distinção entre a revelação (de fé) cristã e certas pretensões filosóficas, de forma que, para ele, a razão é limitada diante da fé. Alguns autores associam Tertuliano à oposição entre “Atenas” e “Jerusalém”, isso de forma representativa, como forma de simbolizar uma tensão entre filosofia e o cristianismo, ainda que isso não apareça em sua obra.
Principais Obras: Apologético, Contra os Hereges, Sobre a Prescrição contra os Hereges, Sobre a Alma.

Orígenes

Nascimento/Morte: 185–253. Nasceu em Alexandria, no Egito. Considerado um dos mais importantes representantes da Patrística. Foi um dos primeiros a elaborar, de forma sistemática, a relação entre filosofia, teologia e interpretação das Escrituras. Ele buscou utilizar a razão para interpretar questões teológicas complexas. Tratou sobre o livre-arbítrio, o problema do mal, a natureza da alma, a relação entre conhecimento e fé e a interpretação racional das Escrituras.
Principais Obras: Sobre os Princípios (De Principiis), obra sistemática onde apresenta uma estrutura racional para elementos da doutrina cristã; Contra Celso, uma defesa intelectual do cristianismo contra as críticas do filósofo pagão Celso.

Gregório de Nissa

Nascimento/Morte: 335–395. Nasceu em Cesaréia (hoje Kayseri), na região histórica da Capadócia, atual Turquia. Desenvolveu uma filosofia cristã, esta marcada pelos seguintes temas: natureza humana; liberdade, a alma; transcendência e a busca de Deus. Ele contribuiu para uma teologia cristã e para a formulação de conceitos relacionados à natureza de Deus e à Trindade, algo fundamental na fé cristã. Em seus estudos ele via o ser humano como criatura dotada de liberdade e orientada para uma busca contínua do bem e da perfeição. Com relação à vida espiritual, apresenta a ideia de uma ascensão contínua do indivíduo em direção a Deus.
Principais Obras: A Vida de Moisés, Sobre a Criação do Homem, Sobre a Virgindade, Contra Eunômio.

Santo Agostinho

Nascimento/Morte: 354–43. Nasceu em Tagaste, atual Souk Ahras, hoje Argélia. É tido como o ponto culminante da Patrística e um dos principais momentos da formação da filosofia cristã Ocidental. Profundamente influenciado pelo platonismo e pelo neoplatonismo, Santo Agostinho trabalhou em direção à interioridade, uma quebra até então, mostrando que a verdade está no interior do próprio ser humano e estabelecendo uma relação entre verdade, consciência, vontade e Deus. Seu trabalho e sua filosofia desenvolvem temas fundamentais para a Ética Ocidental, tais como livre-arbítrio, responsabilidade moral, bem e mal, vontade, ordenação dos desejos, pecado, justiça e amor. Sua concepção sobre o mal, na forma de privação do próprio bem e sua reflexão sobre a liberdade exerceram enorme influência sobre a filosofia posterior. É de sua autoria a seguinte frase: Creia para que possa entender.
Principais Obras: Confissões, A Cidade de Deus, Sobre o Livre-Arbítrio, Sobre a Trindade, A Doutrina Cristã.

Principais expoentes da tradição Patrística. Patrísticas e Escolástica
Principais expoentes da tradição Patrística

Esses seis autores representam diferentes momentos e tendências da Patrística: Justino e Clemente aproximaram filosofia e cristianismo. Tertuliano evidencia a tensão e os limites dessa aproximação. Já Orígenes sistematiza, de forma racional a doutrina cristã. Gregório de Nissa aprofunda a reflexão sobre Deus, o ser humano e a vida espiritual; e, por fim, Santo Agostinho através de seus estudos que abarca a interioridade, estabelece fundamentos para a Ética e a filosofia ocidentais construindo uma das mais importantes sínteses entre cristianismo, platonismo e neoplatonismo.

3: Transição da Patrística para a Escolástica

Não houve exatamente uma ruptura entre uma tradição e outra. O que aconteceu foi um período de transição. Várias foram as causas que permitiram essa transição entre as Escolas Patrística e Escolástica.

3.1: Renascimento Carolíngio

Um dos motivos foi o Renascimento Carolíngio. Carlos Magno (742–814) foi rei dos Francos no ano de 768 sendo ele considerado uma raiz histórica do Sacro Império Romano-Germânico o qual teve início em 962, com a coroação de Oto I. Carlos Magno só foi coroado no ano 800 pelo Papa Leão III, no dia de Natal.

