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Índio americano (Chefe Seattle)

Índio americano (Chefe Seattle); discurso em resposta ao presidente americano
Índio americano, meramente ilustrativo

1: Apresentação

Discurso atribuído ao chefe indígena Seattle, líder dos povos Suquamish e Duwamish, proferido no ano de 1854 em resposta a uma proposta do então presidente dos EUA Franklin Pierce com relação a comprar as terras indígenas no território do atual estado de Washington.

O texto que conhecemos hoje não é uma transcrição literal dos discurso, mas uma reconstrução registrada em 1887 por Henry A. Smith, e depois adaptada para uma linguagem mais moderna, sem perder o sentido. Ou seja, a versão de hoje é uma adaptação a partir de original em um formato literário e simbólico, que preserva o espírito do discurso, mas não as palavras exatas do Chefe de Seattle.

Segue a versão mais completa e difundida que temos:

2: Discurso

REFERÊNCIA: Mencionado, primeiramente, por Dr. Henry A. Smith em 1887, no Seattle Sunday Star, baseado em suas notas da época. Contudo, a precisão do relato é debatida, já que Smith não falava a língua original do Chefe Seattle, o lushootseed, e havia um intervalo significativo entre o evento (1854) e o registro (1887).

“O Grande Chefe de Washington nos manda dizer que deseja comprar nossas terras. O Grande Chefe também nos envia palavras de amizade e de boa vontade. Isso é gentil da parte dele, pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade.

Mas vamos considerar a sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco pode vir com suas armas e tomar nossas terras.

Como é que podemos vender o céu? Ou o calor da terra? Essa ideia nos é estranha. Se não possuímos o frescor do ar ou o brilho da água, como vocês podem comprá-los?

Cada parte desta terra é sagrada para meu povo. Cada pinheiro que brilha ao sol, cada punhado de areia nas praias, cada gota de orvalho nas florestas escuras, cada colina e cada inseto zumbindo são sagrados na memória e na experiência do meu povo.

Sabemos que o homem branco não compreende nosso modo de viver. Para ele, uma porção de terra é igual à outra, pois ele é um estranho que vem à noite e toma da terra o que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, ele a abandona.

O seu apetite devorará a terra, deixando apenas um deserto.

Não sei. Nossos modos são diferentes dos de vocês. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Mas talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreende.

Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Não há um lugar onde se possa ouvir o florescer das folhas na primavera ou o zumbir dos insetos. O barulho parece apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida se o homem não puder ouvir o grito solitário de uma ave, ou a conversa noturna das rãs ao redor do lago?

Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento sobre a superfície do lago e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia ou com fragrância dos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro: a fera, a árvore, o homem. O homem branco não parece notar o ar que respira. Como um moribundo que agoniza muitos dias, ele é insensível ao fedor.

Mas se vendermos nossa terra, vocês devem lembrar-se de que o ar é precioso para nós, de que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu aos nossos avós o seu primeiro sopro também recebe o seu último suspiro.

Se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la como coisa sagrada, como um lugar onde até o homem branco poderá ir para saborear o vento adoçado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos considerar sua proposta de comprar nossas terras. Se decidirmos aceitá-la, estabelecerei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo outro modo. Vi milhares de búfalos apodrecendo na pradaria, deixados lá pelo homem branco que os abateu a tiros de seu trem que passava. Sou um selvagem e não compreendo como o cavalo de ferro fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que nós matamos apenas para sobreviver.

O que acontecerá com o homem se todos os animais desaparecerem? Se todos se forem, o homem morrerá de uma grande solidão espiritual. Pois o que acontece com os animais logo acontecerá com o homem. Tudo está ligado.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo sob seus pés são as cinzas de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que a terra é rica com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas: que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra.

Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Nós sabemos: a terra não pertence ao homem; é o homem que pertence à terra.

Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está conectado. O que acontecer com a terra, acontecerá com os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é apenas um fio. O que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele como um amigo com um amigo, não pode estar isento do destino comum.

Podemos ser irmãos, afinal. Veremos. De uma coisa sabemos: o Deus de vocês é o nosso Deus. A terra é preciosa para Ele. E ferir a terra é demonstrar desprezo ao seu Criador.

Continuem a contaminar sua cama, e uma noite vocês serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas, ao desaparecerem, vocês brilharão radiantes, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e, por algum desígnio especial, deu-lhes domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos por que os búfalos são exterminados, os cavalos selvagens são domados, os recantos secretos da floresta se impregnam do cheiro de muitos homens e a visão dos montes encobertos de fios que falam.

Onde está o bosque? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o fim da vida e o início da sobrevivência.”