1: Autoria e cronologia
Este experimento foi idealizado pelo estadunidense Philip ZIMBARDO (EUA; 1933- 2014; EUA), psicólogo da Universidade de Stanford no ano de 1969. A teoria veio depois, através do cientista político James Quinn WILSON (EUA; 1931 – 2012; EUA) e o psicólogo criminalista George KELLING (EUA; 1935 – 2019; EUA), ambos estadunidenses.

2: Objetivo
A Teoria proposta por Wilson e Kelling, a partir do experimento realizado por Zimbardo, buscava verificar a relação entre a desordem do local com condutas criminosas ocorridas neste mesmo local. É uma guia dentro da área da criminologia.
3: Cenário do experimento
Duas foram as cidades para o experimento de Zimbardo. A cidade de Nova Iorque, no Bronx, um bairro pobre e, à época, considerado violento e conflituoso. A outra cidade era Palo Alto, cidade de alto índice de renda per capta, à época e sem grandes problemas de violência social.
4: Metodologia
Dois automóveis idênticos em cor e modelo foram deixados nestes lugares, um em cada cidade do experimento. O automóvel era um Ford Pinto branco e estava, nos dois casos, com aspecto de abandonado (relato mais fiel afirma que o automóvel era “velho”) e sem a placa de identificação alfanumérica. O automóvel em tela era considerado um modelo popular.

Diante desse cenário e do objeto que instigou a análise ocorreu o experimento. Os veículos foram deixados nas cidades testes.
5: Resultados
O veículo que foi colocado no bairro do Bronx, em poucas horas o veículo passou a ser vandalizado. Foram roubados seus pneus e suas rodas; os espelhos, o motor e tudo o que poderia ser levado. O que não pode ser levado foi vandalizado, destruído. O veículo idêntico deixado no Palo Alto permaneceu intacto no mesmo período e assim se manteve pelo tempo de uma semana.
Nisso os pesquisadores quebraram um dos vidros do veículo de Palo Alto. Ato contínuo, o veículo de Palo Alto sofreu o mesmo tipo de vandalismo. Este foi o experimento realizado.
6: Conclusões
Fica a pergunta: Por que um vidro quebrado pode transformar um local não violento e sem vandalismos em um local com ação vândala e violenta? Certamente a resposta não está na condição econômica porque as realidades das duas localidades eram, nesse sentido, antagônicas.
A resposta está na psicologia. O vidro quebrado transmite, ainda que de forma inconsciente, o abandono e, por consequência, a ausência da lei. Isso se traduz por desinteresse. Logo, na ausência de interesse e na presença do abandono, tudo pode ser feito. Isso instiga a ação de baixos instintos no ser humano e ele, vendo que ninguém se importa com um veículo depredado, libera esses instintos na forma de agressão contra o veículo, o que resulta em vandalização.
Como o veículo foi vandalizado pela segunda vez, não há objeções para que ele não seja vandalizado uma terceira e isso segue em um efeito cascata, aumentando as ações até que estas possam se tornar incontroláveis por chegarem ao nível de total irracionalidade. Desta forma foi explicado o experimento.
A conclusão do experimento é:
“A delinquência é proporcional ao grau de descuido que se tenha com a localidade”.
Ou seja, quanto maior o descaso, maior (a possibilidade) a delinquência. O oposto é verdadeiro, quanto maior o zelo, menor (a possibilidade) a delinquência.
Desse experimento realizado em 1969 por Zimbardo, surgiu uma publicação em 1982 por parte dos pesquisadores Wilson e Kelling na revista Atlantic Montly. Nesse artigo conseguiram demonstrar a existência de causalidade entre criminalidade e descaso social.
O estudo destes pesquisadores permitiu apontar como a criminalidade pode fazer parte de uma localidade pelo simples fato de âncoras psicológicas dispararem baixos instintos de depredação e vandalismo pelo fato de ver no local um meio abandonado ao descaso social. Onde não há autoridades, não há contenção dos comportamentos, logo, é possível fazer o que se quer sem medo de punição. Essa é a ideia do descaso social e sua associação com o crime e a violência.
A violência não surge grande, ela surge de uma desordem, se torna uma violência de pequenas proporções até se transformar em uma grande violência. Esse é um dos resultados da Teoria das Janelas Quebradas.
Em termos práticos funciona assim: Hoje uma pessoa ultrapassa o sinal vermelho porque está com pressa. No outro dia ela vai fazer o mesmo porque no dia anterior ela fez e ninguém a puniu, mesmo que ela não esteja atrasada. Assim, um delito sem punição é, inconscientemente, impulsionado a ser cometido novamente.
Isso ajuda a demonstrar que a criminalidade não tem relação com a pobreza econômica ou com questões raciais. Na verdade o delito está dentro do ser humano que espera uma oportunidade confortável para que ele venha à tona. Ou como diria Platão: A corrupção está dentro do ser humano.
7: Consequências práticas a partir do Experimento
Inspirado na Teoria das Janelas Quebradas e seu experimento raiz, políticas públicas foram implementadas no metrô de Nova Iorque. A região era considerada uma das mais críticas da cidade. Estratégias, a partir da segunda metade da década de 1980 foram realizadas, entre elas, citamos:
- Trabalhar pela coleta de lixo no chão da estação e cercania
- Preservar a população do alcoolismo
- Controlar a evasão ao pagamento das passagens
- Agir sobre desordens e violências locais
Diz-se que o resultado não tardou em se fazer visível. A Teoria se tornou uma realidade! Uma segunda aplicação foi feita no início da década de 1990, agora abrangendo a cidade, não somente uma região. As ações empregadas foram:
- Trabalhar para que as comunidades estivessem limpas e ordenadas
- Trabalhar para evitar transgressões às leis
- Trabalhar para o desenvolvimento de se ter uma boa convivência
Os resultados demonstraram que os índices de criminalidade, simplesmente despencaram na cidade de Nova Iorque.