Coroação de Carlos Magno - pintura de Friedrich Kaulbach, em 1861. Patrísticas e Escolástica
A Coroação de Carlos Magno, 1861 – pintura de Friedrich Kaulbach

Ele tinha uma forte aliança com a já constituída Igreja Católica e, em meio às suas empreitadas militares de conquista, impunha aos povos a sua fé. Com ação militar e subjugando povos a seguir o catolicismo, ele conseguiu consolidar sua política em boa parte da Europa Ocidental e Central.

Desta forma, a Igreja não precisava mais ser defendida, como acontecia na época da Escola Patrística. Logo, uma nova mentalidade surgiu, dar razão à vida religiosa. Não significa que houve um abandono ou uma ruptura completa da defesa da fé, o que ocorreu foi que, de forma gradual, houve um deslocamento – sem abandonar a defesa da fé – no sentido de dar maior ênfase em criar uma sistematização que fosse racional para investigar e explicar a fé e sua relação com a razão.

Ao mesmo tempo em que essa mentalidade nascia, Carlos Magno criou escolas ligadas a catedrais e a mosteiros. Nesse contexto, surge, aos poucos a Escolástica.

3.2: Desenvolvimento das Escolas

Carlos Magno incentivou a criação de escolas vinculadas à fé cristã. Dentro desse ambiente, de forma gradual e natural, a sistematização da fé foi surgindo. As escolas eram ligadas a mosteiros e catedrais. Uma observação interessante, quando se fala que um pesquisador é um catedrático, isso é originado das escolas ligadas às catedrais.

Essa causa é algo de origem institucional. Ou seja, a presença de escolas faz com que a sistematização surja, devido ao próprio ambiente e isso marca a transição da Patrística para a Escolástica.

Nas escolas passou a se desenvolver o uso do trivium: gramática, retórica e dialética e quadrivium: aritmética, geometria, música e astronomia. Isso facilitou para o desenvolvimento da dialética o que foi importante para a Escolástica.

3.3: Surgimento das Universidades

O surgimento das universidades mostra uma maturidade no processo que se iniciou com o desenvolvimento das escolas. Este é provavelmente o resultado institucional mais importante da transformação intelectual que marca a transição da Patrística para a Escolástica.

Entre os séculos XI e XIII surgem várias universidades tais como Bolonha (hoje, Itália); Paris (hoje, França); Oxford (hoje, Reino Unido); Cambridge (hoje, Reino Unido).

As universidades, pela própria constituição intelectual que visava, passaram a organizar o conhecimento de maneira sistemática. E é nesse ambiente que a Escolástica alcança sua maturidade.

4: Escolástica

4.1: Apresentação e Surgimento

Em termos de filosofia medieval a Escolástica foi a segunda fase, tendo surgido, assim como a Patrística, no seio do cristianismo, neste caso, no cristianismo medieval, a partir de pensadores e pesquisadores. Ou, em outros termos, sua origem está intrinsecamente associada aos mestres, professores, escolas, universidades e disputas acadêmicas, filosóficas e teológicas.

Ao longo da Alta Idade Média, a fé cristã já havia consolidado grande parte de sua doutrina e se estabelecido como elemento central da sociedade europeia Ocidental. Os trabalhos dos autores da Patrística permitiram dar uma base à fé cristã e à sociedade europeia daquele tempo.

Nesse sentido, a tarefa intelectual já não se limitava à defesa ou à formulação da doutrina. O momento era aprofundar e sistematizar o conhecimento, tanto em termos de consolidação racional da doutrina quanto de investigação filosófica e teológica.

Assim, surge a Escolástica que desenvolveu uma metodologia mais sistemática de investigação filosófico-teológica. Nesse contexto a dialética assume papel especialmente importante para a Escolástica, porque cria uma cultura intelectual baseada em termos gerais como:


QUESTÃO → ARGUMENTO → OBJEÇÃO → RESPOSTA → CONCLUSÃO

A Escolástica desenvolveu-se, em sentido amplo, a partir do século IX e alcançou seu auge entre os séculos XIII e XIV, prolongando-se, em algumas de suas vertentes, até os séculos XVI e XVII.

4.2: Por que Aristóteles?

