1: Autoria e cronologia
Este experimento foi realizado pelo pesquisador David Leslie ROSENHAN (EUA; 1929 – 2012; EUA). Ele tinha graduação em matemática, mestrado em economia e doutorado em psicologia. O experimento ocorreu entre os anos de 1969 a 1972 em 8 hospitais psiquiátricos em vários estados.
O título do seu trabalho foi: “On Being Sane in Insane Places“; em tradução livre para nosso idioma, “Como ser são em lugares insanos”. O experimento teve duas fases de estudo.

2: Objetivo
Analisar e examinar a validade dos diagnósticos dos médicos psiquiátricos. Também questionar sobre como identificar pessoas sãs de pessoas insanas. Na primeira fase, avaliar a capacidade de identificar a sanidade mental. Na segunda fase, avaliar a capacidade de identificar a insanidade mental.
3: O Cenário do experimento
O experimento foi realizado em hospitais psiquiátricos, públicos ou privados. Algumas eram instituições de ensino. Não há muitos relatos para preservar suas identidades. A tabela abaixo registra um resumo.

4: Metodologia
FASE 1: Analisar a capacidade de identificar a sanidade mental
Foram admitidos 8 pacientes falsos, que chamaremos de pseudo-pacientes. Eles eram conformados da seguinte maneira:
Psicólogo: 04; um deles o próprio Rosenhan
Psiquiatra: 01
Pintor: 01
Pediatra: 01
Dona de casa: 01
Em questão de gênero, havia:
Homens: 05
Mulheres: 03
Todos eram, em termos psiquiátricos, livres de transtornos mentais. Tinham também uma vida considerada normal. O ingresso aos hospitais se deu ao dizerem que ouviam vozes. Ao ingressarem pararam de simular esse falso sintoma.
FASE 2: Analisar a capacidade de identificar a insanidade mental
Nesta segunda fase Rosenhan apresentou os resultados a uma renomada e muito conhecida instituição de ensino e pesquisa na área psiquiátrica. Nessa instituição, foi dito a Rosenhan, que esses erros não deveriam ocorrer ali.
Rosenahan acordou com esta instituição que ao largo de 3 meses enviaria 1 ou 2 pseudo-pacientes para lá e a equipe deveria classificá-los. Entretanto, diferentemente do afirmado, o pesquisador não enviou nenhum pseudo-paciente para a dita instituição.
5: Resultados
FASE 1: Analisar a capacidade de identificar a sanidade mental
Na Fase 1, 7 pseudo-pacientes foram diagnosticados como esquizofrênicos e 1 com psicose maníaco-depressiva. Eles relataram que a equipe médica não percebeu a simulação, mas relataram que do total de 118 pacientes reais que eles tiveram contato, 35 suspeitaram da sua sanidade.
A equipe médica registrou em 3 pseudo-pacientes que a escrita normal deles era um sintoma patológico. Outros comportamentos normais eram associados às questões patológicas.
FASE 2: Analisar a capacidade de identificar a insanidade mental
Nesta Fase 2, a instituição listou 193 pacientes onde destes 41 foram dados como impostores, ou seja, pseudo-pacientes e outros 42 como suspeitos. Mas como Rosenhan não enviou nenhum pseudo-paciente, todos os classificados como impostores ou suspeitos eram pacientes reais.
Estes foram os resultados das duas Fases do Experimento.
6: Conclusões
FASE 1: Analisar a capacidade de identificar a sanidade
A equipe médica foi incapaz de detectar a sanidade.
FASE 2: Analisar a capacidade de identificar a insanidade
A equipe médica foi incapaz de detectar a sanidade.
CONCLUSÕES GERAIS
Qualquer processo de diagnóstico que leva a erros tão grosseiros e significativos não pode ser considerado, minimamente confiável. As equipes médicas não sabem identificar pessoas sãs de pessoas insanas. Havia a presença de rótulos, onde tudo o que o paciente fazia, mesmo o que era normal, era tomado, de forma automática pela equipe médica, como um sintoma psiquiátrico e patológico.
Rosenhan sugeriu que no lugar de rotular uma pessoa como insana que seja dado foco em seu comportamento. Desta forma tende-se a reduzir o erro.
O trabalho de Rosenham, ainda que tenha sido feito para uma análise psiquiátrica pode ser facilmente estendido a outras áreas. Isso porque, tomar rótulos a partir de visualizações externas ou ater-se a estereótipos invalida e anula qualquer capacidade de senso crítico.
Logo, o estudo de Rosenhan nos faz repensar a incapacidade de pensar diante do aparentemente óbvio. E aí reside um problema. Porque foi a partir do óbvio que o pesquisador conseguiu demonstrar o quão frágil era o diagnóstico psiquiátrico e, expandindo isso, o quão manipulável e sugestivos somos diante de aparências, esquecendo, quase que a todo momento, de sermos mais profundos e analíticos diante das situações que nos apresentam.