Na Patrística o autor de maior referência era Platão. No caso da Escolástica Aristóteles passa a ser o autor central. Alguns elementos contribuíram para essa mudança.

Aristóteles. Patrísticas e Escolástica.
Aristóteles

Sistematização

Durante a Alta Idade Média, mosteiros e centros religiosos tiveram papel importante na preservação, cópia e transmissão de textos antigos. Ademais, o uso das obras de Platão foi fundamental para fundamentar a fé cristã. Isso permitiu aproximar o pensamento cristão da academia o que perdurou ao longo dos anos com a continuidade dos estudos da filosofia grega clássica.

Paralelamente, a preservação e a cópia dos textos antigos contribuíram para a continuidade da tradição intelectual clássica durante a Alta Idade Média. Nos mosteiros e centros religiosos, os copistas não apenas reproduziam os manuscritos, mas também contribuíam para a preservação das tradições linguísticas e intelectuais presentes nesses textos.

Esse processo de transmissão do conhecimento, associado ao desenvolvimento das escolas e posteriormente das universidades, favoreceu a formação de um ambiente intelectual cada vez mais sistemático, no qual a leitura, a interpretação, a argumentação e a organização do conhecimento adquiriram importância crescente. Isso é bastante relevante.

Na continuidade dos estudos de filosofia, a busca por outros autores resultou no encontro das obras de Aristóteles, o que encontrou eco no próprio momento onde a sistematização do método estava em alta.

Aristóteles, em comparação a Platão, oferecia um sistema mais adequado ao ambiente intelectual que se desenvolvia nas escolas medievais, em particular, por sua lógica, pela forma como investigava a natureza, a forma como explicava a metafísica, sua ética e sua filosofia política.

Platão, por sua vez, oferecia uma filosofia mais voltada às questões metafísicas e à realidade transcendente, já Aristóteles apresentava uma abordagem mais sistemática da realidade natural e humana, fornecendo instrumentos conceituais e lógicos que se mostrariam especialmente úteis à investigação filosófica e teológica desenvolvida pela Escolástica.

Influência do mundo islâmico e judeu

Um segundo ponto muito importante ocorre entre os séculos XI e XIII. As obras de Aristóteles foram traduzidas para o árabe, e filósofos do mundo islâmico e judeu realizaram importantes comentários a respeito de sua obra. Estes trabalhos, ocorridos entre os séculos XI e XII, produziu impacto significativo no ambiente latino, popularizando, em meio à Europa, as obras aristotélicas.

Alguns nomes merecem destaque, são eles:

  • Al-Farabi (filósofo árabe)
  • Avicena (Ibn Sina) (filósofo persa do mundo islâmico medieval)
  • Averróis (Ibn Rushd) (filósofo árabe)
  • Maimônides (filósofo judeu)

A recepção de Aristóteles na Europa medieval não ocorreu por uma única via. Além das traduções diretas do grego, houve importante transmissão por meio do mundo islâmico e dos comentários de filósofos muçulmanos e judeus. Podemos apontar a seguinte cadeia de transmissão intelectual:

GRÉCIA → MUNDO BIZANTINO E ISLÂMICO → TRADUÇÕES E COMENTÁRIOS → EUROPA LATINA → ESCOLAS E UNIVERSIDADES → ESCOLÁSTICA

Nota: Essa cadeia representa uma das principais vias de transmissão, não uma sequência única e linear.

Al-Farabi, Avicena (Ibn Sina) e Averróis (Ibn Rushd) não apenas preservaram e transmitiram textos aristotélicos, mas também desenvolveram interpretações próprias, que posteriormente influenciaram o ambiente intelectual latino. Os filósofos judeus também desempenharam papel importante nesse processo, especialmente por meio de traduções, comentários e da circulação de ideias entre os mundos islâmico, judaico e cristão.

Maimônides, por exemplo, incorporou elementos aristotélicos à sua reflexão filosófica e teológica. Dessa forma, a chegada de Aristóteles à Europa Latina deve ser compreendida como um processo de transmissão, tradução, interpretação e reelaboração intelectual, no qual os mundos grego, bizantino, islâmico e judaico participaram da formação do ambiente filosófico que posteriormente seria assimilado pela Escolástica.

Por meio dos centros de tradução dos séculos XII e XIII, especialmente na Península Ibérica e no sul da Itália textos aristotélicos passaram a circular em árabe, grego e, em alguns casos, hebraico onde estes foram traduzidos para o latim por intelectuais cristãos, judeus e muçulmanos. Toledo, na Península Ibérica, tornou-se particularmente importante nesse processo, assim como centros do sul da Itália. Um exemplo célebre é Gerardo de Cremona, que traduziu do árabe para o latim diversas obras científicas e filosóficas. Desta forma o mundo árabe e judeu influenciou o aumento da importância das obras de Aristóteles na Europa Latina daquela época.

Devido à continuidade de estudo da filosofia grega; ao mesmo tempo em que o ambiente das universidades buscavam sistematizar de forma racional um método, Aristóteles passa a ser, gradativamente incorporado à Europa Latina.

Desta forma, ocorre a transição das obras de Platão e o neoplatonismo da Patrística para as obras de Aristóteles na Escolástica. Isso, naturalmente, trouxe consequências quanto ao método e a forma de ver religião.

4.3: O método da Escolástica

A metodologia da Escolástica possui diferenças com relação à Patrística. Na Escolástica a busca por um método sistemático e racional é característica da própria tradição.

Em termos gerais, a Escolástica é diferente da Patrística porque ela desenvolve uma forma específica de investigação, onde, podemos sintetizar esse caminho de investigação pela seguinte cadeia:

A QUESTÃO → ARGUMENTOS FAVORÁVEIS → ARGUMENTOS CONTRÁRIOS → DISTINÇÕES→ RESPOSTA → RESOLUÇÃO DAS OBJEÇÕES

Isso não deixa de ser filosofia cristã, ela se mantém. O que se altera é o mecanismo de investigação. Aristóteles permite uma lógica a qual se mostrou útil e poderosa para o novo momento, onde escolas e universidades viam essa metodologia adequada para o ambiente intelectual que se formava. Dá-se destaque a Pedro Abelardo que foi um dos maiores responsáveis para a transição da Patrística para a Escolástica.

Em termos de metodologia, podemos destacar:

  • lectio;
  • quaestio;
  • disputatio;
  • objeções;
  • sed contra;
  • resposta;
  • respostas às objeções;
  • importância da lógica;
  • argumentação racional.

Estes são os elementos do método.

Lectio: A lectio consistia na leitura e interpretação de um texto considerado autoridade, especialmente textos bíblicos, obras dos Padres da Igreja e, posteriormente, textos filosóficos. O mestre explicava o texto, esclarecia conceitos e identificava questões que poderiam ser objeto de investigação.

Quaestio: A quaestio surgia quando o texto ou determinada questão apresentava uma dificuldade, dúvida ou aparente contradição que exigia investigação. A partir dela, formulava-se uma pergunta específica que seria submetida à análise racional.

Disputatio: A disputatio era o debate estruturado em torno de uma quaestio. O mestre apresentava a questão e os diferentes argumentos envolvidos, permitindo que posições contrárias fossem examinadas de maneira ordenada e racional.

Objeções: As objeções eram os argumentos apresentados contra a posição que seria posteriormente defendida. Seu objetivo era expor as dificuldades, contradições ou razões que poderiam aparentemente impedir a aceitação de determinada conclusão.

Sed contra: O sed contra (“mas, ao contrário”) introduzia um argumento ou uma autoridade que sustentava uma posição contrária às objeções apresentadas. Funcionava como ponto de apoio para a construção da solução que seria desenvolvida pelo mestre.

Resposta: A resposta (responsio) era a solução propriamente formulada pelo mestre para a questão. Nela, utilizando argumentos filosóficos, teológicos e lógicos, o mestre apresentava sua posição e procurava demonstrar racionalmente por que ela deveria ser aceita.

Respostas às objeções: As respostas às objeções consistiam na análise individual dos argumentos contrários apresentados inicialmente. O mestre explicava por que cada objeção não invalidava sua conclusão, geralmente identificando uma premissa equivocada, uma distinção conceitual ou uma interpretação inadequada.

Dois pontos merecem destaque. lógica e argumentação racional.

A lógica fornecia as ferramentas necessárias para organizar o raciocínio, estabelecer relações entre premissas e conclusões, identificar contradições e avaliar a validade dos argumentos. Por isso, tornou-se um instrumento fundamental da investigação Escolástica.

A argumentação racional era o princípio metodológico que permitia submeter questões filosóficas e teológicas à análise ordenada de argumentos. A autoridade continuava tendo grande importância, mas as questões eram também examinadas por meio da razão, da distinção conceitual e da demonstração lógica.

Estes são os fundamentos do método. Não se deve confundir os elementos do método com seus fundamentos. São; pois, coisas distintas.

4.4: Principais expoentes da Escolástica

Em termos de autores e contribuições, podemos também citar seis expoentes, são eles: Anselmo de Cantuária, Pedro Abelardo, Alberto Magno, São Tomás de Aquino, Boaventura e Guilherme de Ockham.

Anselmo de Cantuária

Nascimento/Morte: 1033–1109. Nasceu em Aosta, atualmente, Itália. Ele é um dos precursores da Escolástica. Buscou demonstrar, de forma racional, os fundamentos da fé cristã. Dele vem a expressão latina fides quaerens intellectum que significa “fé buscando entendimento”. Essa expressão foi cunhada a partir de outra máxima de Santo Agostinho: “creia para que possa entender”. Para Anselmo de Cantuária a razão pode investigar objetos da fé. Foi ele quem desenvolveu o argumento ontológico, onde busca demonstrar a existência de Deus de forma racional.
Principais Obras: Monologion, Proslogion, Cur Deus Homo (Por que Deus se fez homem?) e De Veritate (Sobre a Verdade).

Pedro Abelardo

Nascimento/Morte: 1079–1142. Nasceu em Le Pallet, na França. Ele representa um momento peculiarmente importante para o desenvolvimento da Escolástica. Ele deu grande importância à dialética; à argumentação e a análise racional, a partir das autoridades. Ele propôs uma investigação racional, partindo, por vezes, de afirmações contraditórias, colocando em confronto ideias vindas das autoridades. Isso deu base para o método escolástico que iria se desenvolver.
Principais Obras: Sic et Non (Sim e Não); Scito te ipsum (Conhece-te a ti mesmo) e Theologia Christiana.

Alberto Magno

Nascimento/Morte: 1200–1280. Nasceu em Lauingen, na Alemanha. Atribui-se a Alberto Magno aquele quem introduziu, estudou e sistematizou o pensamento aristotélico em meio ao ambiente cristão latino. Além da metafísica e da teologia também estudou as ciências naturais, de forma que isso o levou a considerar uma forma de integrar o conhecimento a partir da natureza ao pensamento cristão. Influenciou, fortemente o desenvolvimento da Escolástica e São Tomás de Aquino, tendo este sido seu discípulo.
Principais Obras: De causis et processu universitatis, De natura et origine animae e (extensos) comentários às obras de Aristóteles.

Boaventura

Nascimento/Morte: 1217–1274. Nasceu em Civita di Bagnoregio, hoje parte da comuna de Bagnoregio, na Itália. Diz-se que Boaventura é um dos principais representantes da vertente franciscana da Escolástica, isso porque ele ingressou à Ordem dos Frades Menores – ordem fundada por São Francisco de Assis. Seu trabalho foi influenciado por Santo Agostinho e por obras neoplatônicas. Na sua visão, a racionalidade é importante, entretanto, seu sentido último está na orientação da mente e da Alma em direção a Deus. Seu trabalho tem grande aporte na interioridade – uma característica agostiniana. Também em aspectos como a iluminação e ascensão da Alma. Boaventura foi um contraponto no momento em que a influência aristotélica estava em ascensão.
Principais Obras: Itinerarium mentis in Deum (Itinerário da mente para Deus), Breviloquium e Commentaria in quatuor libros Sententiarum (Comentários aos quatro livros das Sentenças).

São Tomás de Aquino

Nascimento/Morte: Nasceu em Roccasecca, hoje, Itália. 1225–1274. Discípulo de Alberto Magno. É, provavelmente o maior representante da Escolástica. Foi ele quem realizou uma das mais importantes sínteses entre cristianismo e filosofia aristotélica. Concebeu a ideia de que a fé e a razão possuem campos próprios, mas isso não os torna incompatíves. Seu trabalho foi desenvolvido no sentido de elaborar uma filosofia da natureza; acerca da metafísica; da ética; da política e do direito natural, de forma que seus estudos causaram grande impacto. Na ética, destacou-se pela teoria das virtudes, da lei natural e da finalidade humana. Sua concepção de lei natural exerceu importante influência sobre a filosofia moral e a tradição do direito natural.
Principais Obras: Summa Theologiae (Suma Teológica), Summa contra Gentiles (Suma contra os Gentios), De ente et essentia (Sobre o ente e a essência) e De regno (Sobre o governo dos príncipes).

Guilherme de Ockham

Nascimento/Morte: 1287–1347. Nasceu em Surrey, próximo a Londres, na Inglaterra. É considerado como um representante de uma fase tardia da Escolástica. É um dos maiores representantes do nominalismo (tradição filosófica que só considera real objetos individuais e concretos, os demais objetos, como conceitos universais são apenas nomes – síntese). Seu trabalho buscou distinguir, de forma mais rigorosa, o que pode ser conhecido pela razão e o que depende da fé. Impôs limites a ideias metafísicas, de onde é associado ao princípio “Navalha de Ockham”.
Principais Obras: Summa logicae (Suma de lógica), Quodlibeta septem (Sete questões quodlibetais) e Dialogus (Diálogos).

Principais expoentes da tradição Escolástica. Patrística e Escolástica.
Principais expoentes da tradição Escolástica

Esses seis autores representam diferentes momentos e tendências da Escolástica: Anselmo de Cantuária buscou compreender a fé pela razão. Pedro Abelardo, focou na dialética e no método investigativo. Alberto Magno sistematizou o pensamento aristotélico, tendo estudado ciências naturais, buscou uma síntese do conhecimento. Boaventura, por sua vez, trabalhou no sentido de contrapor-se à crescente influência aristotélica da época, tendo trabalhado com uma linguagem mais agostiniana e com uso de obras neoplatônicas. São Tomás de Aquino afirmou que fé e razão possuem campos próprios, mas não são incompatíveis. Por fim, Guilherme de Ockham buscou maior rigor quanto ao o que é razão e o que é fé.

5: Uma comparação entre Patrística e Escolástica

5.1: Visão Geral

Uma forma de melhor apreender sobre as duas tradições filosóficas e encontrar suas características e peculiaridades é fazer um estudo comparativo.

Patrística e Escolástica pertencem, ambas, à mesma tradição intelectual, de origem cristã e, predominantemente, durante o período medieval, mas são de momentos diferentes e com desenvolvimento distinto. Não houve uma ruptura entre elas, mas uma transformação gradual das questões, dos métodos e dos ambientes nos quais o pensamento cristão era produzido.

Sem considerar critérios mais sofisticados podemos afirmar que a Patrística se desenvolveu entre os séculos I (ainda Idade Antiga) até por volta do século VIII (já Idade Média, ou, com maior precisão, Alta Idade Média). Já a Escolástica se desenvolveu – de forma genérica – entre os séculos VIII até o século XVI, iniciando na Alta e terminando na Baixa Idade Média.

Ainda de forma sintética, podemos estabelecer uma diferença fundamental: a Patrística esteve predominantemente voltada à defesa, fundamentação e consolidação da fé cristã, enquanto a Escolástica esteve predominantemente voltada à investigação, sistematização e racionalização da fé. Naturalmente, estas características tiveram relação direta com o momento histórico.

5.2: Legado da Patrística

A Patrística desenvolveu-se em um período no qual o cristianismo ainda precisava formular sua doutrina, responder às críticas externas e enfrentar controvérsias internas. Os Padres da Igreja utilizaram elementos da filosofia grega, especialmente do platonismo e do neoplatonismo, para formular conceitos capazes de explicar racionalmente aspectos da fé cristã. Seu trabalho contribuiu para interpretar as Escrituras, definir conceitos fundamentais da doutrina e refletir sobre questões como Deus, Alma, liberdade, vontade, mal, moralidade e finalidade da existência humana.

Seu legado particular está, portanto, na construção das bases intelectuais e doutrinárias do cristianismo Ocidental. A Patrística forneceu uma linguagem filosófica para a teologia cristã e estabeleceu problemas que continuariam sendo discutidos durante toda a filosofia medieval. Santo Agostinho representa especialmente esse legado, com sua reflexão sobre a interioridade, a vontade, o mal, a liberdade, a verdade e a relação entre o ser humano e Deus.

5.3: Legado da Escolástica

A Escolástica desenvolveu-se posteriormente, em um ambiente no qual a doutrina cristã já possuía maior consolidação e no qual escolas, centros de estudo e, posteriormente, universidades passaram a organizar a produção do conhecimento. A questão deixou de ser predominantemente a defesa da fé – esta ainda se manteve – e passou a incluir, com intensidade crescente, a investigação racional de seus fundamentos, consequências e possíveis problemas. A lógica, a dialética e a argumentação adquiriram importância central, e o pensamento aristotélico forneceu instrumentos particularmente adequados para essa nova etapa.

Seu legado particular está na sistematização racional do conhecimento filosófico e teológico. A Escolástica desenvolveu métodos de investigação, organizou o conhecimento e produziu grandes sistemas capazes de articular metafísica, ética, política, direito, filosofia da natureza e teologia. Estes temas estariam em pauta na Europa medieval.

São Tomás de Aquino representa o ponto mais expressivo dessa síntese, especialmente pela articulação entre aristotelismo e cristianismo, pela teoria das virtudes, pela lei natural e pela relação entre fé e razão. Guilherme de Ockham, em uma fase posterior, representa novas questões relativas à lógica, à linguagem, à metafísica e aos limites do conhecimento racional.

5.4: A produção de conhecimento

Essa transformação também pode ser percebida no ambiente de produção do conhecimento. Na Patrística, destacam-se Padres, bispos, teólogos, escritores cristãos, mosteiros e centros religiosos. Na Escolástica, ganham maior importância mestres, professores, estudantes, escolas, universidades e disputas acadêmicas. Isso não significa que a Patrística não tivesse escolas ou que a Escolástica fosse exclusivamente universitária, mas indica uma mudança significativa no ambiente intelectual.

Também houve uma mudança na predominância das referências filosóficas. A Patrística recebeu forte influência do platonismo e do neoplatonismo, especialmente em questões relacionadas à transcendência, à alma, à interioridade e à busca pelo Bem. A Escolástica, especialmente a partir dos séculos XII e XIII, incorporou de maneira cada vez mais profunda o aristotelismo. Essa diferença não deve ser entendida de maneira absoluta: Platão continuou presente na Escolástica, assim como elementos aristotélicos já eram conhecidos anteriormente. O que muda é a predominância e a função dessas tradições filosóficas em cada momento.

Assim, Patrística e Escolástica não representam duas filosofias cristãs incompatíveis, mas dois momentos complementares do desenvolvimento intelectual do cristianismo medieval. Cada qual teve sua contribuição em conformidade ao momento histórico em que a fé cristã e a Europa atravessavam. A Patrística contribuiu principalmente para construir, formular e defender os fundamentos intelectuais da fé cristã. Ela construiu grande parte dos fundamentos. Já a Escolástica recebeu esse legado e desenvolveu instrumentos para investigá-lo, organizá-lo e explicá-lo racionalmente. Ela desenvolveu grande parte dos instrumentos para uma investigação racional.

5.5: Tabela-resumo

Resumo de Patrísticas e Escolástica
Resumo de Patrísticas e Escolástica

6: Conclusão

A Patrística e a Escolástica não devem ser compreendidas apenas como períodos da filosofia ligados à história do cristianismo, mas como etapas de um longo processo de desenvolvimento do pensamento Ocidental. Cada qual teve seu desenvolvimento próprio e o resultado foi uma acumulação intelectual: problemas antigos foram preservados, reinterpretados e transformados em novas questões. A investigação sobre Deus, verdade, Alma, vontade, liberdade, ética, virtude, natureza, política e direito não terminou com a Idade Média e com essas Escolas; ao contrário, muitos desses problemas atravessaram os séculos e continuaram presentes na filosofia moderna e contemporânea. Elas permitiram dar bases a novas análises e investigações.

Nesse sentido, Patrística e Escolástica deram resultados concretos para a história da filosofia. Elas contribuíram para preservar parte significativa do pensamento clássico, desenvolveram conceitos e métodos de argumentação, estabeleceram debates sobre fé e razão e participaram da formação das instituições intelectuais que posteriormente dariam origem à universidade Ocidental.

Seu legado, portanto, não está apenas naquilo que afirmaram sobre o cristianismo, isso vai além. Elas entregaram à filosofia posterior: problemas, conceitos, métodos, argumentos e tradições intelectuais que continuaram sendo criticados, aperfeiçoados, rejeitados ou incorporados por filósofos posteriores. É justamente essa capacidade de produzir consequências para além de seu próprio tempo que coloca a Patrística e a Escolástica dentro da história contínua da filosofia, e não apenas dentro da história da religião medieval da época, a religião cristã.